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Agentes de saúde entregam panfletos com informações sobre a hanseníase
17/06/2012

HANSENÍASE AINDA FAZ 516 MIL CASOS POR ANO




Uma doença temida ao longo dos séculos e muito presente no Brasil de hoje. Assim é a hanseníase, que ainda é endêmica em vários pontos do País. A doença tem tratamento e cura, porém ainda deixa seqüelas. De 2000 até 2011, mais de 516 mil novos casos de hanseníase foram registrados no país.


No entanto, atualmente pouco se fala da doença. Essa situação de invisibilidade será debatida na Comissão de Direitos Humanos, que já aprovou requerimento para a realização de uma audiência pública sobre como a hanseníase afeta os brasileiros nos dias de hoje.

O Brasil ocupa uma triste liderança mundial: o primeiro lugar na prevalência da hanseníase, quando se considera o número de casos proporcionalmente à população. Em 2010, foram registrados 34.894 novos casos. Em 2011, a queda foi pequena: 33.250 novos registros em todo o País.

A Índia registra mais notificações, no entanto também possui uma população muito maior do que a brasileira. Poucos países no mundo ainda apresentam áreas consideradas endêmicas, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Em 2010, 92,4% dos novos casos registrados nas Américas aconteceram no Brasil, sendo que existiram notificações em todos os estados do País. Ainda que a doença seja mais diagnosticada em pessoas pobres, ela pode atingir classes sociais mais altas também. É o caso da servidora pública aposentada Marly de Fátima Barbosa, moradora de Brasília de classe média, que passou por várias clínicas durante os sete anos em que se queixou de dores e perda de força no braço.

Caso de Marly Barbosa mostra que
doença afeta todas as classes sociais

“Um dos médicos admitiu que teria pedido exames para hanseníase se eu fosse uma paciente de periferia”, relata. Com a demora no diagnóstico, que terminou sendo positivo, hoje Marly sente dores crônicas causadas pelas neurites, inflamações nos nervos atacados pelo bacilo de Hansen.

Mais de 516 mil pessoas receberam diagnóstico de hanseníase em todo o Brasil, de 2000 até o ano de 2011. Os estados com maior prevalência no Brasil são Mato Grosso, Tocantins, Rondônia, Pará e Maranhão.


Essa situação permanece oculta para grande parte da população brasileira. “Quando a gente empurra o tema da hanseníase para a invisibilidade, o número de doentes aumenta no Brasil”, destaca o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), autor de requerimento para debater a situação da hanseníase na Comissão de Direitos Humanos.