A médica ituveravense Ana Augusta de Sousa Barbosa Barcelos, o marido Rodrigo Barcellos e o casal de Franca, Ricardo Panizza e Ana Carolina GuimarãesOs Jogos Olímpicos têm a nobre missão de propor o congraçamento dos povos, através do Esporte. Estão, sem dúvida, entre os principais espetáculos da Terra, acompanhado por milhões de pessoas, de todos os cantos do mundo, através dos meios de comunicação. Mas sorte é quem tem a oportunidade de assistir ao vivo.
A médica ituveravense Ana Augusta de Sousa Barbosa Barcelos foi uma destas pessoas. Radicada em Portugal há vários anos, ela foi às Olimpíadas de Londres, acompanhada do marido Rodrigo Barcelos e do casal francano Ricardo Panizza e Ana Carolina Guimarães.
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, a oftalmologista relata sua experiência de participar dos Jogos Olímpicos. Ela fala, por exemplo, do excelente apoio ao turista, oferecido pelos britânicos, e sobre o Exército inglês, que auxiliava na orientação de turistas.
“Aliado a este serviço de apoio, contava também com a simpatia e educação do povo inglês. Não podemos dizer que sejam como os brasileiros em termos de calor humano, mas a educação e prestatividade estão muito acima da média. Foi a educação e predisposição dos britânicos que fez com que o ambiente se tornasse ainda mais acolhedor”, afirma a ituveravense.
Filha de Valmira Abadia de Sousa Barbosa e de José Otávio Barbosa, Ana Augusta reside em Lisboa, onde trabalha como oftalmologista no Hospital da Luz. Ela é casada com o publicitário Rodrigo Barcellos. Ana Augusta é irmã da advogada Ana Laura de Sousa Barbosa Almeida, casada com o médico Eduardo Eustáquio de Almeida Filho, que tem os filhos Paulo Eduardo e Lucas.
Leia, abaixo, a íntegra da entrevista, concedida via e-mail:
Tribuna de Ituverava – Você foi às Olimpíadas de Londres. Quem a acompanhou? Em quais eventos esteve presente? Você acompanhou quais competições?
Ana Augusta – Fui aos Jogos Olímpicos de Londres entre o dia 31 de Julho e 10 de Agosto. Fui acompanhada do meu marido Rodrigo Barcelos e de um casal amigo de Franca, Ricardo Panizza e Ana Carolina Guimarães.
Durante este período, tivemos a oportunidade de assistir uma partida de Vôlei de quadra masculino (Brasil x Rússia), ainda na fase de classificação; um jogo de Vôlei de Praia masculino (Brasil x Alemanha) ainda na fase de classificação; a semifinal do Futebol Feminino entre França e Japão, no estádio de Wembley; e o jogo Brasil x Coréia do Sul, na semifinal do futebol masculino, na cidade de Manchester.
Ainda assistimos a definição da Medalha de Bronze e final do Vôlei de Praia Masculino, onde o Brasil, representado pela dupla Alyson e Emanuel, ficou com a prata.
Tribuna de Ituverava – Como foi a recepção dos ingleses? Você sentiu algum tipo de frieza no tratamento britânico?
Ana Augusta – Os jogos transcorreram da melhor forma possível. No dia-a-dia dos Jogos Olímpicos, a organização colocou em pontos estratégicos da cidade – estações de metrô, lugares turísticos de grande circulação e mesmo nas paradas de ônibus – tendas onde o turista podia tirar dúvidas sobre como chegar ao evento, onde almoçar, etc.
Todos os “staffs” de apoio aos jogos foram extremamente prestativos e funciona de uma forma prática ajudando e facilitando a vida do turista. Aliado a este serviço de apoio, estava toda simpatia e educação do povo inglês. Não podemos dizer que sejam como os brasileiros em termos de calor humano, mas a educação e prestatividade estão muito acima da média. Foi esta educação e predisposição que fizeram com que o ambiente se tornasse ainda mais acolhedor.
Para se ter uma idéia, a Organização do evento sofreu, de última hora um ‘revés’. A empresa contratada para fazer a segurança não garantiu os efetivos acordados. Por isso, o Exército foi chamado a fazer a segurança do evento e foi o mais exemplar possível.
Passávamos pelos soldados a qualquer hora do dia e eles perguntavam se estava tudo bem, se podiam ajudar e nos desejavam sempre “um bom dia de jogos”. Os soldados eram sempre muito educados, e estavam sempre desarmados – porque os ingleses orgulham-se da sua polícia convencional não utilizar armas e o exército também seguiu esta regra – e isso ajudou a fazer o ambiente mais seguro e tranqüilo.
Já a venda dos ingressos não correu tão bem. Era possível apenas comprá-los pela internet. Entretanto, com o avanço das plataformas móveis –qualquer pessoa possui um smartphone ou tablet com ligação a internet –, o site de venda ficou congestionado e, quase sempre, estava inoperante, o que dificultava a aquisição.
Outra coisa que dificultou muito a aquisição foi o fato de muitos ingressos terem sido reservados para patrocinadores. Com isso, muitos lugares ficavam vazios.
Tribuna de Ituverava – Em sua opinião, como foi o desempenho do Brasil, nas Olimpíadas de Londres?
Ana Augusta – Em minha opinião, modesto. Um país que se orgulha de ser a sétima economia do mundo não pode ficar na 23ª posição do quadro de medalhas. Não é uma questão apenas de investimento, mas sim de mentalidade.
Como perdemos a final do Vôlei de Quadra masculino, com dois macth points a nosso favor? Como podemos perder a final do Vôlei de Praia masculino, depois de estarmos empatados e recuperar um match point desfavorável? Como podemos ter sido eliminados no Futebol Feminino quando éramos favoritos? Como ter perdido a final do Futebol Masculino depois de uma campanha exemplar?
São perguntas que devem ser refletidas pelas as autoridades esportivas do país, pois é bom lembrar que as Olimpíadas de 2016 serão no Rio de Janeiro, e não haverá espaço para novas decepções.
Tribuna de Ituverava – E a que você credita isso?
Ana Augusta – Em minha opinião, tudo se resume à mentalidade. Os anglo-saxões, nórdicos e orientais fazem uma preparação mental que o povo latino ainda não conseguiu atingir.
O controle emocional nos momentos de decisão é algo com que os atletas brasileiros não sabem lidar. Os resultados são muitas vezes as frustrações de não termos ido um pouco mais longe.
Não bastar chegar à final: é preciso saber ganhá-la, e isso, sobretudo, nos esportes coletivos, onde o Brasil leva vantagem, como vôlei e futebol, pois é algo que nos falta.
O Basquete poderia ter ido mais longe. A Natação poderia ter ido melhor? Sim poderia. Chegar com o nadador favorito para os 100 e 50 metros livres e sair apenas com uma medalha de bronze é um pouco frustrante. Talvez se houvesse mais concentração na água e menos na mídia, os resultados teriam sido outros. Festas e desfiles de moda sempre atrapalham quem trabalha com os milésimos de segundo.
Há quanto tempo não participamos nos revezamento 4 x 100 de forma competitiva na Natação e no Atletismo?
Enfim, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para que as medalhas de bronze virem prata e as de prata virem ouro.
Tribuna de Ituverava – Qual é sua expectativa para as Olimpíadas do Rio, em 2016?
Ana Augusta – A melhor possível. Tenho a certeza que os Jogos do Rio serão os melhores de sempre, mas é preciso trabalhar para que isso aconteça realmente.
A língua será um fator preponderante. É preciso que os táxis, a rede hoteleira, a própria população do Rio esteja mais familiarizada com a língua inglesa, porque, com certeza, os turistas não irão falar português.
Temos de preparar melhor nossos atletas, não só fisicamente, mas também emocional e mentalmente, pois o embate psicológico é um fator muito importante numa competição de alto nível.
Além disso, muita coisa tem de ser feita, a começar para estrutura dos nossos Aeroportos, da rede hoteleira, dos meios de transporte (principalmente, aumentar as linhas do metrô), sem contar a segurança da cidade hospedeira.
No mais, acredito que somos capazes, porque somos! Pois temos muitos pontos positivos, a nosso favor: a simpatia, o carisma e a hospitalidade do povo brasileiro, o que é inigualável!