Consumo de chocolate deve ser moderado, dando-se preferência ao meio amargo, com 70% de cacauÉ difícil encontrar quem não goste de chocolate. O problema é que muitas vezes ele é apontado como o grande vilão das dietas. É difícil resistir ao famoso doce preparado com cacau: o cheiro, a textura, os formatos e os tipos de chocolate são um verdadeiro convite à degustação.
Os ingredientes básicos do chocolate são cacau, leite e açúcar. “O chocolate é altamente antioxidante, por conta das propriedades do cacau. Ele tem polifenóis, que ajudam a desobstruir a gordura que fica acumulada nas veias, protegendo o organismo contra doenças cardiovasculares e reduzindo o colesterol ruim", explica a nutricionista Paula Castilho.
O consumo, no entanto, deve ser moderado, dando-se preferência ao chocolate meio amargo, com 70% de cacau, em quantidades pequenas, em média 30g por dia.
O açúcar é responsável por deixar o doce supercalórico. Quem não quer engordar deve optar pela versão light do produto. Já quem tem intolerância a alguma substância, deve consumir os chocolates diets.
O chocolate também tem o benefício de amenizar momentos de ansiedade e de estresse. O triptofano, substância presente nele, ajuda o corpo a produzir mais serotonina, que é o que dá a sensação de prazer para o organismo. “Por isso que tem os chocólatras, porque eles encontram no chocolate a sensação de saciedade, de prazer mesmo”, ressalta Paula Castilho.
Chocolate é rico em substâncias que podem levar à obesidade e ao diabetes
À convite da Tribuna de Ituverava, a nutricionista Viviane Sandoval Beicker também apontou alguns malefícios causados pelo excesso de chocolate.
“Não há problema em consumir chocolate diariamente, desde que seja em pequena quantidade. Estudos mostram que os chocolates amargos – meio amargo e com 70% ou 90% de cacau – ajudam a prevenir doenças cardiovasculares. Porém, para isso acontecer, os voluntários dos estudos tiveram de consumir diariamente – cerca de 30 a 100 gramas – chocolate amargo por 20 anos”, explicou a nutricionista ituveravense Viviane Sandoval Beicker, que é responsável pela merenda escolar de Buritizal.
Ela alerta ainda que, com a Páscoa, o chocolate pode até estar liberado nas deitas, mas no dia-a-dia é melhor controlar porque, com o prazer, vêm também as calorias.
“O chocolate é rico em gordura saturada, açúcar e cacau, substâncias que podem trazer benefícios, mas que também oferecem efeitos nocivos, como obesidade, o aumento da glicemia e o surgimento de doenças como diabetes. Por isso, é bom maneirar no consumo”, afirmou.
Entre tantas recomendações, Viviane dá uma boa notícia para os chocólatras. “Ao contrário do que muita gente pensa, consumir chocolate não dá espinhas e nem enxaqueca. Portanto, se estas forem as causas das preocupações dos consumidores, eles podem chocolate à vontade”, ressaltou a nutricionista.
Analise os componentes do chocolate
Manteiga de cacau: obtida das sementes da fruta, é uma gordura vegetal que contém antioxidantes. Eles combatem os radicais livres, responsáveis pelo entupimento das artérias. Além disso, a manteiga de cacau é rica em ácidos graxos saturados e insaturados, que servem para diminuir o colesterol total e os triglicerídeos e aumentar o colesterol bom (HDL). Por ser vegetal, a gordura da manteiga de cacau não contém colesterol e o porcentual de gordura saturada e insaturada em sua constituição está dentro das recomendações estabelecidas pela Associação Americana de Cardiologia (AHA).
Polifenois: são substâncias químicas presentes no chocolate e são antioxidantes e vasodilatadoras, que ajudam na redução da arteriosclerose.
Alcaloides (cafeína e teobromina): são substâncias que estimulam o sistema nervoso, melhoram a concentração e proporcionam energia.
Flavonoide: essa substância presente na semente do cacau age como protetor cardiovascular. O flavonoide diminui a incidência e o desenvolvimento da arteriosclerose, endurecimento e espessamento da parede das artérias. Ela funciona como um filtro sangüíneo, que ajuda na redução da formação de placas de gordura e estimula os receptores do fígado na captação do colesterol ruim (LDL), transformando-o em substâncias benéficas para o bom funcionamento do coração.
Para ser chocolate é preciso ter 25% de cacau na composição
Segundo o presidente do Instituto Cabruca e da Câmara Setorial do Cacau, Durval Libânio, o consumidor deve ficar atento ao rótulo dos produtos para saber a concentração de cacau e se há adição de leite, açúcar e outros ingredientes.
“Para ser considerado chocolate, o produto deve conter no mínimo 25% de cacau. De acordo com a Anvisa, o produto pode apresentar recheio, cobertura, formato e consistência variados. Mas muitos produtos vendidos hoje não contêm este teor e são vendidos como ‘barra sabor chocolate’. Essa é uma importante característica, que deve ser levada em conta, na hora da alimentação”, afirmou Viviane.
Diet e light
O que os consumidores não sabem é que o chocolate diet é mais calórico do que o chocolate ao leite. Apesar de não ter açúcar, o diet tem mais gordura. No chocolate ao leite, quanto mais leite na composição, maior a quantidade de gordura saturada.
Os chocolates meio amargos costumam ser menos calóricos porque têm menos açúcar, leite e gordura. Mas, de acordo com a nutricionista, a quantidade destes ingredientes varia muito, então antes de escolher o meio amargo, preste atenção no rótulo para saber quantas calorias ele tem.
Considerados funcionais, os produtos com 70% e 90% de cacau têm alto teor de antioxidantes e podem proteger contra doenças do coração. Existem ainda os chocolates brancos, à base de soja, de alfarroba, entre outros.
Segundo Viviane, quanto mais doce o chocolate, menor a quantidade de massa de cacau em sua formulação. “O chocolate branco, por exemplo, possui pouquíssima massa de cacau em sua composição e, conseqüentemente, não traz benefícios à saúde”, complementou.
Novidades
“Chocolate emagrecedor”
Você já ouviu falar em chocolate que emagrece? O chocolate terapêutico é feito em farmácias de manipulação, contendo fitoterápicos, que são substâncias naturais que ajudam pacientes em determinados tipos de tratamentos. Esta novidade tem 70% de cacau, é adoçado com sucralose, um adoçante saudável, e tem apenas 12 calorias. Mas para o tratamento funcionar, seu consumo deve ser diário.
Chocolate não vicia
A média anual de consumo dos brasileiros é de 2,2kg de chocolate por pessoa. Existem os “chocólatras” – pessoas que possuem compulsão por chocolate. Mas o chocolate não vicia. Segundo o endocrinologista Alfredo Halpern, algumas pessoas têm uma fissura pelo doce que pode ser comparada ao vício, mas jamais com dependência química.
Chocolate não combina com gastrite
Segundo o cardiologista Daniel Magnoni, pessoas que sofrem de gastrite ou possuem pré-disposição para a doença devem evitar o consumo excessivo de chocolate. Além do aumento de peso, o consumo excessivo pode provocar taquicardia leve, já que possui uma substância conhecida como xantinas, um estimulante alcaloide do mesmo grupo da cafeína.