Agora é hora de negociar dívidas acumuladas no cartão de crédito ou no cheque especial. Um economista afirma que a dívida é resultado do descontrole financeiro com os altíssimos juros praticados pelos bancos.A briga é entre os bancos, mas quem vai sair ganhando é o consumidor. Depois da redução dos juros do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, a concorrência aumentou. O brasileiro ganhou mais uma arma. Agora, é hora de negociar dívidas acumuladas no cartão de crédito ou no cheque especial. É também a hora de pesquisar as melhores taxas de juros.
Um empréstimo em dez prestações era um passo pequeno para a auxiliar de enfermagem Tatiane Bertoluzzi, mas ela perdeu o emprego e o controle da dívida. “Eu fui tentando fazer um acordo, sempre com os juros muito altos, e você chega ao banco e tem que dar uma entrada. Então, foi-se protelando, protelando e agora eu vim para ver se consigo resolver o problema”, afirma.
Tatiane não consegue entender como, em um ano, os R$ 900 que tomou emprestado viraram R$ 3,6 mil. O economista faz a conta: some o descontrole financeiro com os altíssimos juros praticados pelos bancos.
É evidente que parte da inadimplência se deve aos juros altos, e isso influencia na capacidade de pagamento. Se os juros fossem menores, a capacidade de pagamento seria maior”, afirma o diretor de economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (ANENFAC), Andrew Frank Storfer.
Para forçar a concorrência, o governo baixou as taxas de juros cobradas pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal.
Uma rápida consulta na internet já mostra como as medidas anunciadas na semana passada mudaram o mercado de crédito. Fazendo uma comparação entre os bancos, nós descobrimos que o rotativo do cartão, por exemplo, pode custar 3% ao mês ou 16% ao mês. O cheque especial vai de 1,35% a mais de 10% ao mês. Para o consumidor, a prática de pesquisa de preços entre os bancos nunca fez tanto sentido, como dizem os economistas.
“Um dos benefícios dessas medidas é que o consumidor passe a olhar os juros como parte do custo de uma mercadoria qualquer. O custo desse dinheiro também faz parte do preço que ele paga. Então, ele deve começar a ser mais atento aos juros que paga, deve fazer uma preparação com um pouco mais de antecedência, pesquisando condições de financiamento, de empréstimo ou de juros nessas instituições. E essa educação financeira acho que acaba vindo para ficar”, aposta Andrew Frank Storfer.
Depois de se enrolar na dívida e perder crédito na praça, Tatiane aprendeu que o nome limpo vale por um patrimônio. “O nome é tudo o que a gente tem na verdade”, afirma a auxiliar de enfermagem.
Para os especialistas, a queda nos juros nos bancos estatais pode levar os bancos privados a tomar a mesma atitude, para ser competitivos.