SAϿ�DE

A médica ituveravense, Flávia Ignácio da Silva
28/01/2013

MÉDICA ITUVERAVENSE ALERTA SOBRE OS PERIGOS DO GLAUCOMA


Flavia Ignácio da Silva lembra que doença é silenciosa, irreversível e pode levar à cegueira

Silencioso e irreversível, o glaucoma é uma doença crônica que afeta o nervo óptico e pode até levar à cegueira. O maior perigo é que os sintomas, como a piora na visão, aparecem apenas quando a doença já está em estágio avançado. Um dos meios de se evitar os perigos do glaucoma, alerta a médica ituveravense Flávia Ignácio da Silva, é fazer consultas de rotina, especialmente após os 40 anos.

A oftalmologista Flávia Ignácio da Silva, hoje residente em São Paulo, é especialista em glaucoma, tendo abordado o tema em uma reportagem de dezembro no jornal paulistano Gazzetta DItália.

Em entrevista à Tribuna de Ituverava, Flávia diz que o glaucoma, geralmente é causado quando a pressão intra-ocular (pressão ocular) está alta, na maioria das vezes dá sinais somente quando a pessoa já apresenta perda da visão. "O diagnóstico de glaucoma pode ser feito em uma consulta de rotina, quando são solicitados exames mais específicos para a doença", explica.

“Depois de se medir a pressão ocular e observar o fundo do olho, onde se encontra o nervo ótico, o especialista pode pedir alguns exames específicos, como o campo visual, a foto do nervo e outros que também ajudam a fechar o diagnóstico”, destaca.

Ainda segundo ela, é possível deter a perda da visão com o tratamento e, em casos mais graves, com cirurgias. "Na maioria dos casos, o tratamento é feito com a o uso de um ou mais colírios para abaixar a pressão intra-ocular. Já a cirurgia de glaucoma é realizada em casos mais avançados ou naqueles que já não respondem bem ao tratamento com colírios", ressalta.

“No entanto, é importante lembrar que o glaucoma não regride. O tratamento é feito para segurar a visão existente ou para que a perda seja lenta, pois às vezes ela é muito rápida”, conta.

Consultas com oftalmologista podem detectar várias doenças
Flávia alerta que fazer uma consulta com oftalmologista uma vez ao ano é fundamental para garantir boa saúde ocular. “É preciso ir regularmente ao médico, principalmente após os 40 anos, independente de a pessoa achar se a visão ainda está boa ou não, pois como já foi dito, o glaucoma e outras doenças oftalmológicas podem ter manifestações tardias", destaca.

A médica alerta que embora o glaucoma seja hereditário, não se pode descartar a possibilidade da doença mesmo em quem não tem casos em família. "Se há uma suspeita, ela deve ser investigada", recomenda Flávia.

Formas de manifestação
Assim como pessoas que não têm um familiar portador da doença, quem não tem a pressão intra-ocular alta também pode ser vítima do glaucoma. “Acho importante lembrar que existe o glaucoma de pressão normal que pode lesar o nervo óptico”, observa a médica.

“Também existem crianças que nascem com a doença, o glaucoma congênito, ou que manifestam a doença alguns anos mais tarde, o glaucoma juvenil”, ressalta.

O que muita gente não sabe é que o glaucoma também pode ser causado pelo uso de corticóide. "Alguns indivíduos acabam desenvolvendo o glaucoma durante um tratamento com esta classe de remédios, muito usados em bombinhas para asma, por exemplo”, conta.

Perda de visão
Ao contrário de outras doenças, o glaucoma afeta, principalmente, a visão periférica. “A perda de visão é tabular, ou seja, a pessoa enxerga o que está na frente, mas vai perdendo a visão periférica. Quando ela percebe, é porque a visão tubular já está fechando”, conta.

A médica
Flávia Ignácio da Silva, 38 anos, é formada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), especializada em Oftalmologia na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com aperfeiçoamento em glaucoma na mesma instituição.

Ela, que é membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, atua na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Hospital IGESP e em sua clínica particular.

A médica é casada com o engenheiro e advogado Virgílio Bataglia Neto e tem os filhos Pedro e Isabel. Ele é filha do funcionário público estadual aposentado, Eurípedes Ferreira da Silva ("Pinho") e da professora aposentada Valda Ignácio da Silva e tem o irmão Guilherme Ignácio da Silva, casado com Érica Gonçalves de Castro.



Alguns tipos de glaucoma




Glaucoma crônico do ângulo aberto

Ocorre em 80% dos casos e não apresenta sintomas no início. No entanto, se não for tratado precocemente, o paciente pode perder totalmente a visão com o passar dos anos.

Glaucoma agudo ou de ângulo fechado
Um olho normal sofre aumento grande e repentino da pressão intra-ocular, causando dor ocular tão intensa que, em geral, provoca crises de vômito.

Caso de emergência clínica. Pessoas com esse tipo de glaucoma apresentam aumento súbito da pressão ocular. Os sintomas incluem dor intensa e náusea, assim como vermelhidão ocular e visão embaçada. Sem tratamento, o paciente pode ficar cego em apenas um ou dois dias.

Glaucoma de pressão normal
Nesse tipo de glaucoma, o dano ao nervo óptico e o estreitamento da visão lateral ocorrem inesperadamente em pessoas com pressão intra-ocular normal.

Tanto nos casos de glaucoma de ângulo aberto como de pressão normal, raramente o paciente apresenta sintomas bem definidos, como dor nos olhos ou a redor deles e alteração da visão.

O glaucoma pode levar meses e até anos para se desenvolver, sem apresentar qualquer alteração. Na maioria dos casos, a doença progride lentamente, sem que o paciente note a perda gradual da visão periférica. Normalmente, a visão vai piorando das laterais para o centro do campo visual.

Glaucoma secundário
Glaucoma decorrente de outras doenças. Em certos casos, estão associados com cirurgia ocular ou cataratas avançadas, lesões oculares, alguns tipos de tumor ou uveíte (inflamação ocular). Da mesma forma, os corticosteroides, usados para tratar inflamações oculares e outras doenças, podem desencadear o glaucoma em algumas pessoas se usados indiscriminadamente.

Glaucoma congênito
A criança que nasce com glaucoma, geralmente apresenta sintomas característicos, como olhos embaçados, sensibilidade à luz, lacrimejamento excessivo, globo ocular aumentado e córnea grande e opacificada. O pediatra pode fazer este diagnóstico. Essas alterações são decorrentes do aumento da pressão intra-ocular que pode acontecer já durante a gestação. O tratamento sugerido é a cirurgia, que caso seja feita precocemente pode apresentar bons resultados.



Fatores de risco para desenvolver a doença




Idade: as pessoas têm mais chance de desenvolver a doença depois dos 40 anos



Etnia: estudos mostram que indivíduos da raça negra têm mais predisposição para a doença



Histórico familiar: caso uma pessoa tenha caso de glaucoma na família, tem 30% a mais de chance de desenvolver a doença



Miopia: pessoas com alto grau de miopia têm tendência maior para desenvolver o glaucoma