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Mesmo com auxílio, próxima safra já está prejudicada, dizem produtores. Falta de mercado para a laranja nas indústrias provocou recessão.
26/09/2012

CITRICULTORES TENTAM REVERTER CRISE COM LEILÕES DO GOVERNO FEDERAL




Produtores de laranja da região de Ribeirão Preto (SP) se preparam para participar de uma série de leilões promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a partir desta sexta-feira (28) para reverter a crise do setor provocada pela falta de demanda nas indústrias de suco. A medida do Governo Federal é vista pelos agricultores como um incentivo para reduzir prejuízos, mas não garante que investimentos para a próxima safra sejam retomados ao mesmo nível deste ano.

Parte de um pacote de R$ 120 milhões do Ministério da Agricultura que visa estimular o preço e a produção de laranja, os leilões serão exclusivos para a comercialização de aproximadamente 40 milhões de caixas da laranja produzidas em São Paulo e Minas Gerais.

“Esse prêmio não vai resolver o problema do produtor, mas com certeza vai ajudá-lo a passar por essa crise”, afirmou Marco Antonio dos Santos, presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga (SP), um dos municípios da região mais afetados pela crise que decretou a perda de parte da safra 2012/2013 e a demissão de 40 mil trabalhadores das lavouras nos pomares paulistas.

O produtor rural Walter Valério Neto, também de Taquaritinga, espera vender pelo menos 30% de sua atual produção nos leilões, mas está certo de que a próxima safra já está prejudicada. Segundo ele, o retorno financeiro não será suficiente para compensar os gastos com fungicida e adubação. “A gente não vai mais investir em cima disso. Não tendo remuneração não tem como tratar o pomar de acordo”, disse.

Crise

A crise na citricultura foi provocada por sucessivas safras com produção acima da capacidade de processamento das indústrias de suco. Enquanto o mercado é capaz de absorver, em média, 247 milhões de caixas de laranja por ano, as lavouras produziram 428 milhões e 365 milhões de caixas respectivamente em 2011 e 2012, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBr).

Outro fator que contribuiu foi a queda do consumo mundial de suco concentrado de 2,7 para 2 bilhões de toneladas, resultante da concorrência com bebidas como isotônicos e águas saborizadas. Além disso, a crise econômica na Europa e as restrições dos Estados Unidos ao Carbendazim - agrotóxico aplicado nas lavouras brasileiras - prejudicaram as vendas.

Protestos

Para pedir ações de incentivo das autoridades, produtores rurais da região organizaram manifestações, nas quais distribuíram laranja em escolas e jogaram suco fora. Antes do pacote do Ministério da Agricultura, o Governo do Estado de São Paulo havia anunciado a compra de parte da produção para a merenda escolar e a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do suco de laranja de 18% para 12%.

Fonte: g1.globo.com