BRASIL

Ingrid Farias, filha de PC Farias, foi a última a depor no segundo dia de julgamento do caso PC Farias
08/05/2013

JÚRI DA MORTE DE PC FARIAS ENTRA NO 3º DIA COM DEPOIMENTOS DE PERITOS




O júri da morte de PC Farias recomeça nesta quarta-feira (8) com o depoimento das últimas testemunhas e a expectativa de que ocorram os interrogatórios dos quatro seguranças acusados pela morte de Paulo César Farias e da namorada, Suzana Marcolino, crime ocorrido em 1996.

O júri será retomado a partir das 8h. A primeira a ser ouvida será Zélia Maciel de Souza, prima de Suzana Marcolino.

Entre os peritos arrolados pelas partes está Badan Palhares, um dos responsáveis pela perícia que concluiu que Suzana atirou em PC Farias e depois cometeu suicídio. O resultado do laudo foi contestado, e uma nova perícia apontou diversas falhas, concluindo que houve um duplo assassinato.

Encerrada a fase de testemunhas, começa o interrogatório dos réus, que têm o direito de permanecer em silêncio. Nesse caso, o silêncio não significa confissão. Também não é permitido que o réu fique algemado, exceto se comprovada a necessidade. Entenda como funciona o júri popular

Os quatro seguranças que trabalhavam na casa de PC Farias enfrentam o banco dos réus pelo duplo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, impossibilidade de defesa das vítimas e impunidade) por terem se omitido em impedir os assassinatos.

Por fim, os jurados se reúnem na sala secreta, o que deve ocorrer apenas na sexta-feira (10), para proferir o veredicto do caso. Com base nele, culpado ou inocente, o juiz vai redigir a sentença e dosar a pena, se houver condenação, ou o alvará de soltura, se determinada a absolvição.

Até agora, 15 testemunhas prestaram depoimento no Fórum de Maceió, entre elas, o irmão do empresário, Augusto César Cavalcante Farias, que disse acreditar na hipótese de crime passional no caso. Ele também afirmou que nunca imaginou que seria apontado como mandante dos assassinatos. Já a suposta amante de PC Farias, Cláudia Dantas, confirmou que eles se encontravam. Ao final, a filha de PC Farias, Ingrid, disse ter ouvido do pai que ele queria romper o namoro com Suzana Marcolino.

“Naquela cena você começa a desconfiar de tudo e de todos. Os seguranças estavam lá, até que prove o contrário, eram de confiança”, disse Augusto Farias. “Depois de toda a apuração é que nós nos convencemos [de que era um homicídio seguido de suicídio].”

Sobre as acusações de que ele teria mandado matar o irmão, Augusto disse que foi apontado porque foi o primeiro a chegar à cena do crime.

Augusto diz que PC Farias sabia que estava sendo traído e que usou seu nome, Augusto, para contratar alguém para segui-la. “Isso eu só soube depois dessa tragédia.” Ainda segundo Augusto, PC disse que deixaria Suzana Marcolino para tentar um relacionamento com Cláudia Dantas.

`Encontros´

Ouvida na sequência, Cláudia, apontada como a pivô do namoro entre PC e Suzana, afirmou aos jurados que teve três encontros com o empresário e que, na noite do crime, ele disse a ela que terminaria com Suzana Marcolino. A testemunha disse ainda que havia recebido um ramalhete de flores de PC Farias.

O então assessor de Augusto, Márcio Fernando Lessa Magalhães, afirmou que, logo após o crime, a conversa entre os presentes na casa dava conta de que Suzana havia matado PC Farias e cometido suicídio em seguida. “Não dava para ver sangue, nada. Pensamos que tinha envenenado, também”, afirmou.

A primeira a depor foi Milane Valente de Melo, que era namorada do irmão de PC Farias, Augusto, à época do crime. Ela afirmou que teve contato com o empresário apenas algumas vezes e que não próxima de Suzana Marcolino. Segundo ela, Augusto achava que Suzana estava interessada no dinheiro do irmão e foi apresentada a ele na cadeia.

“Não tinha nenhum clima desconfortável”, afirmou a testemunha sobre PC e Suzana. Ainda segundo ela, Augusto “sempre acreditou na teoria de homicídio seguido de suicídio”. “Ele sempre achou que Suzana matou PC e depois se matou”, disse. Milane afirmou que chegou a ser ameaçada após os assassinatos.

Arma

Também foram ouvidos Monica Aparecida Rodrigues Calheiros e o marido, José Jefferson Calheiros de Medeiros. Ela vendeu uma arma para Suzana Marcolino.

Segundo ela, na época, “em qualquer esquina se achava venda de arma” e ela vendeu a arma por R$ 250 para que a ex-namorada de PC praticasse tiro. Segundo o juiz, lendo os autos, a arma foi vendida por R$ 350 e paga com um cheque. “Ela foi lá pra comprar a arma e pediu para testar”, afirmou a testemunha.

Zélia Maciel de Souza, prima com quem Suzana Marcolino teria comprado a arma, não compareceu, e o juiz determinou a expedição de um mandado de condução coercitiva, para que ela fosse localizada e trazida ao plenário.

Última a prestar depoimento, Ingrid Farias, filha de PC Farias, disse que tinha 14 anos quando perdeu a mãe e 16 anos quando perdeu o pai. Morando na Suíça à época, ela diz que conheceu Suzana Marcolino e que, pouco antes do crime, ouviu do pai que ele “queria acabar porque não estava muito feliz”.

Joaquim de Carvalho, jornalista e então repórter da revista ‘Veja’, falou sobre uma reportagem cuja capa era “Caso encerrado”. Ele foi interrompido por diversas vezes pelo juiz: “O senhor veio aqui para narrar fatos, não opiniões”, afirmou Maurício Breda. Segundo o jornalista, ele escreveu sobre a suposta amante de PC Farias porque o diretor da revista o tinha Farias como “fonte” e teria a informação de que o empresário estava com uma “novidade do coração”. “Loira.”

Durante o depoimento, o juiz e o advogado dos réus, José Fragoso Cavalcanti, discutiram e levantaram a voz. Maurício Breda afirmou que a testemunha continuava dando opiniões. Fragoso afirmou que o juiz vinha incessantemente cerceando a defesa.

Na segunda (6), cinco homens e duas mulheres foram os escolhidos para compor o Conselho de Sentença do júri popular.

Duas testemunhas prestaram depoimento. Leonino Tenório de Carvalho, que hoje é jardineiro na casa da praia, afirmou que não permaneceu no local na noite do crime e que somente viu os corpos pela manhã.

A testemunha disse que ele, o garçom e os seguranças arrombaram a janela do quarto onde o casal estava e que chegaram a mexer no corpo de PC, mas não no de Suzana. Ele afirmou ainda que, dias depois do crime, o colchão foi queimado porque já estava exalando odor.

Em seguida, o garçom Genival da Silva França falou por três horas. Ele afirmou não ter ouvido os disparos, mesmo tendo dormido na casa do caseiro. Ele serviu o jantar a PC Farias, o irmão Augusto Farias com a namorada `Milene´, e Suzana Marcolino. O funcionário disse também que presenciou mais de uma briga entre PC e Suzana.

Entenda o caso

PC Farias foi tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello em 1989 e, à época do assassinato, respondia em liberdade condicional a diversos processos, entre eles sonegação fiscal, falsidade ideológica e enriquecimento ilícito. Ele foi encontrado morto ao lado da namorada na casa de praia de sua propriedade.

Os PMs que o encontraram eram responsáveis pela segurança particular de PC Farias.

Segundo a Promotoria, eles agiram por omissão, porque estavam presentes na cena do crime, mas relataram não ter ouvido os tiros e não impediram as mortes.

Fonte: g1.globo.com