MUNDO

Ainda não está claro se o presidente Federico Franco irá à Argentina. Bloco deve analisar o processo de impeachment contra Fernando Lugo.
24/06/2012

PARAGUAI VAI À CÚPULA DO MERCOSUL, DIZ CHANCELER DO NOVO GOVERNO




O novo chanceler do Paraguai, José Félix Fernández Estigarribia, anunciou neste domingo (24) que irá à cúpula que o Mercosul realizará em Mendoza, no norte da Argentina, na próxima sexta-feira (29), e na qual o bloco deve abordar as consequências da destituição de Fernando Lugo da presidência paraguaia.

"Participaremos da cúpula do Mercosul", disse Fernández Estigarribia em entrevista na sede da chancelaria em Assunção. Ele disse que ele e seu vice-chanceler vão integrará a delegação, mas sem esclarecer se o novo presidente, Federico Franco, também viajará.

Na véspera, Franco havia dito que provavelmente não irá à cúpula do bloco.

"Vamos esperar, ver o que acontece nos próximos dias, vamos sentir a situação e de acordo com isso vamos decidir, mas acredito que o mais importante é reorganizar o país, tudo é muito recente e não é muito prudente sair do país neste momento", disse.

O novo governo anunciou ter iniciado, logo após a posse, uma ofensiva diplomática com os países sul-americanos, que receberam negativamente o impeachment de Lugo.

Na reunião desta semana, que já estava prevista, os demais membros do bloco - Argentina, Brasil e Uruguai - devem abordar o rápido processo de impeachment de Lugo pelo Congresso, ocorrido na sexta-feira (22).

Na madrugada deste domingo, Lugo fez um discurso improvisado no qual acusou o novo governo de estar isolando o país internacionalmente e reafirmou que considera ter sido alvo de um golpe parlamentar.

Brasil
O Itamaraty anunciou na noite de sábado, por meio de nota, que convocou o embaixador brasileiro no Paraguai para consultas -Argentina e Uruguai também tomaram medidas semelhantes.

O Brasil, principal parceiro comercial do Paraguai, também condenou o que foi chamado de "rito sumário" de destituição de Lugo.

Também no sábado, a presidente Dilma Rousseff fez reunião ministerial de emergência para discutir a crise.

Mais cedo, o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o Brasil deve seguir a posição da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) no caso e não descartou sanções.

Três diplomatas visitaram Franco no sábado no palácio presidencial: o embaixador dos Estados Unidos, James H. Thessin, o embaixador alemão, Claude Robert Ellner, acompanhado do ministro de Cooperação Econômica e de Desenvolvimento da Alemanha, Dirk Niebel, que considerou "um processo normal" a destituição de Lugo, e o núncio apostólico Eliseo Ariotti, representante do Vaticano.

Tensões latentes
Embora no Paraguai o sábado tenha sido um dia de calma, as tensões sociais que provocaram a crise política que custou o cargo de Lugo estão latentes.

José Rodríguez, líder da Liga Nacional de Acampados, o movimento de sem-terra que protagonizou o violento confronto de oito dias atrás em Curuguaty com um saldo de 11 camponeses e 6 policiais mortos, que desencadeou a crise política, convocou seus seguidores a "permanecer mobilizados".

No entanto, Franco disse à France Presse que "não tem sentido criar uma Comissão" que investigue a morte de camponeses e policiais na cidade de Curuguaty.

A Comissão, com apoio da OEA, havia sido anunciada por Lugo um dia antes do início dos trâmites para seu julgamento político.