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José Wilker e André Mattos na entrevista coletiva de Giovanni Improtta em SP (Foto: Cauê Muraro/G1)
14/05/2013

GIOVANNI IMPROTTA É UM ESPELHO DO RIO DE HOJE, DIZ JOSÉ WILKER




Diretor e protagonista de “Giovanni Improtta” – o filme que recupera o bicheiro da novela “Senhora do destino” (2004-2005) –, José Wilker diz que o longa é um espelho do Rio atual: “Eu queria muito contar a história de uma cidade nova, que surgiu, sei lá, dez, 15 anos atrás”. Nesta terça-feira (14), o cineasta estreante participou de uma entrevista coletiva em São Paulo para divulgar a produção, que entra em cartaz nesta sexta-feira (17).

“Eu achei que o Giovanni podia espelhar essa cidade, o novo jeito de olhar para o mundo, a nova aspiração social”, acrescentou Wilker, agora ampliando a descrição a “cidades que o Brasil vem produzindo”. Para ele, a estabilidade econômica provoca alguma “resistência das elites, da aristocracia”. Ou, mais especificamente, uma relutância para “aceitar o novo dinheiro e o comportamento” de certa classe ascendente.

Na mesa da coletiva, também estavam o produtor Cacá Diegues e os atores André Mattos e Thelmo Fernandes. Do elenco, fazem parte ainda nomes como Andrea Beltrão, Hugo Carvana, Milton Gonçalves, Othon Bastos e Paulo Goulart.

No filme – uma comédia que mostra corrupção policial, política e um pastor que a certa altura tenta “curar” um suposto homossexual –, Giovanni Improtta define-se como contraventor, e não criminoso. Também é célebre pelos erros de gramática. Na intenção de falar difícil e para soar culto e respeitável, invariavelmente erra a colocação pronominal.

“Quando a gente precisa denunciar um fato grave, não precisa ser sisudo, precisa ser claro”, observa Wilker. “O que eu queria com o Giovanni era fazer um filme que divertisse, que as pessoas rissem – e que as pessoas pensassem.” Ele acredita que “é importante falar de coisas assim porque de repente a gente pode reduzir de 30% para 29% [a parcela de bens e dinheiro desviado ou roubado]”. “E para eventualmente chegar a um estado de graça que roube 10%, como os países desenvolvidos (risos).”

Home theater
Giovanni Improtta (o personagem) antecede “Senhora do destino”: ele protagoniza um livro publicado nos anos 1970, escrito pelo mesmo Aguinaldo Silva que foi autor da novela. Durante a entrevista, Wilker contou ter pedido ao escritor os direitos de uso do personagem, e não exatamente de uma história específica. Em seguida, o diretor citou um conhecido seu que lhe teria servido de inspiração para o filme.

Anos atrás, lembrou ele, essa pessoa lhe pediu conselhos para montar em casa um home theater – e a pronúncia de Wilker é propositalmente errada, algo próximo de “romi titchi”.

“Essa pessoa me procurou porque sabia que eu gostava de cinema. Aí, coloquei à disposição dessa pessoa o mesmo técnico que tinha instalado o meu romi titchi”, recordou o ator. “Dois meses depois essa pessoa me convidou para inaugurar o home titchi. Uma tela belíssima, um projetor último modelo. E, enquanto o filme estava sendo exibido, todos os convidados [estavam] de costas pra tela, tomando uísque, champanhe. Era dessa personagem que eu queria falar. Ela não está na novela, está no mundo de hoje.”



Fonte: g1.globo.com