POLϿ�TICA

Henrique Eduardo Alves fez desabafo em discurso no plenário da Câmara. Ele negou chantagem da Casa para votar projetos de interesse do governo.
29/03/2012

EXIGIR CARGO E VERBA NÃO É TOMA LÁ DA CÁ, DIZ LÍDER DO PMDB




O líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) afirmou nesta quarta-feira (28), em discurso no plenário da Casa, que reivindicar cargos no governo federal e exigir liberação de emendas parlamentares (verbas para obras locais) não é "toma lá da cá".

O peemedebista fez um desabafo ao criticar reportagens que dizem que o Congresso estaria fazendo exigências e "chantagens" para votar projetos de interesse do governo federal. "Emenda não é concessão de Poder nenhum. É uma previsão orçamentária. O deputado é interlocutor de suas bases, de suas comunidades. Mas fica como se fosse um toma lá da cá", disse.

Sobre a reivindicação por cargos, Alves explicou que, por fazer parte da base aliada, tem direito de indicar "pessoas competentes" para assumir funções no Executivo. "É mais justo a pessoa ser indicada por uma pessoa só ou um conjunto de partidos responsáveis e independentes? Quando lutamos por cargos não é essa palavra pejorativa do toma lá da cá. É por sermos sócios da gestão que queremos colocar pessoas competentes."

Segundo Henrique Eduardo Alves, as exigências da base não significam "toma lá dá cá, mas sim respeito cá e em todo lugar". "Essa carapuça de toma lá dá cá eu não aceito", afirmou. O discurso do deputado foi muito aplaudido pelos demais parlamentares presentes em plenário.

Em entrevista à revista "Veja" publicada no sábado (24), a presidente Dilma Rousseff negou, segundo a publicação, que exista crise política entre o Palácio do Planalto e o Congresso - mas disse não gostar "desse negócio de toma lá dá cá" nas relações com a base aliada.

"Não gosto desse negócio de toma lá dá cá. Não gosto e não vou deixar que isso aconteça no meu governo. Mas isso nada tem a ver com a troca dos líderes. Eles não saíram por essa razão", disse a presidente, conforme reproduziu a publicação.

Dilma mantém no Congresso uma relação tensa com a base aliada ao governo, que resultou, entre outros episódios, na troca dos líderes do governo no Senado e na Câmara, e em derrotas nas últimas semanas em temas prioritários ao Planalto. Governistas reclamam da falta de diálogo com o Executivo e da postura "impositiva" da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, responsável pela articulação política do governo.

Lei da Copa
Henrique Eduardo Alves também afirmou que foi legítima a recusa da base aliada em votar a Lei Geral da Copa antes que fosse marcada uma data para análise do Código Florestal. Ele elogiou o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), pelo acordo que permitiu a votação das regras para o mundial nesta quarta.

Em negociação que não contou com a participação da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Maia se comprometeu a votar o Código Florestal até o final de abril, o que satisfez a bancada ruralista. "Parabéns presidente Marco Maia pela sua sensibilidade. Sua postura é de respeito ao plenário. Parabéns por esse gesto que une o plenário. Essa é a casa do povo brasileiro", disse.

O Planalto tentava adiar a votação do Código Florestal por discordar do texto do relator da matéria na Câmara, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que faz concessões aos ruralistas. O governo não queria marcar uma data de votação, conforme exigido pela base aliada, por considerar que se tornaria "refém" desse tipo de exigência em futuras votações.