GERAL

Guilherme Ignácio e a mãe Valda, em Paris
21/04/2012

ITUVERAVENSE SE DESTACA NO CENÁRIO NACIONAL


Professor universitário da Unifesp participa do trabalho de transcrição de caderno de anotações de Marcel Proust

Mais uma vez, Ituverava figura no cenário nacional. Desta vez, o destaque vem da Literatura.

O professor universitário Guilherme Ignácio da Silva, 39 anos – que é formado em Letras, com habilitações em Francês, Português e Alemão, pela Universidade de São Paulo – é um dos pesquisadores mais respeitados da obra do escritor Marcel Proust.

Um grupo da USP está pesquisando os cadernos de anotações que foram utilizados para compor “Em Busca do Tempo Perdido” – um gigantesco livro dividido em sete volumes, com mais de 3,5 mil páginas, que Proust dedicou oito anos de sua vida para escrevê-los.

As três edições póstumas estão rendendo revisões e acréscimos de citações na França e no mundo. Os manuscritos ainda hoje são estudados por especialistas que tentam decifrar sua obsessão por captar cada fragmento de memória através da literatura.

E é o que o Guilherme Ignácio da Silva está fazendo. Ele participa de um grupo de pesquisadores da língua francesa, que estuda tais manuscritos, e é editor da tradução brasileira. Estas atividades renderam a ele vários elogios, entre eles, a reportagem publicada no dia 11 de abril pela Revista Veja!, e também em artigo publicado pelo jornal Estado de São Paulo, em dezembro de 2011, pela professora Leda Tenório da Motta, autora de vários livros, entre eles “Proust – A violência sutil do riso (Perspectiva)”.

Na semana passada, o ituveravense – que é doutorado na École Normale Supérieure, de Paris – concedeu entrevista à Tribuna de Ituverava, falando sobre seu trabalho junto ao grupo de pesquisadores e ressaltando o significado de Proust em sua vida.

Guilherme Ignácio da Silva, que residente em São Paulo, é filho da professora Valda Ignácio da Silva e do funcionário público aposentado Eurípedes Ferreira da Silva (“Pinho”). Ele é mais um ituveravense que se destaca.

Veja, abaixo, a íntegra da entrevista, concedida via e-mail:
Tribuna de Ituverava – De onde veio o interesse por Marcel Proust?

Guilherme Ignácio da Silva – Marcel Proust é autor de um ciclo de romances intitulado Em Busca do Tempo Perdido (1913-1927). O ciclo compreende mais de três mil páginas divididas em sete volumes: trata-se de uma reflexão sobre o sentido da vida e da literatura, para membros de quatro gerações sucessivas na França, do final do século XIX até um pouco depois da Primeira Grande Guerra. Descobri o livro assim que entrei para o curso de Letras da USP, ou seja, há exatos vinte anos, na Páscoa de 1992.

Tribuna de Ituverava – De que forma ele o influenciou profissionalmente?

Silva – A descoberta me levou a mudar minha opção do curso de Inglês pelo curso de Francês na USP e, na seqüência, defender Mestrado, Doutorado e ainda desenvolver um trabalho Pós-Doutorado sobre a obra de Proust. Atualmente, atuo na área de Língua e Literatura Francesa na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e sou editor da tradução brasileira de “Em Busca do Tempo Perdido”, pela Editora Globo.

Tribuna de Ituverava – Nesta semana, o sr. foi citado pela Revista Veja, como um dos pesquisadores brasileiros que estão transcrevendo os rascunhos deixados pelo es- critor. Como é este tra- balho?

Silva – Em 1998 chegou ao Brasil uma cópia de um caderno manuscrito de Proust pelas mãos de Philippe Willemart, meu orientador na USP. Fui o primeiro no país a transcrever integralmente um desses cadernos, que foi enviado à Equipe Proust do ITEM, em Paris, equipe que coordena mundialmente os estudos e a edição dos 75 cadernos deixados por Proust.

Durante meu doutorado, fui orientado por Bernard Brun, maior leitor vivo de Proust e membro da Equipe Proust. Realizei então sob sua orientação a transcrição de mais dois cadernos manuscritos que serão publicados em breve na Europa.

Tribuna de Ituverava – Quantos profissionais estão envolvidos neste trabalho? No Brasil, quantos integram a equipe?

Silva – O projeto de edição dos cadernos é coordenado por Nathalie Mauriac, herdeira de Proust e atual diretora da Equipe Proust em Paris. O Brasil participa do projeto com mais seis pesquisadores, transcrevendo um total de oito cadernos. Além do Brasil e França, participa do projeto uma equipe do Japão.

Tribuna de Ituverava – Este trabalho de transcrição dos rascunhos tem qual finalidade? Quando ele deverá ser concluído?

Silva – O trabalho tem por finalidade disponibilizar para os leitores de Proust o material que mostra as etapas de criação do livro que, para muitos, é a maior obra literária francesa do século XX. Pela extensão do projeto (transcrição e edição de 75 cadernos manuscritos) não há prazo estipulado para ser concluído.

Principais obras de Proust
-Os prazeres do dia – 1896

- Em busca do tempo perdido – 1913 a 1927

- No caminho de Swann

-À sombra das raparigas em flor

-O caminho de Guermantes (I e II)

- Sodoma e Gomorra

-A prisioneira

- A fugitiva

-O tempo redescoberto

- Paródias e miscelâneas

-Crônicas – 1927

- Jean Santeuil (obra póstuma de 1952)

- Contra Sainte-Beuve (ensaio, obra póstuma de 1954).

Quem foi Marcel Proust
Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust foi um importante escritor e poeta francês. Nasceu na cidade de Paris, em 10 de julho de 1871, e faleceu na mesma cidade em 18 de novembro de 1922.

A obra mais conhecida de Proust foi “Em Busca do Tempo Perdido”, um conjunto de sete novelas, considerada uma das grandes obras da literatura do século XX. É considerado um dos grandes escritores românticos do começo do século XX.

Em 1891, entrou para a faculdade de Direito da Sorbonne. Ele até se preparou para seguir a carreira de diplomata, porém desistiu para ser escritor. Fundou com alguns amigos, em 1892, a revista Le Banquet, uma das mais famosas da literatura da época. Também escreveu para outra famosa revista francesa: La Revue Blanche. Em 1919, ganhou o prêmio literário francês Goncourt, pela obra “À sombra das raparigas em flor”.

Um fato inusitado fez com que Proust se isolasse do mundo. Em 1905, ele perdeu sua mãe, herdando uma grande fortuna. Entretanto, após a morte, isolou-se socialmente para dedicar-se exclusivamente à literatura.