números do hospital de câncer de barretos n 3.000 atendimentos/dia n 98% pelo SUS n 1.342 municípios abrangidos n 27 estados n Deficit mensal de R$ 4,2 milhões n 6 mil refeições diárias n 13 alojamentos com capacidade para 650 pessoas (pacienSolidariedade. Certamente, esta palavra está arraigada na maioria das pessoas. É este sentimento que faz com instituições sociais e filantrópicas – que assistem os menos necessitados, portadores de doenças ou incapazes – conseguem se manter.
O Hospital do Câncer de Barretos é um dos exemplos mais fiéis da expressão “amor ao próximo”. Mantidos pela Fundação Pio XII, a instituição de saúde é reconhecida em todo o Brasil como a mais importante no tratamento e prevenção de tumores – sejam eles benignos ou malignos.
Os números realmente impressionam: são feitos cerca de três mil atendimentos por dia, de pessoas vindas de todas as partes do país. Pelo tratamento, não pagam nada: o atendimento, desde exames de detecção até pós-operatório é feito 100% através do Sistema Único de Saúde (SUS). No Hospital do Câncer de Barretos, não há qualquer tipo de distinção: o atendimento é igual para pacientes de qualquer sexo, etnia ou poder aquisitivo.
Hospital tem 1,8 mil funcionários especializados e cerca de 200 médicos que trabalham em tempo integral. São 6 unidades móveis de prevenção que percorreram o país realizando exames preventivos de mama, pele, próstata e colo uterino.
Entretanto, nem tudo ‘são rosas’. O Hospital opera com uma margem de déficit mensal de R$ 4,2 milhões. Por isso, são extremamente importante as campanhas de arrecadação de recursos como leilões de gado e outras ações para arrecadação de mantimentos, fraudas entre outros itens utilizados no atendimento, todas feitas por voluntários.
Grupo ASA assiste os pacientes ituveravenses e suas famílias
Ituverava é um dos 58 municípios da região que enviam pacientes para tratamento no Hospital do Câncer de Barretos. A instituição realiza o atendimento médico e ambulatorial destas pessoas. Mas quem assiste estes pacientes em suas cidades? É onde entram em cena as Associações de Voluntários de Combate ao Câncer (AVCC).
Em Ituverava o grupo Amor, Solidariedade e Amizade (ASA), faz parte desta associação. “O objetivo delas é prestar a assistência social ao paciente, fazendo-lhe visitas e oferecendo medicamentos, fraldas se necessário, cestas de alimentos básicas e diferenciadas, complemento e suplementos alimentares”, explicou a coordenadora do Grupo ASA, Luíza Helena Ferreira.
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, a coordenadora diz que 169 pessoas estão em tratamento em Barretos. “Além de pacientes da cidade, também são atendidas pessoas dos distritos de São Benedito da Cachoeirinha e de Capivari da Mata, e do bairro rural de Aparecida do Salto. Todos os dias são levados pacientes a Barretos. Também organizamos campanhas de recrutamento para doação de sangue e cadastramento de medula óssea, além de organizar campanhas de arrecadação de mantimentos. Todas AVCCs realizam este tipo de trabalho”, ressalta Luiza.
A coordenadora ressalta o trabalho importantíssimo de assistência, realizado não só pelo ASA, mas por todas as instituições de apoio ao Hospital do Câncer.
“Devemos lembrar que ninguém está livre de passar por esta enfermidade, e o tratamento do Hospital do Câncer é gratuito. Por isso, trabalhar em prol desta constituição, e dar apóio ao paciente portador desta doença e familiares são ações que fazemos de nosso coração. Temos orgulho em ajudar uma instituição como o Hospital do Câncer. É um trabalho muito sério, feito há 12 anos, desde a fundação de nosso grupo, com muito amor. E quem nos conhece, já sabe: o amor é lindo”, conclui a coordenadora.
A instituição é elogiada por todos. “É um trabalho maravilhoso, cercado do que existe de mais moderno, em termos de oncologia”, ressaltou o secretário municipal de Saúde, Sérgio Renato Macedo Chicote. O órgão municipal oferece o transporte diário e gratuito para a instituição. “Todos os dias levamos pacientes para se tratar em Barreto. Além disso, o município repassa uma verba mensal para o Hospital. Isso ocorre desde 2005, no início da administração de Mário Matsubara, como prefeito de Ituverava.
História do hospital teve início na década de 60
Na década de 60, o único hospital especializado para tratamento de câncer situava-se na capital do estado de São Paulo, e os pacientes que procuravam o Hospital São Judas de Barretos, eram, em sua maioria, previdenciários de baixa renda, com alto índice de analfabetismo.
Por isso, tinham dificuldades de procurar tratamento na capital, por falta de recursos, receio das grandes cidades, além da imprevisibilidade de vaga para internação.
No dia 27 de novembro de 1967, foi instituída a Fundação Pio XII e, conforme memorando 234, de 21 de maio de 1968, assinado pelo Dr. Décio Pacheco Pedroso, diretor do INPS, passou a atender pacientes portadores de câncer.
Devido à demanda de pacientes e ao velho e pequeno hospital não comportar todo crescimento, o Dr. Paulo Prata, idealizador e fundador, recebeu a doação de uma área na periferia da cidade e propôs a construção de um novo Hospital que pudesse responder às crescentes necessidades.
Este pequeno Hospital contava com apenas quatro médicos: Dr. Paulo Prata, Dra. Scylla Duarte Prata, Dr. Miguel Gonçalves e Dr. Domingos Boldrini. Eles trabalhavam em tempo integral, dedicação exclusiva, e tratamento personalizado. Foi esta a Filosofia de trabalho que promoveu o crescimento da Instituição.
Primeiro pavilhão
No ano de 1989, Henrique Prata, filho do casal de médicos fundadores do hospital, abraça a idéia do pai e com a ajuda de fazendeiros da cidade e da região concretizou mais uma parte do projeto. O pavilhão Antenor Duarte Villela, onde funciona o ambulatório do novo hospital é inaugurado em 6 de dezembro de 1991.
Dando seqüência ao projeto, que ganhou grandes proporções com a ajuda da comunidade, artistas, da iniciativa privada e com a participação financeira governamental, outras áreas do hospital foram sendo construídas para atender os pacientes do SUS.
Gestor do Hospital do Câncer é tema de história em livro que reconta sua vida
Fé, determinação e amor ao próximo. Essa trindade nutriu de energia o pecuarista Henrique Prata e fez com que ele transformasse o pequeno hospital geral São Judas Tadeu, no interior de São Paulo, num centro de excelência no atendimento, tratamento, prevenção e pesquisa oncológicas, hoje internacionalmente conhecido como Hospital de Câncer de Barretos.
A saga da instituição, narrada por ele durante a caminhada de Burgos a Santiago de Compostela, na Espanha, se mescla à trajetória de luta e empreendedorismo do homem que sempre teve nas mãos as rédeas do mundo rural. O produto dessa sinergia é agora contado no livro “Acima de tudo o amor”, lançamento da Editora Gente.
Tudo começou em 1962, quando o pai de Henrique, o oncologista Dr. Paulo Prata, movido pela ética e o juramento de Hipócrates, idealizava realizar atendimento humanizado, de alta qualidade e gratuito aos doentes de câncer mais carentes da região. O doutor insistia numa operação que fechava todos os meses no vermelho, fadada à falência.
Henrique era um dos principais críticos do projeto e ia desativar o hospital, quando um cirurgião do São Judas despertou uma luz na consciência do fazendeiro. Convenceu-o de que a compra de um simples equipamento aceleraria os procedimentos e reduziria o tempo de espera dos pacientes para as terapias.
Alguns cálculos e uma ação entre amigos – a tradicional “vaquinha” – deram ao hospital um foco cirúrgico e a Henrique Prata a certeza de que mesmo sem ser médico, poderia salvar vidas.
Prata é um pioneiro das bem sucedidas parcerias público-privadas. Sem o “dr” antes do nome, jaleco branco ou estetoscópio, ele resolveu abraçar a obra sonhada pelo pai.
Enfrentou dificuldades, mas com doações de empresários, fazendeiros, artistas, cantores e personalidades públicas, mantém o complexo, hoje com 107 mil metros quadrados de área e 100 mil atendimentos do SUS por ano.
O livro traz incríveis histórias que acontecem todos os dias – verdadeiros milagres – que permitem que esse trabalho valioso continue sendo feito. Como o custo operacional mensal excede as receitas públicas destinadas à obra, é o apoio incondicional de pessoas do bem que faz com que as portas permaneçam abertas.
O autor narra como venceu barreiras e tornou o impossível possível, encontrando anjos de solidariedade que o ajudam a prosseguir nesse caminho de fé e amor.
Sobre o autor
Henrique Duarte Prata é o diretor-geral do Hospital de Câncer de Barretos (HCB). Empreendedor nato, fazendeiro, agropecuarista e piloto privado e comercial. Cedo, optou pelo trabalho em detrimento aos estudos.
Aos 15 anos, já trabalhava na fazenda de seu avô. Incansável, já percorreu 21 países para trazer as melhores técnicas de Medicina para o Hospital, o que já rendeu prêmios e prestígio internacional.
Hoje, a cidade de Barretos é famosa pelo Hospital e também por sua Festa do Peão, da qual Henrique também participa como “madrinheiro”, aproveitando o Universo Boiadeiro para captar mais recursos para o HCB. Ele cria cavalos de rodeio e já foi campeão de montaria na década de 90.
Leilão de Gado pró Hospital do Câncer acontece Hoje
Está previsto para Hoje, domingo, 28 de outubro, a nona edição do Leilão de Gado Beneficente em prol da Fundação Pio XII, mantenedora do Hospital do Câncer de Barretos. O evento será realizado no Parque Permanente de Exposições do Sindicato Rural, a partir das 11h.
Promovido em Ituverava desde 2003, o Leilão Beneficente é organizado por uma equipe de voluntários, coordenados pelos irmãos Luciano, Rita e Vilso Pereira da Rocha.
O evento será conduzido pelo leiloeiro Ademir de Menezes, de Guará, que participa como voluntário desde a primeira edição do Leilão, em 2003.
Intercalando as rodadas de lances, haverá música ao vivo. Deverão se apresentar o cantor Éder Bianchi e as duplas Éder Chibini & Rodrigo, Turquinho Violeiro & Fabiano e Marcelo & Fernando. Será servido um churrasco para os convidados. O consumo de bebidas é à parte.
“Já conseguimos 70 prendas vivas – bovinos, suínos e caprinos – e mais 60 doadas pelo comércio”, disse Rita Pereira Rocha, em entrevista à Tribuna de Ituverava, concedida na última quarta-feira.
No ano passado, segundo a voluntária, o leilão arrecadou R$ 100 mil brutos. “Neste ano, estamos torcendo para aumentar este valor. Para isso, contamos mais uma vez com a solidariedade do povo ituveravense, que sempre colabora com esta causa nobre”, complementou.