Escadaria do Centro Cultural, “ocupada” por andarilhos: campanha pedirá que população não dê esmolasCom o crescimento do número de moradores de rua, sendo muitos deles usuários de drogas, as prefeituras de diversas cidades da região, inclusive de Ribeirão Preto, passaram a realizar campanhas com intuito de incentivar a população a não dar esmolas. O objetivo é forçá-los a procurar emprego, voltar para suas famílias ou até mesmo, a sua cidade de origem.
Como esta situação está se agravando na cidade, a Prefeitura de Ituverava lançou, nesta semana, a campanha “Quem dá esmola, não dá futuro”. A expectativa é fazer com que os moradores de rua que são de Ituverava retornem para seus familiares e os que vieram de outras cidades para seu local de origem. “Como Ituverava apresenta uma boa qualidade de vida, muitas pessoas de outras cidades, que passam por esta situação, vêm para a cidade e se aproveitam da solidariedade da população para pedir esmolas. Boa parte dos moradores de rua tem endereço fixo, família e saúde para trabalhar”, afirma a primeira-dama e secretária Municipal do Bem-Estar e Integração Social, Delfina Sanae Maeda Matsubara.
Outro problema da cidade, são os dependentes químicos nas ruas. “Muitos fogem de suas casas para ter uma vida livre de responsabilidades. Eles conseguem dinheiro pedindo para a população, para sustentarem os seus vícios. Enquanto isso, seus familiares ficam desesperados à procura desses indivíduos”, enfatiza Delfina.
Apoio da população
Ela ainda afirmou que órgãos ligados às Secretarias Municipais de Saúde e Bem-Estar e Integração Social estão agindo para mudar a situação em que a as praças e outros pontos da cidade se encontram hoje, como a Hélvio Nunes da Silva (da Igreja). Entretanto, para que a ação tenha sucesso, o apoio da população é fundamental.
“Mesmo monitorando, é necessário um esforço maior. É preciso uma ação conjunta com a população, que não deve mais dar esmolas, pois desta maneira, contribuirá para que esses moradores de rua voltem para suas famílias ou cidades”, destacou a primeira-dama.
“Vale lembrar que a mendicância é considerada um ato de indignidade humana, que pode parecer uma saída, mas nunca deve ser adotada como um modo de vida. Infelizmente é isso que está acontecendo. Portanto, peço a população, que não dê esmola a pedintes”, disse Delfina.
“É importante também que a população colabore, informando locais onde estão alojados esses moradores. Isso pode ser feito através do telefone do CREAS (Centro de Referências da Assistência Social), 3839-9123. E, se porventura, presenciarem ações de vandalismo ou atentado ao pudor, peço que procurem a Polícia Civil e façam o Boletim de Ocorrência”, enfatizou Delfina.
Dependentes químicos
Ainda de acordo com Delfina, nas abordagens realizadas pelo Creas, conduzidas por assistente social e psicóloga, foi constatado que a maior parte dos moradores de rua em Ituverava são dependentes químicos, tem família e residência no município.
“Nossa equipe já entrou em contato com famílias dessas pessoas, mas os próprios familiares encontram-se em situação de impotência diante da dependência química. Nessa semana, conseguimos internar compulsoriamente uma moradora de rua com o apoio de sua família, mas esse é apenas o início de uma longa batalha”, ressaltou.
“Devemos encaminhar, ainda essa semana, uma pessoa para uma instituição psiquiátrica e outra para uma clínica de recuperação”, completou Delfina.
ENQUETE
Nesta semana, a Tribuna de Ituverava foi às ruas saber se a população tem o hábito de dar esmolas e se considera como um ato de solidariedade.
Campanha cumpriu seu objetivo em Ribeirão Preto
A campanha contra esmolas foi positiva em todas as cidades que aderiram, especialmente em Ribeirão Preto, onde está em funcionamento há três anos. Neste município, o número de pedintes diminuiu de modo significativo, especialmente na rodoviária, onde anteriormente o número era muito grande.
Talvez o segredo para o sucesso da campanha em Ribeirão é que, mesmo com o passar dos anos, o trabalho de conscientização da população não parou. Prova disso, é que a Secretaria de Assistência Social da cidade, entre os dias 27 de fevereiro e 2 de março, intensificou a campanha no comércio, com equipes da Secretaria orientando os comerciantes para que não darem esmolas aos pedintes.
“Percebemos que o comportamento das pessoas que davam esmolas nas ruas já mudou. Porém, esperamos que os comerciantes da cidade também se envolvam, mudando definitivamente a forma de agir, aderindo ao nosso apelo. A primeira ação foi na Avenida Brasil e Avenida Saudade, mas ampliamos o programa para outros pontos estratégicos da cidade”, disse a secretária de Assistência Social, Maria Sodré.
Ainda segundo a secretária Maria Sodré, a realidade do trabalho da assistência social vai muito além da esmola. A proposta é atender cada morador, o porquê dele estar nesta situação, e propor a ele uma saída, na tentativa inclusive de resgatar a convivência familiar. “O trabalho de resgate do ser humano é árduo, mas não deve deixar de ser feito jamais, pois se não chegarmos perto dessas pessoas, se não propormos uma nova situação, nunca vamos saber se podemos fazer ou não algo por ela e ajudá-la a voltar à vida em sociedade”, destacou a secretária.
“Para fazer esse trabalho é preciso que as pessoas não dêem qualquer tipo de esmolas em qualquer situação, seja ela qual for. Nosso objetivo é que todos colaborem nessa corrente de fazer valer o serviço da assistência social, ajudando a fazer Ribeirão Preto uma cidade melhor e com atendimento efetivo voltado a essas pessoas”, finalizou a secretária.