Andamento da proposta foi barrado no fim de abril por liminar de Mendes. Texto prevê que parlamentares que mudem de partido não levem tempo de TV.O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para esta quarta-feira (5) o julgamento de ação que interrompeu a tramitação do projeto de lei que inibe a criação de novos partidos. O andamento da proposta no Congresso foi suspenso no fim de abril por decisão liminar (provisória) do ministro Gilmar Mendes, que entendeu que o projeto era "inconstitucional" e "casuístico". Agora, o Supremo julgará o mérito da ação, que pede o arquivamento do projeto.
A ação que questiona a proposta é a primeira da pauta de julgamentos, mas a decisão de chamar o tema para análise depende do presidente do Supremo, Joaquim Barbosa. O relator da ação, ministro Gilmar Mendes, informou que o processo será julgado.
O julgamento começará com sustentações orais de partidos interessados no processo, como o Rede Sustentabilidade, a ser criado pela ex-senadora Marina Silva. Depois, devem falar a Advocacia Geral da União (AGU) e a Procuradoria Geral da República (PGR).
O projeto suspenso é de autoria do deputado Edinho Araújo (PMDB-SP). Ele impede que parlamentares que mudem de partido no meio do mandato transfiram para a nova agremiação parte do fundo partidário e do tempo no rádio e na TV da sigla de origem. Pelas regras atuais, a maior parte do fundo e da propaganda eleitoral é distribuída de forma proporcional ao tamanho das bancadas.
Os defensores do projeto - parlamentares governistas - argumentam que o objetivo é frear a infidelidade partidária. Os críticos - principalmente parlamentares de oposição - dizem que a finalidade é desestimular candidaturas presidenciais para a eleição de 2014. Se sancionada, a lei tornaria menos competitivos novos partidos, como o que Marina Silva pretende criar.
No recurso contra a decisão de Gilmar Mendes, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, pediu que o Supremo libere a retomada da discussão. A AGU, além de ter a função de assessorar juridicamente a Presidência da República, também defende outros órgãos da União, como Congresso e o próprio Supremo.
O advogado-geral afirma que, ao barrar a tramitação, o Supremo "excluirá do parlamento sua mais essencial forma de manifestação, isto é, a possibilidade de amplo debate sobre o tema". Para ele, eventual inconstitucionalidade pode ser solucionada no Senado.
Em parecer enviado ao Supremo, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou ser favorável à suspensão do andamento do projeto. O parecer do procurador é levado em consideração pelos ministros para a tomada de decisão.
O ministro Gilmar Mendes proferiu decisão liminar após pedido do senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).
A decisão gerou embates entre Judiciário e Legislativo. Parlamentares acusaram o Supremo de intervenção nas atividades do Congresso. No mesmo dia da decisão de Gilmar, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou proposta que autoriza o Legislativo a derrubar decisões do STF sobre emendas constitucionais. Ministros do Supremo reagiram, e o andamento da proposta foi paralisado. Outra ação no STF questiona a proposta que limita o Supremo, mas não há previsão para decisão.
Fonte: g1.globo.com