31 de maio: Dia Mundial de Luta contra o Fumo Na última quinta-feira, dia 31 de maio, a geração saúde lembrou mais um Dia Mundial de Luta contra o Tabaco, um mal que atinge cada vez mais pessoas no mundo.
O tabaco foi introduzido na Europa há aproximadamente 500 anos. Desde então, espalhou-se como epidemia pelo mundo. Até pouco tempo atrás, ele chegou a ser considerado um remédio para diversos males, e até estimulante que revigorava o cansaço do corpo e aguçava os sentidos. O cigarro já foi visto como sinal de inteligência entre os intelectuais e um símbolo de sucesso na piteira dos milionários do mundo.
Hoje, depois de entendê-lo melhor e saber sua composição, a sociedade passou a ver o cigarro como um acessório de mau gosto. Além dos males diretos à saúde, é o caminho curto para outros males que afligem o ser humano, como a impotência sexual. A fumaça também prejudica quem não fuma e agride quem dela não pode se defender.
Bilhões de dólares são gastos anualmente na luta contra os estragos do tabaco. Governos do mundo tentam desesperadamente inibir o consumo de cigarros e o ingresso de crianças e adolescentes no vício. Algumas medidas obtêm sucesso, outras nem tanto — como no caso da proibição da propaganda de cigarros na televisão brasileira, que não só foi ineficaz como contraproducente.
Combater o tabaco não significa punir o fumante, mas ajudá-lo em seu esforço para abandonar o vício. A maioria dos fumantes deseja isso. A sociedade também.
O cigarro por dentro
A fumaça do cigarro é uma mistura de aproximadamente 4.700 substâncias tóxicas diferentes; constituída de duas fases: a fase particulada e a fase gasosa. A fase gasosa é composta, entre outros, por monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína. A fase particulada contém nicotina e alcatrão.
O alcatrão é um composto de mais de 40 substâncias comprovadamente cancerígenas, formado à partir da combustão dos derivados do tabaco. Entre elas, o arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, resíduos de agrotóxicos, substâncias radioativas, como o Polônio 210, acetona, naftalina e até fósforo P4/P6, substâncias usadas para veneno de rato.
O monóxido de carbono (CO) se junta à hemoglobina (Hb) presente nos glóbulos vermelhos do sangue, que transportam oxigênio para todos os órgãos do corpo, dificultando a oxigenação do sangue, privando alguns órgãos do oxigênio e causando doenças como a aterosclerose.
A nicotina é considerada pela Organização Mundial da Saúde/OMS uma droga psicoativa que causa dependência. A nicotina age no sistema nervoso central como a cocaína, com uma diferença: chega em torno de 9 segundos ao cérebro. Por isso, o tabagismo é classificado como doença estando inserido no Código Internacional de Doenças (CID-10) no grupo de transtornos mentais e de comportamento devido ao uso de substância psicoativa.
Doenças
causadas pelo cigarro matam 357 por dia no país
A cada dia, 357 fumantes ou ex-fumantes morrem no Brasil das principais doenças ligadas ao tabagismo, especialmente enfermidades cardíacas, pulmonares e câncer.
Tratar doenças decorrentes do fumo custa R$ 21 bilhões anuais às redes de saúde pública e privada do país – sem contar o fumo passivo. Esse valor é cerca de cinco vezes o que o governo federal vai gastar, até 2014, no plano de combate ao crack.
As estimativas são de um estudo encomendado pela ONG ACT (Aliança de Controle do Tabagismo) à Fiocruz que será apresentado hoje, sábado, em evento de comemoração do Dia Mundial sem Tabaco.
O trabalho se baseia em dados de 2008 sobre doenças e mortes e, a partir de um modelo matemático, estima o impacto do fumo e seu custo.
Apesar de o número de fumantes no país ter caído nas últimas décadas – hoje 14,8% dos adultos fumam –, o cigarro é responsável por 13% das mortes, segundo o estudo.
Estimativa
Estima-se que, em 2008, 130.152 pessoas morreram das 15 principais doenças atribuídas ao fumo (de um total de 150 ligadas ao tabaco). O Ministério da Saúde diz que, em 2009, 37,6 mil pessoas morreram de acidentes terrestres e 52 mil de homicídio.
“A carga é muito pesada. Você tem um fator de risco, além do fumo tomar 0,5% do PIB, da riqueza do país”, diz Márcia Pinto, economista da Fiocruz que coordenou o estudo com um instituto argentino.
O trabalho avalia quantos anos de vida e de atividade social e produtiva se perdem por conta do tabagismo.
A estimativa média é que o consumo do tabaco encurte em 4,5 anos a vida de uma mulher fumante e em cinco anos a vida de um homem. Embora a presença do cigarro esteja ficando mais forte entre as mulheres, os homens ainda são os que mais fumam e que mais adoecem.
Tabaco faz 200 mil vítimas no Brasil todos os anos
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o fumo é fator casual de 50 doenças diferentes, destacando-se as cardiovasculares, o câncer e as doenças respiratórias obstrutivas crônicas. Cerca de 200 mil pessoas por ano são acometidas por males causados pelo cigarro.
As estatísticas demonstram que 45% das mortes por infarto do miocárdio, 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema), 25% das mortes por doença cérebro-vascular (derrames) e 30% das mortes por câncer podem ser atribuídas ao cigarro.
Outro dado alarmante: 90% dos casos de câncer do pulmão têm correlação com o tabagismo.