O secretário Municipal da Saúde, Wagner Benedeti, discursa durante reunião na AFMI Embora muitas pessoas não acreditem, a dengue é uma doença muito séria que causa extremo desconforto físico e pode, inclusive, levar à morte. Independente de raça, religião ou classe social, qualquer um está propenso a contrair a dengue, portanto, é dever de cada cidadão manter o seu quintal limpo, para que assim evite colocar em risco a sua vida, a de seus familiares e vizinhos.
Recentemente, a doença ganhou mais força na região. Um homem de 48 anos morreu em Uberaba, vítima da doença e uma adolescente, de 15 anos, também pode ter sido vítima fatal da dengue hemorrágica em Franca. Ituverava já vive uma epidemia.
Devido à seriedade da situação da dengue na cidade, a Prefeitura de Ituverava, através da Secretaria Municipal da Saúde, convocou na última terça-feira, 29 de janeiro, uma reunião com autoridades para formar um Comitê de Combate à Dengue e discutir sobre formas de acabar com a epidemia da doença. Até a última quinta-feira, havia registrado 674 notificações, das quais 185 são positivas.
O evento foi realizado na Associação dos Funcionários do Município de Ituverava (AFMI), com a participação de representantes dos poderes Executivo e Legislativo; da áreas da Saúde; Educação; empresas; instituições e entidades, e imprensa.
O secretário Municipal da Saúde, Wagner Benedetti explicou que a limpeza na cidade foi intensificada, o que contribuirá para a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, no entanto, alerta que a epidemia apenas será vencida se todos fizerem sua parte. "A administração anterior deixou a cidade em uma situação lamentável, com as ruas e terrenos com muita sujeira e mato. É por isso, que estamos nesta situação, com números tão altos", afirma.
Benedetti
"Um dos intuitos da reunião é traçar novos projetos e ações para serem desenvolvidos no combate ao Aedes aegypti. Porém, vale salientar que a dengue só será combatida se esses projetos saírem do papel e forem realmente executados", ressalta.
Sucen
A diretora regional da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), Catarina Prates Alves, afirma que a principal arma no combate à dengue não é o inseticida, mas a eliminação dos criadouros do mosquito transmissor. "A população deve evitar o acúmulo de água, desde tampinhas de refrigerante até caixas dágua", afirma.
"Também é importante lembrar que é preciso atenção especial entre os meses de julho e dezembro, porque nesse período muitas pessoas descuidam da limpeza de casas e quintais, o que mais tarde acaba se tornando criadouros, quando chegam as chuvas de janeiro", destaca.
A assessora especial da Saúde, Cláudia Maria Carreira Frata, lembra que a população tem uma parcela de responsabilidade no combate à dengue. "Muitos deixam de cuidar de suas casas, porque acreditam que é dever apenas do Poder Público, mas isso é um equívoco. Cada um deve fazer a sua parte, pois apenas a equipe da Saúde não conseguirá acabar com os criadouros", completa.
Diretora regional da Sucen fala sobre importância das ações
A diretora regional da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), Catarina Prates Alves também anunciou na reunião de terça-feira, que um novo equipamento de combate à dengue deve chegar a Ituverava em breve. "É uma máquina mais poderosa que pulveriza o inseticida. Porém, para que o resultado seja positivo, peço, desde já, apoio dos ituveravenses, permitindo que a equipe entre em suas residências para aplicar o veneno", diz.
"É preciso desenvolver trabalhos emergenciais e seqüenciais. O primeiro visa acabar com a epidemia que a cidade enfrenta, e segundo é conscientizar a população para eliminar criadouros e permitir que a equipe da Saúde entre em suas casas, para fazer vistorias regulares", observa Catarina.
Ela ainda alerta que o alto número de casos não deve ser a única preocupação dos ituveravenses. "Vale lembrar que a dengue tipo 4 chegou ao Estado de São Paulo e já está na região. É uma nova forma da doença, que pode se espalhar rapidamente, já que qualquer pessoa está propensa a contrair a doença, mesmo as que já tiveram outros tipos de dengue", enfatiza.
Divisão de grupos
Durante a reunião, os representantes de PSFs, escolas, instituições e entidades foram divididos em grupos, de acordo com o bairro em que atuam. Também foi criado o grupo de comunicação, formado por representantes dos veículos da imprensa local; o grupo da Câmara Municipal, formando por vereadores; e um grupo constituído pelas Secretarias Municipais de Obras e Serviços Urbanos; Meio Ambiente, Secretária do Bem-Estar e Integração Social, além da Vigilância Sanitária e Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram).
Cada grupo se reuniu, elaborou ações para combater a doença e, em seguida, as apresentou às autoridades. Uma nova reunião para discutir as ações apresentadas será marcada em breve.
Saiba quais são os tipos de dengue e os seus sintomas
A dengue pode se apresentar – clinicamente – de quatro formas diferentes: Infecção Inaparente, Dengue Clássica, Febre Hemorrágica da Dengue e Síndrome de Choque da Dengue. Confira cada tipo de dengue e os seus sintomas.
Infecção Inaparente
A pessoa está infectada pelo vírus, mas não apresenta nenhum sintoma da dengue. Nesse caso, a grande maioria das infecções da dengue não apresenta sintomas. Acredita-se que de cada dez pessoas infectadas apenas uma ou duas ficam doentes.
Dengue Clássica
A Dengue Clássica é a forma mais leve da doença e semelhante à gripe. Geralmente, inicia de uma hora para outra e dura entre 5 a 7 dias. A pessoa infectada tem febre alta (39° a 40°C), dores de cabeça, cansaço, dores muscular e nas articulações, indisposição, enjôos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal (principalmente em crianças), entre outros sinto-mas.
Os sintomas da Dengue Clássica duram até uma semana. Após este período, a pessoa pode continuar sentindo cansaço e indisposição.
Dentre a Dengue Clássica, existem quatro tipos da doença (1, 2, 3 e 4), sendo o mesmo tipo de vírus, mas com quatro variações, que causam os mesmos sintomas.
A diferença é que, cada vez que você pega um tipo do vírus, não pode mais ser infectado por ele. Ou seja, na vida, a pessoa só pode ter dengue quatro vezes”, explica o consultor de dengue da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ivo Castelo Branco.
No entanto, quando uma pessoa pega a Dengue Clássica mais de uma vez, ela pode evoluir para a Dengue Hemorrágica ou até para a Síndrome de Choque da Dengue. Caso uma pessoa tenh a dengue quatro vezes, certamente os sintomas serão cada vez mais intensos.
Dengue Hemorrágica
A Dengue Hemorrágica é uma doença grave e se caracteriza por alterações da coagulação sanguínea da pessoa infectada. Inicialmente se assemelha à Dengue Clássica, mas, após o terceiro ou quarto dia de evolução da doença, surgem hemorragias em virtude do sangramento de pequenos vasos na pelo e nos órgãos internos. A Dengue Hemorrágica, que é muitas vezes a evolução da Dengue Clássica, pode provocar hemorragias nasais, gengivais, urinárias, gastrointestinais ou uterinas.
Na Dengue Hemorrágica, assim que os sintomas de febre acabam a pressão arterial do doente cai, o que pode provocar tontura, queda e choque. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte.
Síndrome de Choque da Dengue
Esta é a mais séria apresentação da dengue e se caracteriza por uma grande queda ou ausência de pressão arterial. A pessoa acometida pela doença apresenta um pulso quase imperceptível, inquietação, palidez e perda de consciência. Neste tipo de apresentação da doença, há registros de várias complicações, como alterações neurológicas, problemas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural.
Entre as principais manifestações neurológicas, destacam-se: delírio, sonolência, depressão, coma, irritabilidade extrema, psicose, demência, amnésia, paralisias.
Sintomas da dengue (nem sempre são apresentados todos os sintomas)
-Febre aguda com duração de até 7 dias
-Dor de cabeça
-Dor atrás dos olhos
-Dores musculares
-Dores nas juntas
-Prostração
-Vermelhidão no corpo
Sinais de alerta da dengue hemorrágica
-Dor abdominal intensa e contínua
-Agitação ou letargia
-Vômitos persistentes
-Pulso rápido e fraco
-Hepatomegalia dolorosa
-Extremidades frias
-Derrames cavitários
-Cianose
-Sangramentos
-Lipotimia
-Hipotensão arterial
-Sudorese profusa
-Hipotensão postural
-Aumento repentino do hematócrito
-Diminuição da diurese
-Melhora súbita do quadro febril até o 5° dia
-Taquicardia
Mutirão de combate à dengue começou na última quarta-feira
Devido à epidemia de dengue já instalada em Ituverava, a Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) e as Secretarias Municipais de Obras e Serviços Urbanos e da Saúde reformularam os planos de limpeza do município e ampliaram suas ações. Teve início, na última quarta-feira, 30 de janeiro, o Mutirão de Combate à Dengue, que deve cobrir toda a cidade até o dia 18 de fevereiro.
A equipe da Secretaria de Obras realizará a limpeza dos terrenos, das vias públicas e dos bueiros. Em seguida, a equipe da Saúde, coordenada pelos técnicos da Sucen, percorrerá os imóveis para providenciar a retirada dos criadouros. Dessa forma, a região deverá estar limpa para a aplicação do inseticida.
Também visando o combate à dengue, a Prefeitura de Ituverava contratou mais agentes de saúde e noves pessoas, que estão divididas em trios, para a aplicação do inseticida.
Segundo a diretora regional da Sucen, Catarina Prates Alves, o inseticida a ser aplicado é o único realmente eficaz na eliminação do mosquito, mas ele não elimina as larvas e os ovos. “Dessa forma, é necessário que as pessoas também façam sua parte”, explica.
“A aplicação será feita por outro tipo de bomba e as pessoas deverão, durante a passagem, manter portas e janelas abertas para que o produto entre no interior das residências e elimine os mosquitos adultos”, ressalta.
Mutirão contra a dengue
O cronograma dos mutirões foi determinado por regiões, sendo que o trabalho de limpeza e retirada de criadouro já foi concluído na Vila São Jorge, Parque dos Esportes e Jardim Guanabara.
As próximas regiões serão: Jardim Independência e arredores do campo da Associação Atlética Ituveravense (região 3); arredores da Rua Abrahão Diniz, no sentido Nosso Teto Parque das Nações e Cohab/Cecap (região 4); Nosso Teto (região 5); Benedito Trajano Borges (região 6); Jardim Marajoara e arredores do antigo Poli (região 7); Alto da Estação e Parque do Trevo (região 8); Centro e arredores da Avenida Dr. Soares Oliveira, no sentido Praça Dez de Março (região 9) e região da represa e Avenida Dr. Paulo Borges de Oliveira (região 10).
Adolescente morre em Franca com suspeita de dengue hemorrágica
Uma jovem de 15 anos, Guiliane Hemana, morreu na última terça-feira, 29 de janeiro, em Franca. A suspeita, segundo a Secretaria da Saúde da cidade, é que o óbito tenha sido causado por dengue hemorrágica.
Por volta das 16h da última terça-feira, a adolescente deu entrada no Hospital Regional, em Franca, apresentando dores fortes de cabeça, vômitos, diarréia e manchas pelo corpo.
O quadro de saúde da garota piorou e ela faleceu por volta das 19h30. Os médicos suspeitaram da dengue hemorrágica e solicitaram exames que poderão comprovar a doença.
Os exames estão sendo realizados no Instituto Adolpho Lutz, de São Paulo, e deverão ficar prontos em breve. O corpo de Guiliane foi sepultado às 15h da última quarta-feira, 30 de janeiro, no Cemitério Jardim das Oliveiras.
Uberaba
Um morte causada por dengue hemorrágica também foi confirmada em Uberaba (MG). A vítima foi um homem de 48 anos, que faleceu no dia 14 de janeiro. A informação foi divulgada pelo secretário de saúde da cidade, Fahim Miguel Sawan, que recebeu os exames da Fundação Ezequiel Dias (Funed). Antes, o homem havia sido diagnosticado com febre hemorrágica e leptospirose pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).