A tradicional feijoada, que é um dos pratos mais saboreados no inverno: calorias à vistaA estação ainda é Outono, mas é já se vive o clima de inverno. Com as temperaturas baixas, dá vontade de ficar debaixo de um cobertor assistindo TV e comendo tudo que se vê pela frente.
Assim que as temperaturas caem, muitas pessoas começam a notar um aumento da fome e da vontade de saborear alimentos quentinhos e, diversas vezes, mais calóricos (como queijos e chocolates).
“Isso acontece porque, nas épocas mais frias do ano, mudam as nossas necessidades calóricas. Em conseqüência da diferença térmica, o organismo tem de trabalhar mais para manter a temperatura em torno dos 36,5 graus C. Portanto, necessita de maior quantidade de combustível, ou seja, de calorias", afirma o nutrólogo Wilson Rondó Júnior, da USP de Ribeirão Preto.
Mas, por que no frio sente-se maior vontade de comer? E por que alguns têm a sensação de engordar mais no Outono ou Inverno – que são estações mais frias – do que no Verão ou na Primavera – estações quentes?
De acordo com a nutricionista ituveravense Viviane Sandoval Beicker, a resposta é que as coisas não ocorrem exatamente assim, pois esse processo é ao contrário! “No verão ocorre a impressão de se gastar mais energia por suar mais. Mas o que o corpo está fazendo é liberar o calor que está ‘sobrando’. No inverno, a temperatura diminui e os tecidos gordurosos atuam, porque têm um importante papel de manter a temperatura do corpo, e desta maneira, gasta mais energia”, explicou a nutricionista.
Reposição
Durante o inverno, o corpo precisa de energia rápida e, para isso ocorra, sente a necessidade de alimentos mais calóricos, como massas, pão, bolo, torrada, arroz e também dos doces.
“É por isso que, no Inverno, o organismo sente desejo de tomar algo quente para aquecer o corpo, como um chá, mas logo vem a cabeça a associação de tomar o chá com torrada ou bolacha”, complementou a nutricionista, que é responsável pela merenda escolar no município de Buritizal.
O mesmo acontece com a sopa, que sempre vem acompanhada por um pão. “O que tem de ficar bem claro é que o desejo de comer não está só na necessidade de repor energia, mas também na mente”, concluiu a nutricionista ituveravense.
Temperaturas a menos podem ser calorias a mais
Alguns estudos mostram que em temperaturas abaixo de 10ºC, o gasto calórico que o nosso corpo tem enquanto trabalha para manter a temperatura pode aumentar entre 10% a 15%.
Isso significa cerca de 120 a 150 kcal a mais para as mulheres, e 200 a 250 kcal adicionais para os homens.
Para se ter uma idéia, uma xícara (200ml) de chocolate quente oferece aproximadamente 150 Kcal, enquanto que uma fatia de bolo simples (60g), cerca de 200 kcal.
“Essa quantidade adicional de energia de que o corpo necessita para manter a temperatura interna não é muito significativa, e o que geralmente acontece é que escolhemos alimentos quentinhos, mais doces e gordurosos, e que fornecem muito mais calorias do que precisamos. O resultado disso: alguns quilinhos a mais na balança!”, explicou a nutricionista ituveravense.
Viviane é categórica. “Fique atento as suas escolhas! Procure manter uma alimentação saudável e equilibrada no inverno, evitando assim o ganho de peso e o acúmulo de gordura corporal”, exemplificou. Segundo ela, a pessoa deve preferir alimentos integrais, frutas, legumes e verduras (refogados, caldos ou sopas) e chás. “Evite ainda o consumo excessivo de alimentos típicos desta estação, como chocolates, fondues, queijos amarelos, vinhos e sopas cremosas mais gordurosas. E, claro, não deixe a atividade física de lado só por causa do frio: espante a preguiça e ponha o corpo pra trabalhar!”, recomendou.
Alimentos que ajudam a queima calórica
Não existe nada mais termogênico do que a atividade física. Pelo menos, é o que diz a nutróloga Tamara Mazaracki, do Rio de Janeiro. Segundo ela, é durante os exercícios aeróbicos que a temperatura corporal alcança os graus mais elevados e a queima calórica torna-se maior, derretendo rapidamente esses estoques nefastos.
Entretanto, existem alimentos que imitam o processo, em menores proporções, claro. Entre os principais estão:
Temperos – Pimenta-do-reino, cominho, mostarda, cebola, alho, curry e canela, entre outros, contêm substâncias que agem no sistema nervoso central.
Há estudos mostrando que o gengibre ajuda a acelerar a queima calórica em 20%.
Chá verde – A bebida do momento é tida como campeã entre os termogênicos. Os compostos presentes na planta reduzem a absorção de açúcar no sangue - o que ajuda a diminuir a compulsão por doces - e inibem a ação da amilase, a enzima responsável pela digestão de carboidratos. Além disso, aceleram o trânsito intestinal.
O médico Sérgio Puppin, do Rio de Janeiro, recomenda 1 xícara, cinco a dez minutos antes das refeições.
Xantinas – Fazem parte desse grupo substâncias como a cafeína, a teofilina e a teobromina, presentes principalmente no café, em vários tipos de chá, inclusive o mate, no chocolate e em bebidas à base de cola. Age diretamente no sistema nervoso central, acelerando o metabolismo.
Ácido acético – Disponível no vinagre, melhora a ação da insulina no organismo.
Quando os receptores desse hormônio não trabalham de maneira eficiente, a glicose se acumula no sangue e o excesso, além de gerar outras complicações, leva ao acúmulo de gordura. Os especialistas recomendam o vinagre de maçã.
Ácido láurico e lauricina – Aparecem, sobretudo, na gordura do coco. Além de ajudar o bom funcionamento da tireóide, elevando a temperatura corporal, auxilia na diminuição do colesterol e no combate a inúmeras infecções.