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O veterinário Ricardo Lemes Salomão, do Hospital Veterinário da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram)
12/11/2012

ATROPELAMENTOS DE ANIMAIS SILVESTRES SÃO A SEGUNDA MAIOR CAUSA DA PERDA DE ESPÉCIES




Acidentes nas estradas com atropelamentos de animais silvestres são a segunda maior causa da perda de espécies no Brasil, superadas apenas para queimadas e desmatamentos, que ainda são os maiores causadores da morte dos animais.

A informação é do biólogo Gilson Santana, que tem realizado amostras dos incidentes em trechos da BR-364 em Rondônia, e na região de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a maioria dos registros são feitos com animais de grande porte, como antas, vacas e cavalos, que são os que mais causam acidentes mais graves.

Do último semestre de 2008 até o fechamento do primeiro semestre deste ano, 74 acidentes envolvendo animais na pista foram registrados nas estradas de Rondônia e Acre.

Mas para o biólogo Gilson Santana, há que se levar em consideração a perda de espécies silvestres que facilmente são alvos de rodovias construídas, segundo ele, sem planejamento ambiental adequado.

“Quando se faz o estudo ambiental para a abertura ou ampliação de uma estrada, deve ser levada em conta a quantidade de animais que vivem na região e a necessidade de se incluir passarelas e túneis, além do cercado às margens da estrada que impede a saída dos animais da floresta para a travessia na BR”, diz.

Pesquisa
Segundo Santana, poucos estudos são feitos no país a respeito dessas perdas. “Em Porto Velho, a Universidade Federal tem um trabalho de recolhimento desses animais para pesquisas no laboratório de mastrozoologia, para análise do conteúdo estomacal, assim eles descobrem o tipo de alimento que os animais comiam e como está sendo a vida alimentar das espécies, se existe influência humana. Depois do animal morto, eles também fazem a taxidermia, que é o empalhamento dos animais”, conta.

Em um dia de amostra, o biólogo contou 40 animais mortos por atropelamento em um trecho de 32 quilômetros de estrada, saindo de Porto Velho. Segundo Gilson, a maioria era anfíbios, répteis, aves e mamíferos. “Acontece também atropelamentos de urubus, que descem à pista para comer a carniça dos outros animais e são surpreendidos pelos veículos”, acrescenta.

Tamanduás mirins, cobras de várias espécies e cutias também são muito comuns nas estradas. “Os que mais morrem são geralmente os machos da espécie, pela necessidade de expansão territorial e a busca por alimento. Quando a floresta é cortada ao meio eles buscam pela complementaridade do habitat, mas os acidentes também são comuns em áreas próximas de riachos e pontes, pois os animais sempre estão a procura de água”, completa Santana.

Cuidado ao trafegar
Para a inspetora da PRF, Márcia Félix, ao trafegar por regiões rurais, de fazendas ou em campo aberto, principalmente à noite, é preciso ter muita atenção.

“Ao perceber a presença de animais, o motorista deve reduzir a velocidade, feche o vidro por segurança, evite buzinar para não assustá-lo e siga devagar até que tenha ultrapassado o ponto onde o animal se encontra. Isso irá evitar que o animal se sobressalte e na tentativa de fugir, venha ao encontro do veículo”, explica.

“Animais assustados podem ter reações inesperadas, o que pode tornar o momento ainda mais imprevisível. Eles também podem ficar paralisados de susto, congestionando a via, as conseqüências de um acidente podem ser muito graves”, finaliza.

Veja três perguntas sobre animais que são retirados de seu habitat




Oque é um animal silvestre?

Usa-se o termo silvestre para diferenciar o animal que não tem hábitos domésticos ensinado por humanos. Este último já está acostumado a viver perto das pessoas, como os gatos, cachorros, galinhas e porcos, entre outros. Já o animal silvestre foi tirado da natureza e reage à presença do ser humano.

Por essa razão, tem dificuldades para crescer e se reproduzir em cativeiro. O papagaio, a arara, o mico e o jabuti, ao contrário do que muitos pensam, são animais silvestres.

Quais são os problemas de quem cria animais em casa?

Ser dono de animal silvestre não é uma atividade muito segura. Entre os principais problemas estão o risco de ataques e a transmissão de doenças como a malária, a febre amarela e várias viroses desconhecidas.

Quais são os problemas para os animais que são criados em casa?

Ele pode perder a sua identidade. Pode sofrer de solidão e ter dificuldades para se reproduzir. Também sofre porque fica em espaço físico reduzido, come alimentos inapropriados e pode pegar doenças que nos seres humanos têm pouca gravidade (gripe, herpes etc), mas que podem ser fatais para os animais.