BRASIL

Categoria decidiu se manter em estado de greve até o próximo dia 24. Governo de SP terá até esta data para apresentar proposta de conciliação.
03/10/2012

METROVIÁRIOS DE SP ATENDEM JUSTIÇA DO TRABALHO E SUSPENDEM PARALISAÇÃO




Os metroviários de São Paulo decidiram atender pedido do Tribunal Regional Trabalhista (TRT) e suspenderam por 20 dias a paralisação da categoria que estava prevista para esta quinta-feira (4) na capital. A decisão foi tomada em assembleia na sede do sindicato da categoria, no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo, no início da noite desta quarta-feira (3).

Em reunião com representantes do sindicato e da empresa nesta terça-feira, o juiz do Trabalho pediu aos sindicalistas que suspendessem a greve por 20 dias para que houvesse tempo para ser formulada uma proposta de conciliação. Por isso, os metroviários decidiram permanecer em estado de greve até o próximo dia 24. Se não for feita qualquer proposta por parte do governo do estado neste período, a categoria deverá voltar a cogitar a possibilidade de interromper as atividades.

Na próxima terça-feira (9), os metroviários irão distribuir panfletos aos usuários do Metrô para explicar os motivos do movimento. E a partir do dia 18 de outubro, os funcionários do Metrô passarão a usar um colete como forma de protesto.

Decisão judicial
A Justiça do Trabalho já havia determinado que a categoria mantivesse 100% da frota em operação em horários de pico, entre 6h e 9h e das 16h às 19h, caso decidissem pela greve. A liminar foi concedida na segunda (1º), atendendo a pedido do Metrô. Nos demais períodos, a operação deveria ser de 90%.

Em caso de descumprimento da decisão judicial, o sindicato receberia multa diária de R$ 100 mil. Em seu despacho, a desembargadora Rilma Aparecida Hemetério argumenta que “percentual inferior importaria em sérios transtornos aos usuários, em especial aos trabalhadores”.

No fim da tarde de terça-feira, os sindicalistas fizeram ato público na estação da Sé, no Centro. Secretário de comunicação do Sindicato dos Metroviários, Ciro Moraes confirmou que quer aproveitar o momento eleitoral para obter conquistas para a categoria. "Evidentemente que estamos aproveitando o momento eleitoral, senão eles [do governo] não se sensibilizam", declarou.

Em comícios com o candidato do PSDB à Prefeitura José Serra, no fim de semana, o governador Geraldo Alckmin manifestou seu estranhamento com o fato de a greve ter sido convocada para as vésperas do pleito, que acontece em 7 de outubro.

Os trabalhadores reivindicam divisão igualitária da Participação nos Resultados. O sindicato afirma que a empresa quer manter a distribuição de forma proporcional ao salário e que metroviários com cargos mais altos, como os engenheiros, passaram a receber uma fatia maior do bolo.

A Companhia do Metropolitano, porém, afirma que não se nega a negociar. Em nota, afirma que tem “a melhor média salarial do estado - R$ 4.060,00 - além de uma extensa lista de benefícios oferecidos a todos os empregados, como uma das melhores assistências médicas do país, auxílio-creche-educação até os 7 anos de idade e participação nos resultados”.

Maio
No fim de maio, os metroviários e trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) decidiram cruzar os braços. Da 0h até o fim da tarde do dia 23 daquele mês, deixaram de circular trens de três linhas do Metrô e de duas da CPTM, causando transtornos no trânsito da capital.

A cidade registrou recorde histórico de congestionamento no período da manhã, naquela ocasião,com 249 km às 10h, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

À época, o governador Geraldo Alckmin havia classificado as motivações da greve no Metrô e na CPTM de "político-eleitoreira". O presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, rebateu a crítica e disse que a intenção do protesto não é prejudicar as pessoas. "A intenção não era prejudicar a população, tanto que lançamos ao governo o desafio de deixar a catraca livre", disse Altino.

Fonte: g1.globo.com