ESPORTE

Marcos Assunção cumprimenta torcedores do Palmeiras em Araraquara
20/10/2012

ASSUNÇÃO TOMA INFILTRAÇÃO E ARRISCA O JOELHO PARA TIRAR PALMEIRAS DA DEGOLA




Marcos Assunção coloca a bola no chão, dá alguns passos para trás, corre e chuta em direção à meta ou à cabeça de algum companheiro.

A jogada que mais rende ocasiões de gol ao Palmeiras só deve se repetir contra o Cruzeiro, hoje, em Araraquara, devido à insistência do volante e capitão da equipe.

Aos 36 anos, o veterano jogador decidiu ignorar as dores crônicas que sente no joelho direito para ajudar o time paulista a sobreviver na primeira divisão nacional.

O derrame articular e o cisto que provocam a inflamação e o inchaço que transformam há um mês cada escalação de Marcos Assunção em uma súplica são, em parte, resultado da escolha de se doar feita pelo próprio volante.

"Final de temporada é assim mesmo, todo mundo está desgastado. E, para piorar, ele não teve o tempo que era necessário para se recuperar da cirurgia", afirma o gerente de futebol César Sampaio.

Marcos Assunção passou por uma artroscopia no joelho direito para correção de ruptura do menisco em 21 de agosto. A previsão é que ficaria fora por entre 30 e 40 dias.

Mas em 16 de setembro, logo depois da demissão de Luiz Felipe Scolari, ou seja, no auge da crise palmeirense, ele já estava em campo para enfrentar o Corinthians.

"Ele tem um processo inflamatório que é normal na fase pós-cirúrgica. O problema é que por causa do calendário, ele não tem tempo de fazer um bom fortalecimento muscular", explica o médico do clube Vinícius Martins.

Desde a derrota por 2 a 0 no clássico apesar do reforço, o Palmeiras disputou outras sete partidas. E seu capitão, mesmo debilitado, foi desfalque em apenas duas.

Em alguns desses jogos, atuou sob efeito de infiltração para suportar as dores. "É um recurso terapêutico válido no futebol, desde que seja com critério. Outros jogadores também usaram", defende o médico do Palmeiras.

No meio da semana, o volante era tratado como desfalque certo para o jogo contra o Bahia. Mas, insistiu com os médicos, foi aprovado em um teste na véspera da partida e viajou para Salvador.

Permaneceu no campo os 90 minutos da vitória que reduziu para seis pontos a desvantagem do Palmeiras para o primeiro time fora da zona de rebaixamento, justamente seu último rival, e ganhou palavras de admiração do presidente Arnaldo Tirone.

"Foi uma demonstração de amor ao Palmeiras. Ele mostrou que pensa no clube antes de pensar nele mesmo. O Assunção chegou a me dizer que poderia estourar os dois joelhos, mas que não ficaria fora daquele jogo de jeito nenhum", conta o mandatário.

Depois da partida, o volante falou que só desfalcará o time em alguma das sete rodadas finais se a dor for mesmo insuportável, que não o permita "correr ou andar". Ou seja, se ele sentir os efeitos colaterais de jogar machucado por tanto tempo.

"Não é que o esporte de alto nível é prejudicial à saúde, mas ele sempre traz riscos. Em um caso assim, o risco é maior. Mas estamos controlando a situação. Se ele está jogando é porque tem condições", completa Martins.

RENOVAÇÃO AINDA ESTÁ PARALISADA
A diretoria do Palmeiras não está conversando com o volante Marcos Assunção para discutir a prorrogação de seu contrato. O jogador, cujo vínculo termina em dezembro, já disse que pretende esticar a carreira nos gramados em mais um ano para disputar a Libertadores. Mas pediu a paralisação das negociações quando teve de ser submetido à cirurgia no joelho direito.

"Ele nem pensa nisso por enquanto", declarou o presidente do clube, Arnaldo Tirone.

Fonte:esporte.uol.com.br