ECONOMIA

O economista Antônio Vicente Golfeto, de Ribeirão Preto
18/07/2012

ECONOMISTA PREVÊ FUTURO PROMISSOR PARA ITUVERAVA


Em entrevista exclusiva a Tribuna de Ituverava, Antônio Vicente Golfeto fala sobre economia do município e da região

Está prevista para a próxima quarta-feira, 18 de julho, uma palestra com o renomado economista Antônio Vicente Golfeto, de Ribeirão Preto. O evento – que é promovido pela Associação Comercial e Industrial de Ituverava – será realizado no Centro Cultural “Cícero Barbosa Lima Júnior”, a partir das 19h. Ingressos para funcionários de empresas associadas são gratuitos. Para empresas não associadas, o preço é R$ 20.

Considerado um dos magos da economia regional, Golfeto concedeu entrevista exclusiva à Tribuna de Ituverava, nesta semana. Para ele, Ituverava tem uma economia bastante promissora. Porém, o seu desenvolvimento econômico está diretamente ligado à capacidade de seus empresários.

Ele também diz que a economia paulista está se deslocando da capital para interior. Especificamente para a região de Ituverava, o economista prevê um futuro bastante promissor. “Se Ituverava e sua microrregião construírem boa estrutura de comunicação, transportes, saúde e educação, poderão sair à frente, mais aceleradamente em relação a outras regiões do Estado”, afirmou.



Veja, abaixo, a íntegra da entrevista:




Tribuna de Ituverava – Como o sr. analisa Ituverava economicamente? A cidade tem uma economia promissora, como apontam os índices?

Antônio Vicente Golfeto – Ituverava tem uma economia promissora. Mas, a qualidade de seu desenvolvimento econômico – como, de resto, de toda região e de todo país – depende, diretamente, da qualidade do empresário.

Esta qualidade é resultado sempre da soma algébrica do empreendedor mais o administrador. Quanto mais competente for o empresário, mais perceptível é o desenvolvimento econômico do município.

Tribuna de Ituverava – Falando exclusivamente da região, até que ponto os indicadores responsáveis pelos atuais índices econômicos – e o conseqüente ranking regional – podem ser levados em consideração? O que mais podemos considerar para este ranking?

Golfeto – O fato é que, o centro de gravidade da economia paulista está se deslocando da capital rumo ao interior. Já esteve no interior, durante o 2º Império e, mesmo durante a República Velha (1889/1930), tomando o rumo da capital. Depois, da capital – cidade de São Paulo – direcionou-se para o interior, novamente. Já vivemos esta fase.

Mas o interior não tem tido desenvolvimento homogêneo. Quatro regiões têm-se destacado. São elas: o Vale do Paraíba, a região de Campinas, o nordeste paulista – nossa região – e a região de Sorocaba.

Se Ituverava e sua microrregião construírem boa estrutura de comunicação, de transportes, de saúde e de educação, poderão sair à frente, mais aceleradamente em relação a outras regiões do Estado.

Tribuna de Ituverava – Ituverava está há 35 quilômetros da divisa do Estado de Minas Gerais. Sua localização ajuda ou atrapalha para a instalação de novas indústrias no município? Por quê?

Golfeto – Ajuda e muito. Minas Gerais é um dos Estados que mais têm se desenvolvido economicamente. Por isso, é preciso pegar carona nesta expansão e ganhar velocidade com a força da inércia.

Tribuna de Ituverava – Como o sr. analisa a economia da Alta Mogiana? Quais são as tendências para a nossa região? Ela tende a crescer nos próximos anos? Por quê?

Golfeto – Acredito que a economia desta região tende a crescer porque boa parte do PIB nasce do agronegócio, sobretudo dos produtos obtidos a partir da cana-de-açúcar, que é fato em nossa região. Mas é preciso diversificar a produção e atrair indústrias mostrando que a produção, na região, tem custos menores. É preciso, sobretudo, construir esta realidade.

Tribuna de Ituverava – De que forma concreta, os pacotes econômicos lançados pelo governo surtiram efeito na vida dos brasileiros? A expressão “evitar a recessão” já pode ser empregada? Em sua opinião, tais medidas vão evitar este quadro?

Golfeto – Acho que os pacotes econômicos lançados pelo governo surtiram muito pouco efeito. Na verdade, quase nada! A sociedade brasileira está se ressentindo de um Estado – nos três níveis – muito pesado. Muita gente com privilégios que, na esfera política, dificultam o estabelecimento da democracia – baseada na igualdade entre as pessoas – e, na esfera econômica, pesando para empresas e trabalhadores do setor privado.