Casal analisa suas contas: endividamento deve ser evitado no começo do ano As especialistas são unânimes: colocar o orçamento da casa na ponta do lápis é a primeira e principal mudança de hábito a ser feita para quem quer deixar as dívidas em 2012 e entrar no Ano-Novo com as contas em dia.
No ano passado, pelo menos 16 milhões de brasileiros renegociaram suas dívidas e limparam seus nomes, segundo a Serasa Experian. Mas, para ficar no azul, é preciso fazer mais que negociar com o banco depois de o orçamento estourar. "É preciso fazer planejamento", afirma Flávio Calife, economista da Boa Vista Serviços, que opera o SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).
É pela falta de organização que entre 40% e 50% das pessoas que limpam o nome voltam para a lista de devedores.
O economista da Serasa Carlos Henrique de Almeida diz que quem está endividado deve ter cuidado com o valor das parcelas na hora de refinanciar a dívida. "Não adianta renegociar e depois de três ou quatro meses não conseguir pagar”, afirmou.
O diretor do Procon de Ituverava, Marcelo Liporaci Spósito Machado, dá dicas preciosas para escapar da dívida. “Em primeiro lugar, é preciso se programar. Despesas fixas, como IPVA, IPTU, material escolar, devem ser programadas para não sofrer conseqüências”, afirma.
Machado alerta quanto às perigosas tentações do dinheiro fácil, obtido através do cartão de crédito e do cheque especial.
“Quem entra em dívidas como cartão de crédito ou cheque especial deve lembrar que este dinheiro não é seu, mas sim, do banco. Portanto, evite ao máximo esses dois créditos. Para quem, infelizmente, o fizer, vai uma dica: o próprio banco oferece linhas de crédito com juros mais baratas do que do cartão e do cheque especial. Compensa, neste caso, contrair o financiamento para pagar a dívida”, ressalta.
Por último, o diretor do Procon recomenda prudência, neste momento do ano. “Ao ver algo na vitrine, é sempre bom se perguntar: ‘preciso disso realmente, agora’? ‘Tenho condições de comprar ou de assumir esta parcela agora?’. Se as respostas forem afirmativas, vá em frente. Porém, se uma delas for negativa, é bom pensar um pouco mais. Na pior das hipóteses, ou seja, ter de comprar ou contrair a dívida, mesmo assim, não se esqueça daquela ‘velha amiga’ do consumidor: a pechincha”, conclui Machado.
Enquete
Para saber o que a população faz para evitar o endividamento no começo do ano, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana. Todos os entrevistados afirmam que têm estratégias para escapar das dívidas do começo do ano. "Para evitar o endividamento, em novembro faço uma reserva para juntar ao 13º salário e quitar as contas à vista, pois assim consigo o maior desconto possível", disse a agente de saúde, Ana Paula dos Santos Brito Marra. Confira as respostas na íntegra:
Inadimplência no Brasil desacelerou em 2012
Embora o consumidor brasileiro ainda não esteja entre os mais exemplares no mundo, um levantamento feito pela da Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), demonstra que a inadimplência fechou o ano passado com alta acumulada de pouco mais de 4%.
A desaceleração da inadimplência é muito significativa para o país e pode até representar o surgimento de um novo tipo de consumidor brasileiro. Em 2011 a alta acumulada era de 22% em relação a 2010.
O indicador é calculado a partir das inclusões e exclusões de inadimplentes no SCPC, serviço que é atualizado diariamente por mais de 30 mil credores de todo o país, entre bancos, varejistas e administradoras de cartão de crédito.
Os números da Boa Vista mostram ainda que a inadimplência desacelerou no país a partir de maio. "Este foi um ano em que as condições de emprego e renda e de baixa dos juros persistiram. Mas mais significativo do que a Selic foi a baixa das taxas de juros para o consumidor final e a busca pelo acerto das contas por parte dos inadimplentes", destaca Fernando Cosenza, diretor de inovação e sustentabilidade da Boa Vista Serviços.
2013
A Boa Vista avalia que o indicador de inadimplência deverá continuar perdendo força em 2013. "A tendência é de desaceleração, chegando eventualmente em zero talvez já no segundo trimestre de 2013", projeta Cosenza.
Pelas estimativas da administradora do SCPC, menos de 30% da população economicamente ativa do Brasil encontra-se atualmente inadimplente.
O diretor da Boa Vista acredita que o crescimento da base de consumidores com acesso à crédito, a maior oferta por parte dos bancos e o cenário de juros baixos contribuirão para um comprometimento menor da renda e um recuo do número de brasileiros inadimplentes.
"A consciência de ter controle sobre o orçamento chegou para o brasileiro. Agora o que falta é a prática", completa.
Veja o passo a passo para colocar as contas em dia
Organize o orçamento
Coloque no papel o valor total da renda e as contas fixas a pagar
Elimine gastos excessivos
Reduza o consumo de água, luz, telefone e veja em quais outras contas é possível economizar
Consiga a cooperação da família
Faça uma reunião de orçamento com todos da casa, inclusive com as crianças
Utilize o crédito consignado
Se não for possível evitar o empréstimo, contrate um crédito com desconto na folha de pagamento, que é mais barato
Pague à vista e peça desconto
Evite parcelar as compras para não ter de pagar juros
Defina seus objetivos de consumo
Descubra o que cada membro da casa quer comprar, como um televisor novo, um videogame ou um carro
Cuidado com cheque e cartão
Não entre no rotativo do cartão e nunca pague apenas a parcela mínima. Utilize o limite do cheque só em caso de emergência
Descubra qual é o perfil de comportamento financeiro da família
Poupadora
É a família que sabe quanto gasta, consegue economizar parte do que ganha e tem reservas para emergências
Equilibrada
Não poupa nem acumula dívidas, gasta tudo o que recebe. Esse tipo de família se endivida com facilidade
Endividada
Consegue pagar suas dívidas e parcelas, mas gasta muito com juros
Inadimplente
Gasta mais do que recebe e não consegue pagar as dívidas
Fontes: Reinaldo Domingos, educador e terapeuta financeiro, e economista Carlos Henrique de Almeida, da Serasa Experian, e Flavio Calife, da Boa Vista Serviços