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Justiça negou ação civil pública contra aumento de imposto na cidade. Promotoria e moradores consideram reajuste como inconstitucional.
05/03/2013

GRUPOS DE RIBEIRÃO VÃO RECORRER DE EXTINÇÃO DE AÇÃO CONTRA IPTU MAIOR




Grupos de moradores de Ribeirão Preto (SP) pretendem recorrer da decisão do juiz Julio Cesar Spoladore Dominguez que negou a abertura de uma ação civil pública para derrubar o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) na cidade. O magistrado alegou na sentença que questões tributárias não podem ser discutidas no tipo de ação ajuizada pelo Ministério Público.

O empresário e presidente da Associação de Moradores do bairro Lagoinha, Marcus Vinícius Moreira de Carvalho, afirmou que pretende procurar o promotor da Cidadania Sebastião Sérgio da Silveira ainda esta semana e pedir o envio de um recurso ao Tribunal de Justiça. “Isso é uma decisão que nós tínhamos como possível, mas não como provável”, diz ele.

A advogada Raquel Bencsik Montero disse que respeita a autonomia do juiz para decidir, mas que o grupo considera a sentença injusta. Para ela a lei que instituiu o reajuste no IPTU desrespeita a justiça social e tributária. “Como nós não concordamos [com a sentença], nós vamos apoiar o recurso. A lei é inconstitucional e deve ser revogada”, concluiu Raquel.

O MP ainda não foi notificado sobre a decisão.

A ação
A ação encaminhada pelo promotor da Cidadania Sebastião Sérgio da Silveira também foi assinada pela Defensoria Pública, Federação das Associações de Bairro de Ribeirão Preto (Fabarp) e pela Associação dos Moradores da Lagoinha. Eles defendem que o aumento do IPTU é inconstitucional porque foi aplicado de maneira desigual e distorcida em Ribeirão.

De acordo com o promotor, imóveis em bairros populares tiveram valorização superior a de bairros de maior poder aquisitivo e a revisão da Planta Genérica – base de cálculo do imposto - não foi aplicada a terrenos. Além de anular a validade da lei, a ação pedia a restituição do que foi pago pelos contribuintes no começo deste ano.

Aumento no IPTU
O reajuste do imposto está previsto em uma lei municipal encaminhada pela Prefeitura e aprovada no fim de 2012 pela Câmara que atualiza a Planta Genérica de Valores (PGV) – que ficou desatualizada por 11 anos - e prevê aumento de até 130% no IPTU deste ano. O texto votado no Legislativo foi baseado em um estudo do mercado realizado pelo Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci).

Mesmo com o descontentamento popular, com protestos na Câmara e na Prefeitura, o novo IPTU entrou em vigor este ano e gerou uma investigação do Ministério Público que resultou na ação civil pública indeferida pela Justiça.

Fonte: g1.globo.com(EPTV)