AGRICULTURA

13/01/2013

BATATA-DOCE E ARROZ PODEM ENTRAR NA CADEIA PRODUTIVA DO ETANOL




Um grupo de empresários paulistas estuda a possibilidade de investir aproximadamente R$ 15 milhões em Tangará da Serra-MT com a instalação de uma indústria de fabricação de etanol a base de batata doce, uma distribuidora desse combustível e uma empresa de ácido graxo.

De acordo com o sócio do grupo, Marcelo Mauzoni, os empresários têm a intenção de investir fora de São Paulo e, segundo ele, Tangará da Serra surgiu como o local ideal devido ao clima e capacidade produtora. Ele pontuou que o fato do município já possuir uma produção da batata doce entre os pequenos produtores da região influenciou na decisão.

Ontem, o grupo se reuniu com o prefeito Fábio Junqueira, e com os secretários de Indústria e Comércio, Anílson Franchini, e de Agricultura, Ivo Ferreira. Ainda segundo o empresário, devido as conversas adiantadas, a documentação para implantação das empresas deve ficar pronta nos próximos 30 dias. A prefeitura doará um terreno, avaliado em R$ 500 mil, para o grupo.

“O terreno é extremamente apropriado e bem localizado. Poderemos aproveitar os subprodutos do município, como os provenientes do frigorífico e da algodoeira, por exemplo”, informou o empresário, por assessoria. Aém do etanol, a indústria poderá produzir ração animal e, na área de ácido graxo, serão desenvolvidos biodiesel, a glicerina e outros itens.



Biorrefinarias

Nesta quinta-feira, às 11h, no Palácio Piratini, o governador em exercício do Rio Grande do Sul, Beto Grill, assinou um protocolo de intenções com a Vinema Multióleos Vegetais, concedendo benefícios fiscais para o desenvolvimento do projeto de biorrefinarias de etanol a partir de cereais, principalmente arroz. Com este protocolo será criada a Vinema Biorrefinarias do Sul. A empresa foi representada pelo proprietário Vilson Neumann Machado. Incluindo os benefícios fiscais, o investimento será de R$ 720 milhões e prevê a construção de seis biorrefinarias no Rio Grande do Sul até 2020, sendo a primeira construída no município de Cristal, até o final de 2014.

A diretoria da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) esteve presente ao evento, pois foi a principal articuladora para viabilizar o projeto através da Campanha dos Usos Alternativos do Arroz iniciada em dezembro de 2010, em razão dos excedentes de produção. “Temos grande interesse, considerando que esta indústria absorverá os excedentes de arroz que não são direcionados à alimentação humana para a produção de energia e isso trará equilíbrio ao mercado interno”, considera o presidente da Federarroz, Renato Rocha.

As biorrefinarias serão instaladas paulatinamente considerando o volume de investimentos necessários. “Vamos consumir 250 mil toneladas de arroz ao ano em matéria-prima por usina, o que totalizará 1,5 milhão de toneladas/ano quando as seis estiverem em operação”, explica Vilson Neumann Machado. Este volume representa quase 20% de toda a produção de arroz do RS. Porém, ele reforça que a matéria-prima utilizada é exclusivamente arroz do tipo 3,4 e abaixo padrão (AP). A empresa também utilizará como matéria-prima sorgo granífero, triticale, aveia, centeio e batata doce, entre outras.

Para assegurar oferta de produto, a Embrapa Clima Temperado deve iniciar em 2014 a produção de sementes de uma variedade especial de arroz, com altíssimo potencial produtivo, mas com grãos que não se destinam à alimentação humana. “Isso dará ao produtor uma alternativa de cultivo em áreas de maior risco ou com inços, pois para essa função interessa é o amido, e não se há vermelho”, diz Vilson Neumann Machado.

Cada biorrefinaria produzirá 300 mil litros de etanol carburante ao ano, o que representa 46% da demanda atual do Rio Grande do Sul, além de ração animal para as cadeias das aves, suínos e bovinos, entre outras aplicações. As usinas serão montadas em Cristal, Cachoeira do Sul, Capão do Leão, Dom Pedrito, Itaqui e Santo Antônio da Patrulha, municípios com protocolos de intenção já firmados. As 6 usinas irão gerar 12 empregos, entre diretos e indiretos, considerando o setor industrial e agrícola, além de reduzir a importação de etanol e de ICMS do Governo do Estado. “O dia de hoje ficará marcado na Orizicultura Gaúcha e Nacional, pois os empreendimentos propiciarão a sustentabilidade da produção e fortalecerão a econômica do estado do Rio grande do Sul, através da geração de empregos, impostos e diversificação da produção, o apoio e incentivo do Governo do Estado é bem-vindo e merece o reconhecimento e gratidão do setor arrozeiro”, acrescenta o presidente Renato Rocha.

Fonte: diariodafranca.com.br