CIDADE

Rodoviária de Ituverava: paredes danificadas, piso da plataformas, área de embarque e desembarque e de circulação de passageiros estão em péssimo estado: Viação São Bento tem 40 linhas por dia
27/04/2013

TRIBUNA DE ITUVERAVA PROPÕE DISCUSSÃO SOBRE NOVA RODOVIARIA


Atual Terminal Rodoviario foi construído em 1982, e sofre com abandono e depredação

Oque no passado significava modernidade, hoje é sinônimo de decadência. O prédio onde funciona o Terminal Rodoviário de Ituverava, no Largo do Rosário, sofre como com abandono, pois desde que foi inaugurada em 1982, não recebeu grande atenção dos prefeitos que passaram.

Nesta semana, a Tribuna de Ituverava esteve no local e verificou a situação. As paredes estão danificadas, precisando de reparos e pintura. O piso tanto das plataformas, área de embarque e desembarque e de circulação de passageiros está em péssimo estado. Setores do prédio onde poderiam funcionar lojas e estabelecimentos comerciais estão lacrados: são locais que sofrem com a ação de tempo e de vândalos, já que prédio tem avarias constantes de depredadores.

Os guichês de atendimento – que antes funcionavam no pavilhão superior foram transferidos para o inferior, por uma questão segurança – estão abandonados. O andar superior passou a servir de “alojamento” de andarilhos e até local para uso de drogas.

“A situação é muito ruim”, diz um usuário do terminal, que não quis se identificar. “Afinal, um Terminal Rodoviário é o cartão de visita de uma cidade e o nosso está totalmente entregue à própria sorte”, disse um usuário, que não quis se identificar.

Solução poderia ser um novo Terminal próximo do Trevo
O que fazer, então? A Tribuna de Ituverava novamente levanta esta questão para que possa ser discutida por autoridades e população.

Inaugurado em maio de 1982, na administração José Aureliano Coimbra, a Rodoviária nunca recebeu uma ampla reforma. Quem sabe já não é o momento de se estudar a viabilidade da construção de um novo Terminal Rodoviário, como ocorreu em São Joaquim da Barra?

Um local indicado por uma pessoa que tem estreito contrato com atual terminal, seria o posto desativado da Ceamel, situado entre as Avenidas Francisco Basileu Barbosa e Dr. Paulo Borges de Oliveira, próximo ao Supermercado Extra, na entrada da cidade, cuja topografia do terreno se assemelha com a instalada no Largo do Rosário e que poderia ser uma solução do problema, para a população e empresas de transporte, e para quem explora o terminal.

Para se ter uma idéia, entre o trevo e o atual terminal são seis quilômetros de distância ida e volta. Se fizermos os cálculos, apenas com os ônibus da empresa São Bento que entram na cidade cerca de 40 vezes por dia – ou seja, circulam 240 quilômetros, que representa 7.200 quilômetros por mês, e cerca de 87 mil quilômetros por ano, o que representa uma enorme despesa e tempo pedido, já que, para entrar na cidade e chegar ao atual terminal, um ônibus de passageiro gasta entre 25 e 30 minutos para fazer o trajeto (veja custo na matéria ao lado).

Outros setores também ganhariam com o novo Terminal Rodoviário
Outras questões também devem ser levadas em conta nesta discussão, como a diminuição do tráfego na Avenida Dr. Soares de Oliveira. Um ônibus – que pesa cerca de 10 toneladas – pode danificar e muito o asfalto de vias públicas. Ainda mais, sendo quarenta veículos como este, que é o número médio que trafegam pela Avenida diariamente. Além do mais, ‘desafogaria’ ao trânsito e diminuiriam os índices de poluição.

Como o movimento – de pessoas da cidade e de outras que passam pelo local – seria muito maior, o novo terminal também poderia ser explorado por empresas da cidade, como bares, bancas de revistas, lojas de presentes e vestuários, restaurante, além de peças artesanais e trabalhos elaborados pelos núcleos profissionalizantes mantidos pela Prefeitura – como os produzidos pelo Programa “Fazendo Arte”, Recriança, Curumins, Escola Profissionalizante, entre outros –, já que o local funcionaria como uma vitrine para quem passa pela cidade.

Sem dúvida, é um assunto que não pode ser mais adiado e deve ser trazido à discussão por todos os nichos da sociedade, com a participação dos Poderes Executivo e Legislativo, autoridades, empresas que exploram o terminal e, principalmente, da população, que é usuária do serviço.

Vale ressaltar que São Joaquim da Barra tinha um terminal no Centro da cidade, que passava por problemas semelhantes, mas que agora tem um amplo e moderno prédio,construído próximo à Rodovia Anhangüera. O projeto que custou cerca de R$ 7 milhões à Prefeitura é bastante elogiado pela população, por sua beleza, conforto e funcionalidade.

Sugestão
O custo para o município poderia ser zero, se a construção do novo Terminal fosse negociada com uma empresa de transporte rodoviário. A São Bento, por exemplo, teria uma enorme economia – tanto no gasto com combustível, quanto no tempo e desgaste dos ônibus.

Um levantamento feito pelo jornal mostrou que um ônibus rodoviário, ao entrar na cidade, gasta em média um quilômetro e meio por litro de diesel. Como percorre na cidade a distância de seis quilômetros, o consumo do veículo seria de quatro litros de diesel. Como o litro do combustível custa R$ 2,25 em média, o gasto, portanto, seria de R$ 9 apenas com combustível, sem citar desgaste e tempo perdido.

Como a empresa tem quarenta linhas por dia na cidade, o custo seria de R$ 360 por dia, R$ 10,8 mil por mês, e R$ 129,6 mil por ano. Seria um grande negócio para a empresa “bancar” a construção do novo prédio, bem como administrá-lo por um período negociado com a Prefeitura, que seria a responsável pela elaboração do projeto e fiscalização.

Além disso, a localização do terminal permitira que mais empresas explorassem o terminal ituveravense. “Outras viações – como a Nacional Expresso, Cometa, Gontijo entre outras – poderiam ampliar seus horários e passar a operar em Ituverava, colocando à disposição da população mais horários e destinos diversos”, defende um cidadão entrevistado pelo jornal no terminal, que também não quis se identificar.

Vereadores sugerem Complexo de Segurança no atual terminal
Caso o Terminal Rodoviário fosse transferido para outro local, discussão que está sendo proposta pela Tribuna de Ituverava, várias sugestões são aventadas para o antigo prédio. Uma delas é que ele abrigue um Complexo de Segurança, com a mudança da sede da Companhia da Polícia Militar do alto da cidade para o local, a futura instalação de um posto do Corpo de Bombeiros, bem como das Polícias Científica e do Instituto Médico Legal (IML).

A idéia foi discutida em uma reunião realizada no dia 19 de abril, entre os vereadores Daniel Ramos da Silva e Antônio Sérgio Cardoso Telles, o comandante da 3ª Cia. de Polícia Militar de Ituverava, capitão Márcio Alves Cardoso; com a perita-chefe da Polícia Científica, Cristina Wolf Evangelista, e com os médicos do IML, Luiz Alves Ferreira Avezum e Benito Morgado Santos.

Em entrevista à Tribuna de Ituverava, o vereador Daniel Ramos da Silva falou sobre a reunião. “A PM nunca teve sede própria e sempre dependeu da boa vontade do Poder Público, para ceder um espaço para sua instalação. Em 2011, a Administração cedeu área de 2,7 mil m² no pátio do atual terminal rodoviário, mas, até então, não sabíamos disso. Ao cogitarmos a possibilidade do atual terminal rodoviário abrigar outras instituições da área de Segurança, soubemos da doação”, explicou.

De acordo com Silva, os representantes das instituições mostraram bastante interesse na formação do Complexo. “Diante do desejo comum de todos, fomos procurar pela viabilidade, como o prédio e a área já havia sido doada na gestão passada para a PM, foi ‘meio caminho andado’ na empreitada burocrática que enfrentaremos, sendo necessário apenas criar matrículas individuais (endereços distintos com as devidas ligações elétricas e de água e esgoto), para cada instituição”, acrescentou o vereador.

“A transferência da Polícia Militar de seu atual prédio pertencente a Prefeitura possibilitaria a instalação de qualquer outro órgão municipal destinados pelo Executivo, bem como o prédio do IC, que também ficaria a disposição do município”, concluiu o vereador.

“Seria uma idéia excelente, pois entendemos que a instalação do Complexo de Segurança naquele local será ótimo para o Largo do Rosário, pois resgataria o Centro Histórico da cidade, que atualmente é ‘castigado’ pela depredação de vândalos, por usuários e traficantes de drogas, pela prostituição e tantos outros crimes que ocorrem naquele setor”, concluiu Silva.

“Com a criação do Complexo de Segurança e a desocupação do atual prédio da Polícia Militar, a Prefeitura poderia instalar o Barracão, que funciona no Centro da cidade, próximo ao Ame, Creche Nossa Senhora do Carmo, Laboratório Municipal, Velório, e Escola Rosa de Lima, causando transtornos para a população e trabalhadores do município”, afirma .

Vereador sugere ao prefeito projeto de revitalização do Largo do Rosário
A indicação do vereador Antonio Sérgio Cardoso Telles sugere ao prefeito Walter Gama Terra Junior, “com a especial urgência”, a elaboração de um Projeto de Lei para revitalização do bairro Largo do Rosário, com a instalação de um Complexo de Segurança no atual Terminal Rodoviário. Neste complexo, funcionaria a Polícia Militar, a Polícia Cientifica e o Instituto Médico Legal.

Em sua justificativa, o vereador explica que a instalação do complexo iria facilitar o policiamento do Complexo Guanabara, Jardim Independência, Vila Beatriz e Parque dos Esportes, “locais que registram alto índice de criminalidade”, afirmou o vereador Daniel.

Segundo ele, a Policia Militar iria trazer a essas regiões, por estar em um ponto estratégico próximo a elas, um pouco mais de tranqüilidade e segurança. A PM estaria mais próxima das saídas dos marginais, que seriam a de Guará, Jeriquara e Capivari da Mata.

Atualmente, o imóvel ocupado pela Polícia Militar, de propriedade do Município, encontra-se distante para atuar nessas regiões de maior conflito. “Com a vinda da sede da Polícia Militar para a região do Largo do Rosário, o prédio do Alto da Estação ficaria disponível para implantação futura do SAMU ou Corpo de Bombeiros. Com a vinda da Polícia Científica, o prédio onde La está instalada, poderia abrigar a Defensoria Pública do Estado”, ressaltou o vereador.

“Não devemos esquecer que há alguns anos atrás perdemos para a cidade de São Joaquim da Barra a seccional da Segurança Pública e hoje temos somente uma delegacia de 3ª Classe, perdemos também Delegacia de Ensino, CPFL, Coletoria Estadual, Delegacia da Mulher, Posto da Receita Federal, etc. Desta forma, teremos, com a concretização dessa indicação, uma melhoria na nossa segurança, o desenvolvimento do Bairro Largo do Rosário e a integração da Polícia Militar, Polícia Científica e IML”, concluiu.