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Exame clínico feito em cães, em hospital veterinário da Fafram, pela veterinária Valéria
10/09/2012

COMO AGIR QUANDO SEU CÃO TEM UMA CONVULSÃO


Crise pode acusar muitas doenças; nessa hora de tanto tremor, veja como agir

Para alguns bichos, não precisa muito para o cérebro entrar em pane. Basta um susto provocado por rojões, trovões ou uma superagitação dentro de casa para que o animal sofra uma intensa descarga elétrica na massa cinzenta. Daí, apresenta um quadro triste: ele começa a tremer, salivar e se comportar de maneira assustadora. Essa é a descrição de uma crise convulsiva.

Por trás da reação, há uma série de causas — um trauma na cabeça, uma intoxicação por produto químico, a falta de glicose no sangue, mais freqüente em filhotes e cães diabéticos, ou ainda um tumor cerebral ou uma doença congênita como a epilepsia. O pior, segundo o veterinário Paulo Salzo, é que não há jeito de prever uma crise, porque não há exames que detectam isso antecipadamente.

Em Ituverava, o número de casos de cães com convulsões está dentro da normalidade. “Em média, atendemos de 4 ou 5 casos por mês. Entretanto, é muito comum o proprietário não identificar uma crise convulsiva no animal, e por isso, acreditamos que o número de ocorrências pode ser maior”, explica a médica veterinária Valéria Fardin, do Hospital-Escola da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram).

Valéria – que é formada pela Unifran, em 2004, e possui especialização Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais – aponta várias causas para as crises convulsivas. “Podemos apontar a epilepsia idiopática – que não sabemos a causa ainda –, a epilepsia causada por estresse, neoplasias do sistema central, hepatopatias, entre outros fatores, inclusive distúrbios freqüentes como o diabetes”, afirma.

Diagnóstico
A veterinária enfatiza que, para se descobrir se o animal teve ou não uma crise convulsiva, o proprietário deve levá-lo a um profissional da área, assim que ele apresentar algum dos sintomas descritos. “Lá, o veterinário elabora um histórico da saúde do animal, através de perguntas ao proprietário. Também podem ser realizados exames como ultrassonofias e ressonâncias. Só assim, podemos afirmar com certeza que houve a crise”, diz.

“Lembre-se também de relatar se o bicho comeu algo diferente, se ingeriu algum produto químico, se levou um tombo... Toda informação é preciosa, nesta hora”, complementou a veterinária do Hospital-Escola da Fafram.

Algumas raças têm maior predisposição à convulsões
Raças como pastor alemão, poodle, labrador, pit bull e husk siberiano têm maior predisposição à epilepsia. Para ajudar no diagnóstico, vale tentar ver se os pais do seu cachorro não eram epiléticos, já que a doença é hereditária.

Descartada essa hipótese específica, a crise pode alertar para outros males. E, aí, vários exames são necessários. Os de sangue, por exemplo, podem acusar uma hipoglicemia.

“Seja qual for a causa, o tratamento desse transtorno tem que começar pelo uso de anticonvulsivantes, remédios que irão normalizar as ondas cerebrais e que existem na forma de comprimidos, xaropes ou gotas. A escolha, no caso, dependerá da aceitação do animal”, explica o veterinário Marcelo Quinzani, do Hospital Veterinário Pet Care, em São Paulo.