Informações pessoais na internet podem causar prejuízos aos usuáriosInternautas desatentos da rede mundial de computadores correm risco de serem vítimas de roubos e práticas ilícitas
Hoje em dia, é normal... Ao sentar na frente do computador, a maioria dos usuários despeja uma série de informações pessoais na internet – seja nos chats de bate-papo ou em páginas de serviços de compra e venda, ou mesmo nos comunicadores de redes sociais. Porém, este ingênuo ato pode custar caro para quem o pratica.
Antes de culpar as redes sociais pela falta de privacidade, o usuário deve analisar – e, sobretudo, mudar – sua conduta na frente do computador. Afinal, acreditar que as configurações de segurança são infalíveis é uma postura um tanto ingênua em tempos de roubo de senhas online e brechas de segurança constantes.
O pior de tudo é que as pessoas ainda insistem em práticas que colocam a sua integridade e de seus familiares totalmente em risco, até porque, não são poucos os criminosos que já perceberam o potencial de informações que a internet proporciona. Essa falta de cuidado pode facilmente fazer com que criminosos descubram os interesses das pessoas, localização, movimentos e se estão fora de casa.
Planos na internet
Cerca de quatro em cada dez pessoas que usam sites como “Facebook” e “Twitter” postam coisas específicas sobre planos para feriados e um terço faz atualizações durante seus passeios num final de semana.
A conclusão é do relatório Digital Criminal, produzido pela companhia britânica “Legal & General”, que adiciona a isso o fato de que é grande o número de pessoas que aceitam ser “amigas” online de estranhos, as quais com o acesso facilitado às informações pessoais faz aumentar o risco de ser alvo de algum criminoso.
De 100 requisições de amigos ou seguidores partidas de estranhos, 13% foram aceitas no “Facebook” e 92% no “Twitter”, sem qualquer tipo de checagem. Além disso, 17% dos usuários pesquisados para o estudo disseram que possuem seus endereços residenciais postados nestas páginas e pessoas estranhas teriam acesso a esses dados.
Defesa do Consumidor
O coordenador-geral de Supervisão do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça, Danilo César Doneta, destacou que a sociedade deve estar atenta ao problema da proteção de seus dados pessoais na Rede. “Na internet, você tem que estar atento que, ao utilizar um serviço gratuito de uma empresa, você é o produto a ser vendido”, disse.
Em audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor sobre a nova política de privacidade do Google, ele afirmou o anteprojeto de lei de proteção de dados pessoais deverá ser encaminhado à Câmara dos Deputados em breve.
Formulado em 2010 pelo DPDC, o texto foi levado à consulta pública no ano passado, gerando mais de 800 contribuições. “Atualmente, o texto está em fase final de redação, para ser encaminhado ao Legislativo”, informou.
De acordo com Doneta, há uma lacuna na legislação para a proteção de dados pessoais do cidadão no Brasil. “O cidadão deve ser sempre considerado titular e proprietário de seus próprios dados”, disse. “As garantias em relação ao tratamento de dados pessoais pelas empresas no País não são semelhantes às de outros países”, complementou.
Próximo de ser concluído, o anteprojeto de lei de Proteção de Dados Pessoais prevê a criação da “autoridade de garantia”, que ficará responsável pela proteção dos dados e executará a política pública do setor de internet. A proposta, elaborada pelo Ministério da Justiça, já passou por consulta pública e deverá ser enviada à Casa Civil. A expectativa é de que seja encaminhada ao Congresso ainda este ano.