O senador Vital do Rego, do PMDB da Paraíba, vai ser o presidente. Já o relator, do PT, ainda está sendo decidido.Foi criada no Congresso a CPI que vai investigar a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira e a ligação dele com políticos e empresários. Governo e oposição têm focos diferentes de investigação.
Em uma cena rara, o Congresso cheio em plena quinta-feira (19). E foi um discurso atrás do outro, tudo para formalizar a criação da CPI, que, na prática só começa a funcionar semana que vem. Ao todo, 80% das vagas serão ocupadas por deputados e senadores de partidos governistas. São eles que vão conduzir as investigações sobre a relação do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários. O senador Vital do Rego, do PMDB da Paraíba, vai ser o presidente. Já o relator, do PT, ainda está sendo decidido, sem pressa.
“O prazo é terça-feira, quarta-feira. Inclusive, a nossa expectativa é que o que tem a maior idade possa instalar a comissão”, disse o senador Walter Pinheiro, líder do PT.
Quem também quase perdeu a paciência foi o senador Demóstenes Torres, sem partido. Ele que será ouvido pela CPI, circulou pelo segundo dia seguido pelo Congresso, e não gostou de ser questionado se havia apoiado a comissão. “Não faço falso heroísmo. Então, sou uma pessoa que a vida toda foi coerente. Então, assinar teria que finalidade? Falso heroísmo?”, declarou o senador.
Segundo parlamentares, o bicheiro Carlinhos Cachoeira deve ser um dos primeiros a ser ouvido na CPI, mas um grupo de senadores manifestou preocupação ao Ministério da Justiça, pela segurança dele, que há dois dias foi transferido para o Presídio da Papuda em Brasília.
Cachoeira foi preso no fim de fevereiro. Segundo a Polícia Federal, comanda uma rede de negócios, que teria sido criada para lavar dinheiro da organização criminosa comandada por ele.
“Trata-se de uma pessoa que é um verdadeiro arquivo vivo de um conjunto de ações e atividades irregulares, supostamente criminosas, que precisam de apuração. Então, é dever do Estado garantir a integridade física do senhor Cachoeira”, apontou o senador Humberto Costa, relator no Conselho de Ética.
À 00h, terminou o prazo para adesão ou retirada de assinaturas. Nenhum parlamentar recuou. A lista de adesões terminou assim: 385 deputados e 72 senadores garantiram a criação da CPI mista, um número inédito, lembraram os parlamentares. Decidida a presidência da comissão, agora a disputa é pela relatoria dentro do PT.