Produtores devem procurar pela Casa da Agricultura onde se pode cadastrar o animalNão basta apenas vacinar, é preciso cadastrar! Com o final da campanha anual contra a febre aftosa – encerrada na semana passada – os produtores devem procurar pela Casa da Agricultura, órgão ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, onde se pode cadastrar o animal.
“Percebemos, no dia-a-dia de trabalho, que muitos produtores do município e região possuem gado não cadastrado junto a Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo, ora por desinformação da importância deste cadastro, ou por falta de tempo, como alegam alguns pecuaristas”, diz o chefe da Casa da Agricultura de Ituverava, o agrônomo Leandro Galindo Vitor.
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, ele ressalta a importância do cadastramento do animal, junto aos órgãos competentes. “É importante devido à ocorrência de furtos de gado na região, como reclamam os produtores. Se aqueles que compram e vendem gado exigirem GTA (Guia de Trânsito Animal), vão obrigar o comprador ou vendedor ter esse gado cadastrado. Com isso esses animais, com certeza, não serão produto de furto, diminuindo sensivelmente esse tipo crime que todos já podem ter sido vítima”, afirma.
Outro motivo para cadastrar o animal é que o registro também serve como controle de vacinação. “A Defesa Agropecuária do Estado monitora a vacinação de todos os animais cadastrados e, desta maneira, tenta garantir ausência das principais doenças – como a febre aftosa, por exemplo – que podem dificultar ou, até mesmo impedir, a comercialização de carne e leite na região, no estado e as exportações desses produtos. Com o comércio prejudicado os preços despencam afetando o próprio produtor”, explica o agrônomo.
Multa
Não cadastrar o animal, além de colocar em risco à saúde humana, também doe no bolso. “O não cadastramento dos animais pode gerar um auto de infração e, com isso, uma multa de 100 UFESPs, ou seja, R$ 1.844,00”, observa o chefe da Casa da Agricultura.
Para maiores informações, o produtor pode procurar a Casa da Agricultura de sua cidade ou as Unidades de Defesa Agropecuária. “Mais importante é que o rebanho seja cadastrado. Antes de mais nada, é uma questão de saúde, tanto para o gado quanto para o ser humana”, concluiu Vitor.
A febre aftosa e os perigos ao homem e animais
Muito se fala em febre aftosa, mas nem todos sabem de fato o perigo que ela representa. Trata-se de uma doença viral muito contagiosa, que afeta espécies animais bovinos, ovinos, caprinos e suínos. O fato de ser um vírus que sofre mutações prejudica a eficácia das vacinas.
A forma mais eficiente, prática e barata de prevenção é através da vacinação dos bovinos e búfalos, durante as campanhas de vacinação que ocorrem a cada seis meses, sempre em maio e novembro.
Outra forma importante de prevenção é o controle do trânsito de animais, visando impedir que animais contaminados entrem no Estado. Por isso são feitas as fiscalizações do transporte animais.
A febre aftosa é uma zoonose – doença que é transmitida ao homem. Entretanto, nos seres humanos, ela é considerada “benigna”, ou seja, que não oferece risco de morte.
A transmissão ocorre por contato com animais enfermos ou material infeccioso
Veja, abaixo, as principais dúvidas sobre a doença:
O que é Febre Aftosa?
É uma doença viral, muito contagiosa, de evolução aguda que afeta os bovinos, caprinos e suínos. Ela causa febre alta, muita salivação e vesículas nos lábios, gengiva, língua, mamas e patas desses animais, sintomas que podem durar 10 dias. A doença impossibilita os animais de pastar, causando perda de peso e diminuição da produção de leite.
Como ela é transmitida?
É uma doença extremamente infecciosa. O vírus se isola em grandes concentrações no líquido das vesículas que se formam na mucosa da língua e nos tecidos moles em torno das unhas dos animais. O sangue contém grandes quantidades de vírus durante as fases iniciais da enfermidade, quando é muito contagiosa. O animal infectado elimina o vírus por todas as secreções e excreções (leite, urina, sêmen e fezes), contaminando o meio ambiente.
O vírus se espalha através do contato entre os animais, além da contaminação do solo e da água. O vento pode transportar o vírus até 90 quilômetros. O rebanho contaminado não afeta a saúde do homem, mas atinge o bolso do criador e provoca desastres econômicos: o gado contaminado emagrece, produz menos leite e o animal fica proibido de ir para o abate. Animais não vacinados podem até morrer.
A Febre Aftosa afeta o homem?
Considerada uma zoonose (doença infecciosa, que pode ser transmitida a partir de animais para seres humanos), raramente o homem é infectado com a doença. A transmissão ocorre por contato com animais enfermos ou material infeccioso, através de lesões mínimas como, por exemplo, aranhões e erosões da pele, ou pela ingestão de leite não pasteurizado.
A infecção no ser humano pode ser associada ou não a sintomas e diagnosticada apenas por provas sorológicas. De caráter benigno, a doença tem um período de incubação que varia de 2 a 8 dias, sendo a evolução da doença similar à dos animais.
Qual a importância da doença para a Saúde Pública?
A doença representa uma importante ameaça para o bem-estar da população devido ao seu impacto sobre a economia nacional de diversos países, onde o comércio com o exterior e estabilidade dependem diretamente da confiabilidade dos alimentos de origem animal. Estes alimentos devem ser oriundos de animais isentos desta enfermidade demonstrando assim a estreita relação que existe entre saúde pública, o ambiente e o bem-estar sócio - econômico.
Que cuidados devemos tomar?
• Suspeitando da existência da doença em sua propriedade ou na de vizinhos, avise imediatamente as autoridades sanitárias
• Quando for comprar animais, exija que os mesmos estejam vacinados
• Só consuma carnes após verificar a sua procedência
• Não consuma produtos das regiões com epidemia