O menino Gustavo Pinheiro LopesUm caso de falecimento de uma criança de 2 anos e cinco meses, ocorrido na manhã de terça-feira, dia 28 de agosto, emocionou população de Ituverava.
O garoto Gustavo Pinheiro Lopes foi levado à Santa Casa de Ituverava, apresentando quadro de vômito, febre alta e falta de ar.
“A médica que estava de plantão nos atendeu e disse que não havia necessidade de internação, afirmando que a falta de ar era uma conse- qüência da catapora, que havia aparecido um dia antes”, disse o pai da criança, o motorista Daniel Nascimento Lopes da Silva, 29 anos.
“Gustavo foi medicado, voltamos para casa e ele dormiu. Como estávamos cansados, também dormimos. Porém, quando minha esposa acordou, notou que ele estava frio e não respirava. Imediatamente o levamos para a Santa Ca-sa, onde os médicos constataram que tinha tido a primeira parada cardiorrespiratória. Eles ainda tentaram reanimá-lo, mas ele não resistiu”, completou o pai.
De acordo com a certidão de óbito, a causa da morte foi insuficiência respiratória, pneumonia e varicela (catapora).
Catapora
Gustavo estava com catapora. Ele foi uma das vítimas do surto que ocorre na creche onde estava matriculado, no Alto da Estação. “Que fique claro que ele não faleceu decorrente da catapora, mas de pneumonia, de acordo com informações oficiais da Santa Casa de Ituverava”, disse o secretário municipal de Saúde, Sérgio Renato Macedo Chicote.
A Tribuna de Ituverava procurou a administradora da Santa Casa de Ituverava, Cláudia Maria Carreira Frata, que afirmou que o hospital deve abrir Sindicância para apuração dos fatos. “Vamos abrir um processo para apuração do problema. O caso será minuciosamente investigado e, dependendo do resultado, tomaremos as medidas necessárias”, finalizou.
Alunos de creche são acometidos por catapora
Trinta e duas crianças assistidas pela creche Laudelina Efigênia da Silva, no Alto da Estação, foram acometidas por catapora, nas últimas três semanas. A informação foi confirmada na última quarta-feira, pelo secretário municipal de Saúde, Sérgio Renato Macedo Chicote.
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, o secretário Chicote afastou a hipótese de surto da doença nas creches do município. Segundo ele, o que tem ocorrido são casos esporádicos.
“Embora sejam muitos, o número de casos não caracteriza exatamente um surto de catapora. A doença acometeu somente crianças daquela creche. É claro que alguns casos também foram registrados, em algum outro local do município, mas são comuns da época”, disse Chicote.
O secretário também afirmou que a vacinação já está sendo feita. “Ao comunicarmos a Diretoria Regional de Saúde, o órgão nos enviou 100 doses de vacinas contra a doença. Elas vão imunizar as crianças da creche”, afirmou o secretário.
Chicote finalizou dizendo que a secretaria da Saúde segue as orientações da DRS. “Outras medidas já foram tomadas. As equipes dos postos de atendimento do Programa Estratégia da Saúde, por exemplo, já estão orientando pais sobre medidas preventivas contra a doença”, concluiu o secretário municipal de Saúde.
Prevenção é a melhor forma de evitar contágio da doença
Uma das formas mais eficientes de se prevenir da catapora (e as possíveis complicações decorrentes da doença) é manter os cuidados básicos de higiene, especialmente manter as unhas bem aparadas e limpas, o impede a contaminação das feridas.
Para evitar a manifestação e possíveis surtos da doença, outros fatores e medidas preventivas devem ser levados em conta, principalmente quando já houver ocorrências na localidade, seja em casa, no trabalho, na escola ou creche. São eles:
* Vacinar as crianças contra a catapora no primeiro ano de vida. Os adultos que não receberam a vacina quando crianças também devem ser vacinados
* Evitar contato direto com pessoas doentes
* Não coçar as lesões para evitar infecções por bactérias
* Lavar as mãos após tocar nas lesões, que são potencialmente infecciosas. O álcool em gel é aconselhável
* Não arrancar as crostas que se formam quando as erupções regridem
* Manter o paciente em repouso enquanto houver febre
* Oferecer ao doente alimentos leves e muito líquido
* Manter o paciente em isolamento – pessoas diagnosticadas com varicela só devem retornar à escola ou trabalho depois que todas as lesões tenham evoluído para crostas. É muito importante que elas não fiquem expostas, sob nenhuma hipótese, em meio a aglomerações ou festas. Pessoas imunodeprimidas, ou que apresentam curso clínico prolongado, só deverão retornar às atividades após o término das erupções.
Catapora pode ser transmitida por diversas maneiras
Causada pelo vírusti varicela-zoster, a catapora ou varicela, pode ser transmitida por um indivíduo doente, através do ar (espirro, tosse, gotículas de saliva) ou pelo contato direto com as lesões, sendo que a infecção confere imunidade permanente ao indivíduo infectado.
A catapora manifesta-se basicamente como um exantema vesiculoso (erupções rosadas na pele), pruriginoso (causa coceira) e generalizado (por todo o corpo), acompanhado de febre baixa (entre 37,5° e 39,5°). Também é comum surgir dor de cabeça, mal-estar, falta de apetite e cansaço.
Vacina será incluída no calendário de vacinação do próximo ano
Apartir de agosto de 2013, o Sistema Único de Saúde (SUS) irá incluir em seu calendário a vacinação contra a catapora.
A medida é fruto de uma parceria firmada entre o Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o laboratório britânico GlaxoSmithKline (GSK).
O convênio prevê a transferência de tecnologia para que o Brasil passe a produzir a vacina tetra viral, que abrange a imunização contra quatro doenças: a varicela, mais conhecida como catapora, e também caxumba, rubéola e sarampo, já inclusas na vacina tríplice viral que integra o calendário público de vacinação desde 1992.
Atualmente, a vacina contra catapora só está disponível em dose separada na rede pública e apenas em épocas de surto ou campanhas govenamentais. De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anualmente, mais de 160 pessoas morrem de varicela e quase 11 mil pessoas são internadas por causa da doença.