Pesquisa da NEV mostra que brasileiros defendem pena de morte e prisão perpétuaHoje, estupradores podem ficar no máximo 12 anos presos, segundo o Código Penal
A maioria da população de 11 capitais brasileiras defende a pena de morte ou a prisão perpétua para estupradores, segundo pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP. Conforme os dados, 73,8% dos moradores dessas capitais são a favor de penas mais duras para os condenados por estupro. Atualmente, estupradores podem ficar no máximo 12 anos presos, segundo o Código Penal.
Ao mesmo tempo, 51,8% dos entrevistados dizem ser contrários à pena de morte. "O estupro é um dos crimes que mais provocam ódio. Quanto mais raiva a pessoa sente, maior é a propensão de ela aceitar uma pena dura para o criminoso", afirma a psicóloga Nancy Cardia, coordenadora do trabalho.
Na pesquisa, foram feitas 4.025 entrevistas com maiores de 16 anos nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Manaus, Porto Velho e Goiânia.
Aplicação
A pena capital ainda é aplicada em muitos países, inclusive em nações consideradas desenvolvidas, mas que não encontraram formas de compreender e tratar questões de delitos praticados pelos seus cidadãos de forma menos cruel e desumana.
O fato é que até hoje não se comprovou que a pena de morte tenha provocado diminuição considerável dos delitos vinculados, nem que tenha impedido a atuação de pessoas na prática dos crimes cominados com essa pena capital.
No Brasil, a pena máxima para todo e qualquer delito é de 30 anos de reclusão, conforme prevê a nossa legislação, não havendo permissão para implantação da pena de morte, em única exceção nos períodos de guerras.
Um fator preocupante é que, regularmente, alguns indivíduos, sem fazerem uma análise humana e digna, bem como sem refletir sobre o respeito e a oportunidade que se deve oferecer aos demais semelhantes, defendem a aplicação da pena de morte no Brasil, sem perceber da impossibilidade jurídica e, sobretudo sem considerar os riscos de tal iniciativa.
De doze pessoas ouvidas pela Enquete da Tribuna de Ituverava, cinco são a favor da pena de morte, quatro são a favor apenas da prisão perpétua, e três são contra estes tipis de punição. “Sou contra, porque não confio no sistema judicial do país. Muitos erros podem ser cometidos. Nestes casos, como recuperar uma vida perdida?”, afirma o empresário e publicitário Daniel Hashimoto, 28 anos.
Já, o lavador de autos, Clesiano Generoso (“Nego Drama”), 34 anos, defende a pena de morte em casos de estupro. “Também sou a favor de ambas as penas, pois acho que quem faz uma maldade desta deve receber uma punição adequada para servir de exemplo”.
Veja, na íntegra as respostas:
Pena de morte pelo mundo
n Cerca de 90 países praticam a pena de morte.
A França abandonou o uso da guilhotina apenas em 1981.
A pena de morte é praticada em trinta e sete estados americanos.
Gastam-se cerca de dois milhões e meio de dólares para se executar uma pessoa, nos Estados Unidos.
Entre 1930 e 1996, 4220 prisioneiros foram executados nos Estados Unidos (mais da metade eram negros).
De acordo com o Death Oenalty Information Center, a população atual, nos “corredores da morte” é constituída mais de negros e latinos.
Até 2000 trinta e cinco condenados com retardo mental foram executados, apesar do governo federal americano e doze estados proibirem isso.
Desde 1970, oitenta e sete americanos deixaram de ser executados por terem sidos comprovados erros em seus processos, e comprovada sua inocência pouco antes da execução.