A Cracolândia, em São Paulo: internações involuntárias para usuários de drogas começam na próxima segunda-feiraOgovernador Geraldo Alckmin anunciou na última terça-feira, 15 de janeiro, que as internações involuntárias de dependentes químicos terão início na próxima segunda-feira, dia 21.
Segundo Alckmin, o Brasil vive um grande problema de saúde pública, com milhares de pessoas com dependência química. "O principal problema é o crack. Combate ao tráfico é função da polícia. Além de combater, temos que tratar os doentes”, afirmou Alckmin em entrevista concedida em Santos.
“Combinamos com o Poder Judiciário que, para casos muito graves, será feita a internação involuntária. Às vezes a pessoa está tão mal que ela não tem condição de decidir. Não vamos deixar a pessoa morrer na rua", ressaltou.
Ainda de acordo com o governador, o trabalho vai começar pela região central de São Paulo, área em que está localizada a Cracolândia, e depois deve se expandir para outras localidades. "O trabalho começa na segunda-feira no Bom Retiro, com a presença de um juiz, um pro-motor, e a presença da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além da equipe médica com psicólogo, enfermeiro, médicos e psiquiatras. Tudo será gratuito", completa.
Atuação em parceria
No dia 11 de janeiro, Geraldo Alckmin assinou termos de cooperação técnica com o Tribunal de Justiça de São Paulo, Ministério Público e Ordem dos Advogados de Brasil (OAB) para apressar a internação de dependentes de crack.
O convênio prevê a instalação de um anexo do Tribunal de Justiça no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), no Bom Retiro, região central da cidade. Promotores, juízes, advogados e profissionais de saúde trabalharão em regime de plantão, das 9h às 13h, para atender medidas de urgência em casos de necessidade de internação compulsória ou involuntária.
O atendimento a familiares de dependentes de crack já era feito antes em alguns bairros. A novidade é a centralização do serviço e a integração entre governo, Ministério Público e Tribunal de Justiça para atender mais rapidamente os familiares dos dependentes.
Segundo o governo, os viciados serão avaliados por médicos, que vão oferecer tratamento adequado.
Se for atestado que o usuário não tem domínio da sua própria saúde e condição física e ele se negar a receber tratamento, o juiz poderá determinar sua internação imediata. A medida deverá ser tomada sempre em conjunto com a família do viciado.
"Não haverá participação da Polícia Militar para recolher as pessoas em estado de drogadição. Se a pessoa estiver jogada na rua convulsionando será chamada a ambulância do Samu ou do Cratod. A pessoa será levada para um pronto-socorro”, afirma.
“Depois de medicada pode ser que o médico entenda necessária a internação. O médico encaminhará o caso para o Cratod onde haverá psiquiatras e outros agentes de saúde que emitirão parecer que será então submetido ao Ministério Público e aos advogados para depois vir a decisão judicial. A polícia não participará desse processo", afirmou a secretária de Justiça Eloísa Arruda.