Juros do cartõa de crédito no país são os maiores da América LatinaA Taxa de juros do cartão de crédito no Brasil supera a de todos os países da América Latina, segundo estudo divulgado pela Proteste Associação de Consumidores. As taxas dessa modalidade continuam elevadas no País, apesar das recentes reduções da Selic (taxa básica de juros), que na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) chegou a 8%.
Conforme os dados levantados pela associação junto aos maiores bancos e financeiras do país, em junho a taxa média para o financiamento por meio do cartão de crédito, o chamado rotativo, estava em 12,77% ao mês, que corresponde a 323,14%.
De acordo com a pesquisa, o Brasil tem a maior taxa média de juros nas operações com cartão de crédito na comparação com seis países da América Latina: Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Venezuela e México.
O valor cobrado no Brasil é superior à soma de todas as taxas cobradas nos cartões de crédito nos seis países. O Peru, que aparece na segunda posição, cobra taxa média de 55% ao ano, e o Chile 54,24%. O menor percentual é da Colômbia com 29,23% anual.
Motivo do endividamento
Segundo a Sociedade Brasileira de defesa do Consumidor – Proteste, “os juros cobrados nas modalidades do crédito rotativo são uma das causas do crescente endividamento dos brasileiros”.
Para chegar a taxa anual de 323,14% no Brasil, foi realizado um levantamento durante o mês de junho deste ano. Ainda, essa taxa corresponde a 12,77%, em média, ao mês.
A média foi calculada com base nos valores cobrados pelos cartões dos seguintes bancos e financeiras: Itaú, Bradesco, Santander, HSBC, Banco IBI, Banrisul, Caixa Econômica Federal, Citibank, Losango, Panamericano, Banco do Brasil, Banco BMG e BV Financeira.
Colômbia: a menor Taxa
O estudo também revelou que entre os países da América Latina, a Colômbia possui a menor taxa de juros ao ano, de 29,23%. Na sequência aparece a Venezuela e o México, com taxas anuais de 33,0% e 33,8%, respectivamente.
“Na análise da Proteste o levantamento evidencia que as diferenças existentes entre os indicadores econômicos dos países relacionados não são significativas. Isto só reforça o exagero das taxas de juros praticadas com cartões de crédito no país. Caso a média anual dessas taxas fosse a metade, ainda seria maior que o dobro do segundo colocado, que é o Peru, com taxa anual de 55%”, explica a associação.
É natural que o consumidor que tem dívidas no cartão de crédito queira, o quanto antes, se livrar do problema. Mas de nada adianta negociar a dívida e acabar assumindo prestações que não cabem no bolso.
Confira, a seguir, cinco dicas para colocar em prática se perceber que sua fatura está virando uma bola de neve:
Pare de gastar
Ao primeiro sinal de que não vai conseguir pagar a fatura integralmente, deixe o cartão de crédito em casa e não faça mais compras com ele. "Se o consumidor continuar usando o cartão, a dívida vai virar uma bola de neve e vai ser mais difícil sair dela", diz a coordenadora institucional da associação de consumidores Proteste, Maria Inês Dolci
Avalie a proposta
Quando o consumidor paga o valor mínimo da fatura por alguns meses, é comum a administradora enviar para ele, automaticamente, uma proposta de parcelamento da dívida. Antes de aceitar essa proposta, analise com cuidado os valores e as chances de você conseguir arcar com aquelas parcelas. Nem sempre a oferta feita pelas empresas é interessante
Cancele o cartão
"As empresas têm interesse em negociar com o devedor, mas não são obrigadas a fazer isso", afirma a assistente técnica do Procon-SP, Marta Cassis. Ela diz que o ideal é, antes de mais nada, pedir o cancelamento do cartão, e depois enviar uma proposta de pagamento para a administradora. "Enquanto ele está ativo, elas não costumam negociar a dívida", diz Cassis.
Empréstimo
Pode ser interessante pedir um empréstimo no banco em que você tem conta e, com o dinheiro, quitar a dívida do cartão, diz a assistente técnica do Procon-SP, Marta Cassis. Dados da Anefac mostram que os juros do cartão de crédito são de 10,69% ao mês, enquanto o das linhas de empréstimo pessoal dos bancos é de 3,59%, em média
Questione
Se achar que os juros cobrados pela empresa estão altos demais, peça à administradora uma planilha com a evolução da dívida. Em caso de dúvida, questione a empresa. Se ainda assim você não entender como a dívida chegou àquele ponto ou não concordar com o valor, procure ajuda nos órgãos de defesa do consumidor, como o Procon.