POLϿ�TICA

Somados, os dois partidos conseguiram quase meio bilhão de reais, diz levantamento da ONG Contas Abertas
27/09/2012

PMDB E PT LIDERAM A ARRECADAÇÃO DE CAMPANHAS NESTAS ELEIÇÕES




Com o maior número de candidatos a prefeito e a vereador nas eleições municipais deste ano, o PMDB foi o partido que mais arrecadou dinheiro para suas campanhas pelo país. Foram R$ 251,1 milhões em doações, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compilados pela ONG Contas Abertas. Os valores consideram a arrecadação de candidatos e comitês financeiros do PMDB, além do próprio partido, até o dia 6 deste mês. Não muito distante, o PT foi o segundo que mais recebeu doações: R$ 236,4 milhões.

Apesar de ter aberto mão de liderar chapas nas capitais, o PT tem o segundo maior número de postulantes nas eleições, além de ter a candidatura mais cara para prefeito do país, a de Fernando Haddad, em São Paulo. A dupla PMDB e PT arrecadou, no total, R$ 487,5 milhões em dois meses.

O levantamento da ONG Contas Abertas mostra ainda que as campanhas para prefeito e vereador de 28 partidos arrecadaram, somadas, R$ 1,68 bilhão até o início do mês, quando o TSE informou a segunda parcial das contas dos candidatos. Os valores envolvem doações de pessoas físicas e empresas. Esses recursos continuam sendo captados e devem crescer ainda mais até o fim das eleições municipais.

O terceiro partido que mais arrecadou foi o PSDB, com R$ 181,7 milhões. A maior parte desse dinheiro tem sido destinada à campanha do candidato a prefeito José Serra, em São Paulo. Já o PSB, do governador pernambucano Eduardo Campos, recebeu R$ 152 milhões, em quarto lugar entre os partidos que mais arrecadaram. Um novato nas eleições chama atenção: o PSD, do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Com R$ 100 milhões recebidos em doações, o partido ficou à frente do DEM (R$ 99,5 milhões) e do PP (R$ 93,1 milhões) nas doações recebidas.

Dos valores doados, R$ 232,6 milhões foram aos diretórios de partidos. Outros R$ 208,8 milhões para comitês financeiros e R$ 1,2 bilhão diretamente para candidatos.

Como mostrou O GLOBO na semana passada, o PMDB foi o partido que mais gastou recursos com seus candidatos: R$ 98,7 milhões. No total, os gastos dos partidos chegaram a quase R$ 1 bilhão em dois meses de campanha.

Empreiteiras são as maiores financiadoras

Doze empreiteiras estão entre os 30 maiores doadores individuais de recursos para campanhas a prefeitos e vereadores no país. Essas construtoras doaram R$ 83 milhões para partidos e candidatos até o início de setembro. Outras três empresas da lista são bancos e mais três oferecem serviços de coleta de lixo. Os dados foram levantados pela ONG Contas Abertas com base na segunda prestação de contas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O maior financiador individual de campanha do país é a construtora Andrade Gutierrez, que doou sozinha R$ 23,08 milhões para partidos. Esse valor foi distribuído entre PMDB (R$ 7,5 milhões), PSDB (R$ 5,3 milhões) e PSD (R$ 3,7 milhões). Outros 11 partidos receberam o restante. Como o valores foram doados aos diretórios dos partidos, e não diretamente aos candidatos, não é possível saber exatamente quem foi o beneficiado.

Outras construtora com destaque na lista é a OAS, que financiou campanhas eleitorais em R$ 22,8 milhões, sendo R$ 1 milhão apenas para a campanha de Fernando Haddad (PT) a prefeito de São Paulo. Também na relação estão gigantes como Queiroz Galvão (R$ 7,2 milhões), WTorre Engenharia (R$ 4,2 milhões) e Norberto Odebrecht (R$ 2,9 milhões).

Entre os bancos, o destaque fica para o Alvorada, ligada ao Bradesco. O banco foi o terceiro maior doador, com R$ 7,7 milhões. O BMG doou R$ 7,1 milhões. Procuradas, as empresas não comentaram ou limitaram-se a informar que as doações foram realizadas dentro da legislação.

Especialistas veem pouca transparência

Mesmo com os avanços no acompanhamento e na transparência das prestações de contas eleitorais, as chamadas doações ocultas — que são legais, mas que não permitem identificar os candidatos beneficiados pelos recursos doados por empresas — seguem preocupando especialistas.

Segundo Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas, o mecanismo funciona da seguinte forma: os financiadores de campanhas transferem dinheiro para as contas dos partidos, sem identificar os candidatos que receberão as quantias. Os partidos distribuem então o dinheiro para os políticos nas eleições, mas sem revelar a fonte dos financiamento.

— Sabemos que, na prática, quando a empresa doa dinheiro ao partido, ela informalmente diz para qual candidato ele deverá ser repassado. Não é à toa que as empresas preferem doar aos partidos, e não diretamente aos candidatos — explica Castello Branco.

Para o especialista, o TSE precisa criar mecanismos para acabar com as doações ocultas, mesmo que isso contrarie doadores, partidos e candidatos.

— O eleitor tem o direito de não querer votar em um candidato que recebe financiamento de uma empresa de cigarro, ou fabricante de armas, por exemplo. Isso hoje é difícil de ser identificado — explica.

Especialistas reconhecem, no entanto, que houve avanços nas prestações de contas eleitorais. Neste ano, pela primeira vez, os candidatos estão sendo obrigados a informar suas arrecadações e despesas parciais, mês a mês, o que antes apenas facultativo.

Fonte: oglobo.globo.com