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Pessoas falando ao celular: 83% dos brasileiros disseram se sentir
17/11/2012

PESQUISA APONTA QUE PESSOAS ENTRAM EM PÂNICO SE FICAREM SEM O CELULAR


83% dos brasileiros disseram se sentir

Se você se sente perdido quando está sem o celular, saiba que não é o único. Uma pesquisa recente feita pela revista "Time" e pela Qualcomm apontou que 83% dos brasileiros usuários de smartphones disseram se sentir "perdidos", "nervosos" ou "ansiosos" ao perceber que saíram sem o aparelho.

Na pesquisa, feita em oito países, 35% dos brasileiros disseram consultar o celular a cada dez minutos ou menos; e 74% afirmaram dormir com ele perto da cama.

Comportamentos do tipo vêm sendo grosseiramente enfeixados sob o termo "nomofobia" (derivado do inglês, "no mobile", medo da falta do celular). Mas especialistas pedem calma com o assunto.


"A nomofobia é a dependência patológica do celular, o que é diferente de uma dependência normal, associada ao uso intenso por conta do trabalho ou por necessidades reais de comunicação", diz Anna Lúcia Spear King, doutora em saúde mental e pesquisadora do Laboratório de Pânico e Respiração da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

"É como qualquer outra fobia, com sintomas típicos de um transtorno de ansiedade", diz ela, que investigou o tema em sua tese de doutorado, defendida em março.

Anna Lúcia comparou pessoas consideradas sadias com pacientes de síndrome do pânico. Entre os "saudáveis", 34% afirmaram experimentar alto grau de ansiedade sem o telefone e 54% disseram ter "pavor" de passar mal na rua e não ter o celular.


"Os sintomas são: alteração da respiração, angústia, ansiedade e nervosismo provocados pela falta do aparelho”, observa


A pesquisa da "Time" ouviu 5 mil consumidores de tecnologias móveis no Brasil, nos EUA, China, Índia, Indonésia, Coréia do Sul, Reino Unido e na África do Sul, entre 29 de junho e 28 de julho. Do total de consultados, 79% afirmaram sentir-se incomodados sem o celular. Na China e na Indonésia, o índice chega a 90%.

O Brasil aparece como o país de pais mais liberais: 11 anos foi a idade mínima indicada aqui para que uma criança tenha seu primeiro celular. A média internacional foi de 13 anos. A margem de erro da pesquisa é de 2,5%.

Pânico
Outro estudo, encomendado pela empresa americana de tecnologia Lookout, confirma a escalada do apego ao celular. Questionários respondidos on-line por 2.097 pessoas de 18 anos ou mais mostraram que 73% dos usuários de smartphones nos EUA "entram em pânico" quando não acham o seu.

Na pesquisa, 58% disseram que não conseguem ficar mais de uma hora sem acessar seus telefones. E 54% declararam que continuam a consultar o aparelho depois de se deitar, antes de se levantar e na madrugada; 40% afirmaram não abandonar o celular nem para ir ao banheiro e 24% admitiram consultá-lo enquanto dirigem.

Os dados confirmam uma tendência já detectada no Reino Unido no início do ano, pela companhia de tecnologia SecurEnvoy. O estudo concluiu que 66% dos usuários de celular têm medo de ficar desconectados.

Vício consciente
No Brasil, onde o número de celulares ativos (quase 259 milhões até setembro) supera com folga a população total, estudos sobre o problema devem ser feitos no primeiro semestre de 2013, pelo Hospital das Clínicas de São Paulo, que também prevê a criação de um grupo de atendimento para quem sofre de apego exagerado ao celular.

A blogueira mineira Viviane Gomide, 28 anos, é um exemplo. Ela, que escreve sobre tecnologia, diz ter consciência do seu vício em smartphone. Mas conta que a experiência de passar um mês sem o telefone, por uma questão técnica, foi um tratamento de choque. "Achava que não conseguiria viver sem ele. Nos primeiros dias me sentia fora do mundo. Tinha tiques. Ia até a bolsa, procurava nos bolsos das roupas e depois me lembrava de que ele não estava lá. Mas superei. Sabia que o teria de volta", diz.

Dona de um smarthphone desde 2010, a blogueira tem mais de 200 aplicativos instalados nele, mas afirma que não usa todos. "Eu provo, vejo coisas. Não conheço ninguém mais viciado em celular do que eu."

Formada em Relações Internacionais, ela acorda com o "bip" do aparelho e, ainda na cama, começa a checar e-mails e redes sociais. É o "momento da preguiça". A caminho do trabalho, em transporte público, lê notícias, manda mensagens etc. "Sei que também existe vida sem um smartphone, mas essa vida eu não quero", afirmou.

Conheça os 4 passos para deixar o vício pelo celular
Pessoas viciadas em celulares comportam-se como se toda hora acontecesse algo tão importante a ponto de impedir a desconexão.

"Não é o caso, evidente, de abrir mão da tecnologia, mas aprender a usá-la a seu serviço - e não ficar à disposição dela interruptamente", diz a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo. Se você quer desapegar do celular, siga as dicas a seguir.

Desabilite as notificações
As notificações e atualizações do smartphone fazem barulhinhos e vibrações que desviam não só o seu foco de atenção, mas também de quem está próximo a você. Marina Vasconcellos recomenda que sejam guardados horários durante o dia para ver se alguém te mandou mensagem na rede social ou te desafiou em algum jogo.

Guarde os momentos na memória
Compartilhar momentos importantes com as pessoas próximas é importante, mas vale refletir se a necessidade de expor sua rotina não está atrapalhando a qualidade das suas experiências e dos seus relacionamentos. "É preciso muita atenção com o que colocamos nas redes sociais, esse conteúdo chega ao alcance de gente que nem conhecemos muito bem", lembra a especialista.

Não tenha medo de desligar
O conselho da psicóloga Marina Vasconcellos é para usar mais o celular como um telefone de fato do que como uma caixa de e-mails ou uma forma de acesso à internet. Se for para relaxar, numa viagem ou num final de semana, não tenha receio de desligar o celular.

Busque ajuda profissional
"Diferentemente do vício em drogas ou álcool, o vício em celular não é tão fácil de detectar, até porque as suas implicações são mais psicológicas do que físicas", afirma a psicóloga Ana Luiza Mano, do Núcleo de Pesquisas em Psicologia em Informática (NPPI) da PUC de São Paulo.

Se isso já está te incomodando, busque a ajuda de uma terapia para se livrar do problema.

Confira as respostas: