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Veterinária Larissa Fiod de Oliveira Mendonça, proprietária da Clínica Casinha do Cachorro
18/03/2013

INCIDÊNCIA DE ERLIQUIOSE CRESCE NOS CONSULTÓRIOS VETERINÁRIOS


Devido à época do ano, “doença do carrapato” volta a acometer cães de estimação

Uma doença bastante conhecida no meio veterinário volta a ameaçar cães de estimação, neste verão. A erliquiose (doença do carrapato) é infecciosa severa que acomete os cães, causada por bactérias do gênero Ehrlichia, sendo a principal a Ehrlichia canis. Sua incidência vem aumentando significativamente nos últimos anos, em todas as regiões do Brasil.

“Novamente, a erliquiose está em alta, nos consultórios de veterinários”, afirma a veterinária Larissa Fiod de Oliveira Mendonça, proprietária da Clínica Casinha do Cachorro. “Para se ter uma idéia, a cada dez casos atendidos, sete seguramente são da doença”, acrescentou.

O principal vetor da enfermidade é a espécie carrapato marrom hospedeiro no cão (Rhipicephalus sanguineus). No entanto, a infecção poderá ocorrer no momento de transfusões sangüíneas e através de agulhas ou instrumentos contaminados. O mesmo carrapato pode transmitir a babesiose, que em algumas situações pode ocorrer juntamente com a erliquiose.

“Com o tratamento adequado, as chances de o animal ser salvo são grandes. Entretanto, ele deve ser iniciado logo quando surgirem os primeiros sintomas da doença”, complementou a veterinária.

Sinais da doença podem ser divididos em três fases
Os sinais clínicos podem ser divididos em três fases: aguda (início da infecção), subclínica (geralmente assintomática) e crônica (nas infecções persistentes).

Nas áreas endêmicas, observa-se freqüentemente a fase aguda da doença caracterizada por febre – 39,5 a 41,5 C –, perda de apetite, peso e fraqueza muscular. Menos freqüentemente observam-se secreção nasal, perda total do apetite, depressão, sangramentos pela pele, nariz e urina, vômitos, dificuldade respiratória ou ainda edema nos membros. Este estágio pode perdurar por até 4 semanas e, ocasionalmente pode não ser percebido pelo proprietário.

A fase subclínica é geralmente assintomática, podendo ocorrer algumas complicações tais como depressão, hemorragias, edema de membros, perda de apetite e palidez de mucosas.

Caso o sistema imune do animal não seja capaz de eliminar a bactéria, o animal poderá desenvolver a fase crônica da doença. Nesta fase, a doença assume as características de uma doença autoimune, com o comprometimento do sistema imunológico.

Fase aguda pode ter doenças secundárias
Geralmente, o animal apresenta os mesmos sinais da fase aguda, porém atenuados, e com a presença de infecções secundárias tais como pneumonias, diarréias, problemas de pele dentre outras. O animal pode também apresentar sangramentos crônicos devido ao baixo número de plaquetas (células responsáveis pela coagulação do sangue), ou cansaço e apatia devidos à anemia.

“Vale a pena lembrar que a doença é uma zoonose. Apesar de até hoje não existirem evidências de que a E. canis possa ser transmitida para o homem, existem outras espécies de Ehrlichia que podem ser transmitidas, pelo carrapato, para os cães e para o homem. Os casos de Erliquiose humana vêm aumentando muito em países como os Estados Unidos. No Brasil, esta doença ainda é pouco diagnosticada em humanos”, concluiu Larissa.