Socialista é favorito no segundo turno da eleição presidencial de domingo. Para analistas, ele deve manter parcerias estabelecidas por Sarkozy.A provável vitória do socialista François Hollande nas eleições presidenciais francesas poderia “institucionalizar” as relações entre o Brasil e a França. Mas, segundo diplomatas e especialistas, a parceria entre os dois países não deve ser alterada. Hollande e o atual presidente francês Nicolas Sarkozy se enfrentam no segundo turno, neste domingo (6).
Durante a campanha eleitoral, realizada em um contexto de crise econômica, questões locais como desemprego, aposentadoria e imigração ganharam importância, enquanto as relações exteriores ficam esquecidas.
Segundo membros do Partido Socialista, se for eleito, Hollande deve reforçar a cooperação com o Brasil e também poderia negociar com o Mercosul medidas que teriam impacto na agricultura francesa. Durante a campanha, o candidato socialista mostrou proximidade com o Brasil, afirmando em uma entrevista à revista "Paris Match", em abril, que o ex-presidente Lula estava na lista dos “homens políticos que o inspiram”.
As relações entre Brasil e França se estreitaram durante os governos de Lula e de Nicolas Sarkozy com parcerias nas áreas de tecnologia, ciência e com a assinatura, em 2009, de uma aliança estratégica em matéria de defesa. O acordo previa a construção de cinco submarinos brasileiros com tecnologia francesa, um deles nuclear, e também a compra de 50 helicópteros do tipo EC-725. Segundo um diplomata brasileiro, as relações recentes entre os dois países se baseavam principalmente na empatia que existia entre o ex-presidente Lula e Sarkozy.
Para ele, se Hollande for eleito, a parceria não deve mudar, mas sim a maneira de conduzi-la. Com a presidente Dilma Rousseff e Hollande no poder, é provável que a relação entre os países passe a ser mais institucional, e seja feita através dos ministérios, organizações e empresários, “mas isso não quer dizer que seja menos forte”.
“É importante para a França estar presente nos grandes países emergentes para competir no mercado mundial”, afirma o diplomata. Ele ressalta que entre os países dos Brics, o Brasil é o que tem mais facilidade para trabalhar com os franceses devido a uma maior afinidade cultural. “Temos razões para acreditar que esta visão sobre a importância do Brasil para a França já está bem consolidada e não vai mudar com os socialistas.”
Jean Jacques Kourliandsky, especialista geopolítico do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS) de Paris, afirma que “existe um consenso entre os dois candidatos sobre a política a ser seguida em relação ao Brasil e provavelmente Hollande vai dar continuação as parcerias estabelecidas por Sarkozy”.
Com relação a uma reforma dos organismos internacionais multilaterais solicitadas pelo governo brasileiro, Kourliandsky diz que a França sempre apoiou mudanças na ONU. Ele acredita que o governo socialista deve apoiar o Brasil em sua demanda de abertura do Conselho de segurança da entidade para a entrada de novos membros permanentes.
Mas, segundo o especialista, também é necessário observar que nesta situação de crise, questões exteriores à Europa vão ter menos prioridade no próximo governo. Em relação a agricultura, por exemplo, existe a possibilidade de que o protecionismo aumente, independentemente do resultado da eleição.
Segundo Kourliandsky, as questões estratégicas internacionais sempre estiveram presentes no discurso dos candidatos à presidência francesa. Mas as eleições de 2007, quando Nicolas Sarkozy foi eleito, mudaram estas antigas tradições. Os candidatos passaram a dar prioridade a temas locais em detrimento das relações exteriores.