Protesto contra a aprovação do Novo Código Florestal em frente ao Congresso NacionalOnovo Código Florestal aprovado na Câmara dos Deputados dia 25 de abril, traz mudanças em questões importantes, como as Áreas de Preservação Permanente (APP) e reserva legal. O código já havia sido aprovado na Câmara em maio de 2011, quando a base aliada aprovou, mesmo com orientação contrária do governo.
Depois, o texto passou pelo Senado, em dezembro de 2011 e, por ter sido modificado pelos senadores, voltou para a Câmara, onde teve a votação concluída em abril este ano. Agora, o projeto vai para sanção da presidente Dilma Rousseff, que tem direito de fazer veto integral ou parcial.
A pedido da Tribuna de Ituverava, a professora Denise Bittencourt Amador, da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), fez uma análise profunda sobre a nova lei. Denise é mestre em Ciências Florestais e coordenadora do Projeto Arte na Terra. Ela também integra a ONG “Mutirão Agroflorestal”.
Segundo ela, a proposta do Novo Código traz um enorme retrocesso do ponto de vista ambiental. “Ainda não foi homologado e ainda há a esperança da presidenta Dilma Roussef vetar trechos ou o relatório na íntegra. Se tivermos a clareza que o meio ambiente é um bem comum à sociedade, essencial à vida do planeta, a perda da qualidade ambiental afeta a todos os cidadãos brasileiros do presente e do futuro, em áreas rurais e urbanas”, afirmou a professora.
Segundo ela, a proposta desobriga proprietários rurais e municípios a se responsabilizarem por manter os meios de sobrevivência no planeta. As florestas, especialmente nos ambientes tropicais, representam a estratégia que mantém a vida e os processos naturais.
“Um código que desobriga a necessidade de mantermos as florestas em pé é um atestado de suicídio coletivo. Somos um país florestal, mas pela nossa origem de país colonizado, nunca soubemos trabalhar e valorizar esta riqueza. Precisamos é desenvolver uma cultura florestal, saber gerar renda e alimentos a partir e junto da floresta, nossa biodiversidade inclui frutos riquíssimos como pequi, cupuaçu, baru, açaí, pupunha, cará, entre tantos outros. O que nos falta é criar políticas e mercado para produtos da nossa biodiversidade que mantenham a floresta em pé promovendo produtos e serviços essenciais à nossa vida”, afirma Denise.
Professora enumera desvantagens do Novo Código Florestal
A professora é categórica em enumerar as desvantagens. “Se trouxe benefícios, foi para meia dúzia de produtores rurais que ainda não enxergaram a necessidade e o valor do bem maior das florestas e ainda querem o lucro próprio a qualquer custo”, ressaltou.
Denise também critica a postura dos políticos brasileiros frente à nova legislação. “Enquanto o mundo inteiro repensa os meios de produção, os paradigmas de desenvolvimento, buscando novas formas de crescimento econômico considerando a sustentabilidade, o Brasil faz este enorme retrocesso aprovando uma lei que prejudica irreversivelmente os recursos naturais dos quais a própria agricultura tanto necessita – água, solo, biodiversidade”, complementou.
Ela finaliza. “Às vésperas de sediar a grande Conferência das Nações Unidas do Meio Ambiente, a Rio +20, o Brasil deveria dar um exemplo e mostrar uma política ambiental clara e avançada, sintonizada com as demandas atuais, em vez de envergonhar os cidadãos brasileiros aprovando uma legislação ambiental tão atrasada e incoerente com o nosso patrimônio e nossa natureza. Ainda há uma esperança: Veta, Dilma”, concluiu a professora.
Principais modificações
O que diz a Lei:
- As áreas de nascentes que devem ter a proteção de um raio de 50 m ao seu redor, passam a ter apenas 30 m.
Opinião de Denise:
“Sabemos que as nascentes são as formadoras dos rios, abastecem a água da população e necessitam uma boa proteção para sua perenidade e para evitar a contaminação por agrotóxicos”.
O que diz a Lei:
- Não haverá mais a exigência de reflorestar as margens de rios, as matas ciliares, para rios com mais de 10 m de largura
Opinião de Denise
“Estas áreas sempre foram consideradas de preservação permanente pela direta relação com a qualidade e quantidade da água”.
O que diz a Lei:
- Todas as áreas desmatadas até 2008 poderão ser legalizadas e anistiadas de multas
Opinião de Denise:
“Isso traz uma imagem de impunidade vergonhosa para o nosso país”.
O que diz a Lei:
- O relatório exclui das APPs também os apicuns e salgados, áreas mais importantes dos manguezais. O documento passa para os Estados e municípios o poder de definir a extensão das APPs em áreas urbanas.
Denise:
“Esta medida torna a resolução muito mais fácil de manipulação política local”
O que diz a Lei:
Passa a ser possível compensar área de Reserva Legal em outro Estado e os proprietários poderão pagar para compensar a área desmatada.
Opinião de Denise:
“Com isso, muitos problemas de regularização ambiental serão criados e a fiscalização será ainda mais complexa do que é hoje. O relatório proíbe que o cadastro ambiental rural seja público, o que torna também bem mais complicada a fiscalização”.