A veterinária Larissa Fiod de Oliveira Mendonça, da clínica Casinha de CachorroO novo morador, tão esperado, chega à casa. É hora de receber o animal de estimação, que por vários anos deve acompanhar a família. A principal tendência é exagerar nos seus cuidados. No início, ele vive mais no colo que no chão.Esse comportamento é normal, desde que dosado.
Não se pode esquecer de que o cãozinho está em fase de desenvolvimento e de adaptação a uma nova situação de vida. Sendo assim, o proprietário deve lhe dar oportunidade de se desenvolver e, ao mesmo tempo, brecar uma possível "superdependência" da companhia de seus proprietários.
“Nos primeiros dias no novo lar, costumeiramente o cão chora à noite, fruto da falta da mãe e irmãos. Nessa fase, recomenda-se alguns procedimentos: O primeiro é colocar um relógio com ‘tic-tac’ sonoro, perto do animal (porém, sem que ele veja o relógio). O segundo é colocar, em volume bem baixo, músicas calmas (clássicas, por exemplo), ou em rádio AM (por causa das vozes)”, orienta a veterinária Larissa Fiod de Oliveira Mendonça, da clínica Casinha de Cachorro.
Segundo ela, algumas pessoas também tomam por procedimento colocar junto ao filhote uma bolsa de água quente. Este procedimento não é dos mais recomendáveis, por dois motivos: em pouco tempo a bolsa esfria, não surtindo mais o efeito desejado (o de simular o calor da mãe e irmãos); o cão pode, eventualmente, criar dependência desse procedimento.
Dependência
Mas e a dependência do relógio ou rádio? É mais difícil acontecer, pois música, vozes e barulhos são comuns no dia-a-dia; já a bolsa ficaria em contato com o animal, enquanto o rádio ou o relógio estará longe de seu alcance.
Larissa ressalta que, desde a chegada do animal, é importante estabelecer os lugares de alimentação, descanso, brincadeiras e higiene.
“É importante tomar alguns cuidados, como não deixar os potes de comida e água perto do local estabelecido como ‘banheiro’. Os cães possuem um acurado senso de limpeza, e com certeza procurarão um local longe da "cozinha" para fazer suas necessidades”, complementa a veterinária.
Desmame deve ocorrer depois de 45 dias após nascimentos
Um fator que deve ser levado em consideração é o desmame. Desmames prematuros podem eventualmente provocar distúrbios comportamentais.
Considerando-se o tempo de gestação e vida, percebe-se que os fatos aprendidos pelo cão ocorrem mais rapidamente que no homem. Enquanto, levamos 18 anos para chegar à adolescência e começar a ingressar na vida adulta, esse acontecimento na vida do cão leva ape- nas em média 1 ano e meio.
“Desse modo, é importante respeitar o tempo necessário de convívio entre o filhote e a mãe e irmãos. Assim, é possível observar bem o caráter do animal na hora da escolha, o que certamente contribuirá para que não se arrependa no futuro”, afirmou Larissa.
Segundo ela, em geral, não se recomenda desmame antes dos 45 dias, sendo desejável que o filhote seja separado da mãe aos 60 dias. “É nessa fase que a mãe ensinará ao filhote as lições necessárias à vida adulta. É aqui também que o papel do criador se torna importante: grande parte da sociabilização ocorre nessa fase”, completa.
Diversas situações
Larissa recomenda ainda que os filhotes sejam apresentados às mais diversas situações do quotidiano: andar de carro; estar em contato com os mais diversos tipos de animais e pessoas; barulhos (músicas, fogos). “Os filhotes devem ser expostos a estas situações. Senão, eles trarão problemas de adaptação. Como o cão é novo, contornar a situação é bem mais fácil”, ressalta a veterinária.
Aos 90 dias de vida, grande parte da personalidade do cãozinho já está formada. Procure, então, conhecer a ninhada toda e os pais: através desse conjunto a pessoa pode ter idéia se algum desses filhotes se encaixa no perfil desejando da família.
“Repare nas instalações da casa (devem estar limpas e arejadas) e no modo de interação do criador com os animais (que deve ser a mais amistosa e natural possível)”, conclui Larissa.