A presidente Dilma Rousseff, anunciando plano de privatizaçãoDifícil trafegar, difícil transportar mercadoria. São rodovias mal conservadas e com apensa uma mão de tráfego. Estão assim nove estradas consideradas essenciais para o país, e que cruzam sete Estados e o Distrito Federal.
Para tentar solucionar esta delicada e importante questão, a presidente Dilma Roussef anunciou pacote de concessões de infra-estrutura que pretende, em cinco anos, dobrar a expansão das rodovias e ferrovias do país.
São estradas que o governo vai entregar para a iniciativa privada. As empresas ficarão responsáveis pela duplicação e manutenção de 7,5 mil quilômetros de estradas, o dobro do que existe hoje. O BNDES pode financiar até 80% do investimento e ganha a concessão quem cobrar o pedágio mais barato.
Serão R$ 133 bilhões de investimentos, incluindo também a construção de 10 mil quilômetros de estradas de ferro. Serão 12 novas ferrovias, que ligarão oito portos, como Salvador, Santos e Rio Grande do Sul, que também transportarão passageiros. Vencem as empresas que oferecerem a menor tarifa.
Empresários
Os maiores empresários do país foram chamados para o anúncio do pacote, em Brasília. “Esse mega pacote é um espetáculo para o Brasil. É um kit felicidade para o Brasil”, afirma o empresário Eike Batista.
“Isso para esse momento é extremamente importante o que está se fazendo. Daqui a dois, três anos talvez tenhamos que fazer mais”, afirma o empresário Jorge Gerdau.
Em 2007 foi lançado um plano de concessão de rodovias, no governo do presidente Lula. A maior parte das obras não se concretizou, lembra o PSDB. “Um novo pacote é anunciado de forma espetaculosa e nós não imaginamos quais serão as conseqüências desse anúncio”, afirma o senador Álvaro Dias.
“Pacote não é privatização”,afirma a presidente Dilma
O PSDB ainda alfinetou a decisão do governo de aderir a uma idéia que já chegou a ser rejeitada pelo PT: a privatização. “Nós, aqui, não estamos desfazendo de patrimônio público para acumular caixa ou reduzir dívida. Nós estamos fazendo parceria para ampliar a infra-estrutura do país, para beneficiar sua população e seu setor privado, para saldar uma dívida de décadas de atraso em investimentos em logística, e, sobretudo, para assegurar o menor custo logístico possível, sem monopólios”, explica a presidente Dilma Rousseff.
Pela previsão do governo, na prática, a duplicação das rodovias e a construção das ferrovias começam no ano que vem. Mas a cobrança de pedágios nas estradas só poderá ser feita quando 10% das obras estiverem prontas.
Nova estatal
Uma nova estatal, a Empresa de Planejamento e Logística, passa a ser a responsável pela malha de transportes do Brasil. “Temos que melhorar as condições de circulação nas rodovias para diminuir o custo do transporte rodoviário. Com rodovias melhores, os caminhões circulam mais rápido e produzem mais e o frete fica mais barato”, afirma Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento e Logística.
Essas obras, segundo o governo, complementam o PAC – o Programa de Aceleração do Crescimento – e na semana que vem deve ser anunciada a concessão de portos e aeroportos.
Empresário ituveravense diz que qualquer ação na área é bem-vinda
Para o engenheiro industrial e administrador de empresas, Luiz Eduardo de Branco, que é diretor da Indústria Santa Maria – empresa ituveravense que atua em todo o Brasil –, a ação do governo vem com muito atraso.
“Os noticiários informam constantemente de congestionamentos nas estradas, portos entupidos de navios e caminhões, e falta de locais de armazenamento, etc. Todos nós sabemos que os resultados do Agronegócio só não são melhores devido os sérios problemas de logística do país”, afirmou o empresário, que também é professor do curso de Administração, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ituverava (FFCL).
Infra-estrutura
Eduardo de Branco ressalta que o investimento em infra-estrutura é um dos principais fatores do grande desenvolvimento da China, nos últimos anos. “O chamado ‘Apagão Logístico’ é agravado pelas constantes greves da Policia Federal, Anvisa e Policia Rodoviária. A meu ver, o Ministério dos Transportes promoveu uma ‘grande faxina’ no ano passado, mas que pouco ajudou a mudar os constantes erros cometidos no passado. O pacote relata a concessão para iniciativa privada, que nada mais são as chamadas privatizações do governo FHC, muito criticado pelo PT”, complementou Branco.
O empresário ituveravense finaliza. “Qualquer ação para destravar o Brasil é bem-vinda. O sistema de logística no país está falido e é o maior responsável por perdas em toda cadeia produtiva. Conclusão: a privatização de rodovias e portos chega como importante solução para o problema, seguido de maior utilização de ferrovias e hidrovias pouco exploradas no país”, conclui.