Terapia em grupo: no destaque, a socióloga e terapeuta Eurídice Bergamaschi Vicente Famosa por promover terapias em grupo – com altíssimo índice de cura – a socióloga e terapeuta Eurídice Bergamaschi Vicente está atendendo em Ituverava. Formada em Ciências Sociais e em Educação pela Unicamp, ela trabalha com Terapia Familiar Sistêmica, Constelação Sistêmica, Terapia Comunitária, Terapia de Assistência ao Luto, e Desenvolvimento de Equipes em Escolas e Empresas.
Dra. Eurídice atenderá em consultório na Multiclínica, que fica à Rua Cel. José Bernardino Ferreira, 576 (ao lado da Santa Casa), de segunda a quarta-feira, através de agendamento prévio, pelo telefone 3839-1527.
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, a terapeuta falou sobre as relações humanas, e apontou “pontos negativos” da internet. “Sem dúvida, a tecnologia digital contribuiu para encurtar distâncias, para encontrar pessoas e facilitar a vida em vários aspectos. Entretanto, ela pode apresentar lados negativos, como promover o isolamento, banalizar os valores, favorecer a individualização em detrimento do compartilhado, afastar pessoas do convívio social e tantas outras conseqüências de seu uso inadequado”, ressaltou.
Dra. Eurídice ressalta ainda que, no mundo virtual, a essência das pessoas fica em um plano subliminar “onde residem as emoções”, mas que podem ser facilmente camufladas em meio às palavras e friamente digitalizadas, empobrecendo a comunicação.
“Dessa forma, o amor vivido de forma virtual pode carecer de sua mais sublime e completa forma de expressão: sem o ‘aqui’ e ‘agora’ físicos, perde-se teor e calor. Teclado não filtra as emoções do olhar, dos gestos, da respiração e, quando nos comunicamos pessoalmente, nosso corpo também se manifesta, e desta forma, o poder interativo atinge sua forma plena. Extremos não são bons, diz o ditado: ‘nem 8, nem 80’. A saúde está no meio termo, em saber dosar real e virtual a favor do ser humano, de seus ambientes e seus relacionamentos”, diz a terapeuta.
Artigo
No início da semana, a terapeuta enviou um artigo sobre relações humanas, à redação da Tribuna de Ituverava, que o jornal reproduz, na íntegra, abaixo:
E A FAMÍLIA, COMO VAI?
Quando duas pessoas se unem, no lado social, tudo é festa e alegria porque o “bom”, o “melhor” de ambas as partes envolvidas se fazem presentes (teoricamente), sob todos os aspectos. A união, porém, une não só o que os convidados assistem por meio da troca de alianças; une-se a partir daquele gesto, de um se tornar alma gêmea do outro, famílias, histórias, desejos, hábitos, culturas, valores, interesses enfim, permeados pelos “n” ambientes em que cada um dos dois se insere.
Viver tudo isto, por meio da aliança, pode não ser tão “festivo” quanto parece. No dia a dia, os empecilhos, as diferenças, a aceitação, e sobretudo, a necessidade de diálogo sobre o que cada um sente na nova situação, vai mostrando a cara e pedindo por espaço e tempo para reflexão compartilhada.
Como se não bastassem as dificuldades do cotidiano, que se apresentam quer seja em forma do já sabido (nossos diversos papéis) ou do inesperado ( doenças, dificuldades financeiras, problemas relacionais, drogas, traição, morte, desemprego, alcoolismo, depressão e por aí a fora), todo ser humano, enfrenta ainda, as mudanças inerentes ao próprio processo evolutivo da nossa espécie, conhecido por “Fases do Ciclo Vital” na literatura, a saber, Fase de Aquisição, Fase Adolescente, Fase Madura e Fase Última.
Saber o que se passa em cada uma delas, torna-se importante porque, se os pais, por exemplo, desconhecem que algo que esteja ocorrendo com os filhos, trata-se apenas de um comportamento esperado para tal Fase do Ciclo natural de evolução, estes podem equivocadamente presumir que, tem ali um problema, quando na verdade, pode ser apenas indício de que uma determinada Fase esteja precisando ser revista e melhor compreendida, via diálogo, pelas partes envolvidas. Isto vale também para a relação conjugal. Casais podem enfrentar crises, mas nem sempre um relacionamento conflituoso é necessariamente sinal de que o casamento não vai bem. É preciso saber nomear as situações e desmembrar as várias possibilidades, para conhecer de fato, onde reside o desconforto; se está ligado ao Ciclo Vital ou não o referido mal estar relacional.
Apesar de tanto os pais, quanto os filhos, terem problemas pessoais ou relacionais, uma família tem recursos próprios, dos quais pode lançar mão, para fortalecer seus laços e vínculos. Mas, sem diálogo, podem ficar perdidos por não saberem em qual direção seguir e assim, cooperar para o surgimento de medos que poderiam paralizá-los.
Vivemos um momento de individualização excessiva proporcionado pelo mundo digital e isto não ajuda as pessoas no quesito relacionamento; ao contrário, setoriza cada um dentro das próprias casas segundo seus mundinhos privados, onde pode-se compilar “vivências” virtuais desconectadas do todo pessoal.
Devido a estes motivos e tantos outros não citados, que se desdobram em inúmeros outros, é que a necessidade de cuidar das emoções geradas a partir das relações pessoais e familiares, se faz necessária para a saúde pessoal e relacional poder circular nas famílias.
Cada um de nós, casal ou não, é fruto de inúmeros outros, pelas vozes que se fazem presentes na nossa história de vida e, esses legados, se identificados, podem nos ajudar a compreender quem é que fala através de nós, em determinadas situações, podendo assim nos ajudar a desvendar nossos dilemas. Poder olhar para nossas questões pode trazer alívio, melhorar a própria saúde e gerar benefícios relacionais a seus semelhantes.
Por tudo isso que está presente nas histórias familiares, digo que faz sentido fazer um compromisso consigo mesmo, com o outro e com a família, num mundo em que se tem horário para tudo, e considerar a possibilidade de se reservar um tempo para acolher suas perguntas, inquietações, dores e desejo de estar melhor.
Quando não colocamos em palavras o que nos angustia, podemos adoecer. Se não falamos sobre o que está doendo em nós, nosso corpo fala por nós, equivocadamente, por meio de doenças. Depende de cada um de nós reverter este quadro.
O espaço terapêutico é um lugar apropriado, respeitoso, ético e sigiloso para acolher sua história, onde você e o (a) terapeuta irão co-construir juntos caminhos alternativos.
Cuidar das próprias emoções é uma atitude relacional. A pessoa que cuida de suas emoções cuida do outro e, de seus ambientes, pois quem se melhora oferece também o melhor. Só damos aquilo que temos para dar. Estamos todos inseridos em sistemas, pequenos ou grandes e uma mudança em nós, atinge outros sucessivamente e assim, damos nossa contribuição para uma família melhor e para um mundo que ajudamos a mudar a partir de nós.
Marque um horário e venha viver esta experiência de cuidar-se. Você poderá se surpreender.