ECONOMIA

29% dos consumidores inadimplentes em setembro declararam ter restrição ao nome em razão de compra com cartão de crédito
26/11/2012

EMPRESA MOSTRA QUE COMPRA COM CARTÃO LIDERA INADIMPLÊNCIA




Pesquisa da Boa Vista Serviços, empresa administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), mostra que 29% dos consumidores inadimplentes em setembro declararam ter restrição ao nome em razão de compra com cartão de crédito. Em seguida, os meios de pagamento citados nos casos de inadimplência são: carnê (24%), cheque (17%), empréstimo pessoal (13%), cheque especial (8%) e cartão de loja (8%).

A pesquisa sobre o perfil do inadimplente ouviu cerca de 1.110 consumidores que procuraram o balcão de atendimento do SCPC. Nas faixas de renda familiar até três salários mínimos, atinge 30% a parcela de consumidores que disseram ter usado o cartão de crédito como pagamento e que levou à restrição ao nome. Nas faixas acima de 10 mínimos, a fatia é de 27%.

Para 21% dos entrevistados, uma das dívidas não pagas originou-se da aquisição de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos; 16% citaram a compra de produtos ou serviços relacionados à alimentação; 16% mencionaram a compra de vestuário e calçados; e 11% falaram em contas de concessionárias de serviços públicos.

O desemprego continua a maior causa da inadimplência, com 33% das justificativas. Em segundo lugar, vem o descontrole financeiro (23%). A maioria (31%) das dívidas não pagas está abaixo de R$ 500; 18% possuem dívidas acima de R$ 5.000; 18% entre R$ 500,01 e R$ 1.000; e 16% entre R$ 1.000,01 e R$ 2.000.

Dívida do cartão de crédito pode dobrar em poucos meses
Um alerta para o consumidor nas compras de fim de ano. Uma pesquisa mostrou que quem deixa de pagar o cartão de crédito pode ver a dívida dobrar em poucos meses A taxa de juros média do cartão de crédito em outubro ficou abaixo de 10% ao mês - a menor desde 1995. Mas a Associação Nacional de Executivos de Finanças fez as contas e a conclusão é desanimadora: apenas a metade da queda da taxa básica de juros chegou ao consumidor.

Os juros cobrados pelo comércio no cartão de crédito e para financiar a compra de um carro estão no menor nível dos últimos 17 anos, de acordo com pesquisa feita pela Associação Nacional dos Executivos Financeiros. Em média, os empréstimos custam 5,5% ao mês.

Apesar da queda, os juros ainda são altos. Só para se ter uma idéia, quem hoje deixa de pagar R$ 1 mil no cartão de crédito, daqui a oito meses vai ter uma dívida de R$ 2 mil. Isso mesmo, o dobro. Em um ano, os juros do cartão chegam perto de 200%.

“O valor de 200% de juros é extremamente caro. Para uma economia que está com a taxa básica de 7% ao ano. Olha a diferença de 7% para 200% quanto é que é. Extremamente caro. As pessoas têm que ter cuidado em se endividar”, ressalta o professor de economia da UNB José Carlos de Oliveira.

O Antônio Dias admite que já gastou mais do que podia no cartão. “Eu sou compulsivo. O que eu vejo, eu compro”, conta. O agente de atendimento Jucemberg Paiva deve quase R$ 2 mil e já decidiu o que fazer quando o 13º salário entrar na conta. “Eu planejo entrar em contato com o banco para negociar dívida. É o que eu planejo”, diz. Uma boa ideia, dizem os economistas.

Outro cuidado: os juros no cheque especial são de 145% ao ano - uma dívida dobra em dez meses.

Fonte: Bom Dia Brasil