Objetivo é apurar a relação com incêndio que causou 238 mortes. Duas pessoas relataram uso indevido de extintor na boate em Santa Maria.A Polícia Civil tenta localizar um jovem que teria usado indevidamente em dezembro um extintor de incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, informou nesta quarta-feira (6) em entrevista coletiva o delegado Sandro Meinerz, da 1ª Delegacia de Polícia da cidade da Região Central do Rio Grande do Sul, que investiga o caso. O objetivo é apurar a relação com o incêndio na casa noturna na madrugada de 27 de janeiro, que causou 238 mortes, já que, segundo relatos, o equipamento não funcionou quando o fogo se originou.
"Há uma informação de que outra pessoa tentou manusear indevidamente. Estamos tentando localizar esta pessoa", disse o delegado. Segundo ele, o segurança que disse ter tentado acionar o equipamento quando o fogo iniciou já prestou depoimento.
O G1 conversou com duas pessoas que afirmaram ter visto o equipamento sendo usado sem necessidade. Uma das testemunhas foi o músico e veterinário João André de Salles, de 52 anos. Morador de Caxias do Sul, na Serra, ele conta que foi à boate Kiss na noite de 1ª de dezembro do ano passado para tocar saxofone na banda de rock e MPB Fabrício Beck Trio.
"Estávamos no meio do show quando vi uma fumaça branca e até achei que fossem fogos, pois não conhecia a casa. Olhei para a plateia e vi um garoto lançando o (pó do) extintor nos amigos. O repreendi visualmente, e ele ficou meio constrangido e largou o extintor, mas ficou rindo com os amigos", contou.
Outro jovem, que não quis se identificar, deu um relato semelhante. Ele não lembra a data, mas afirma que o fato ocorreu há cerca de dois meses. "Ele pegou o extintor da parede, brincando, e soltou aquele pó químico. Uns rapazes trocaram empurrões com ele, e eu saí de perto. Aí chegaram dois seguranças na direção dele, mas não vi o que aconteceu depois", afirmou.
Na semana passada, o G1 conversou com o proprietário da empresa Previne Equipamentos de Proteção, Carlos Alberto Webber. Ele garantiu ter fornecido cinco extintores recarregados e lacrados para a boate Kiss em outubro do ano passado.
Entenda
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, deixou 238 mortos na madrugada do último domingo (27). O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco. De acordo com relatos de sobreviventes e testemunhas, e das informações divulgadas até o momento por investigadores:
- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso.
- Era comum a utilização de fogos pelo grupo.
- A banda comprou um sinalizador proibido.
- O extintor de incêndio não funcionou.
- Havia mais público do que a capacidade.
- A boate tinha apenas um acesso para a rua.
- O alvará fornecido pelos Bombeiros estava vencido.
- Mais de 180 corpos foram retirados dos banheiros.
- 90% das vítimas fatais tiveram asfixia mecânica.
- Equipamentos de gravação estavam no conserto.
Fonte: g1.globo.com