Suspeitos criavam contratos de trabalho falsos para receber benefícios. Outras 30 pessoas são investigados na região por participar do esquema.O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 18 pessoas em Terra Roxa (SP) suspeitas de integrar um esquema de fraude no seguro-desemprego. De acordo com as investigações, o grupo formalizava contratos de trabalho fictícios, que depois eram rompidos para que as parcelas do benefício fossem resgatadas. Um contador e dois empresários devem responder por estelionato, por serem considerados os mentores do plano.
"O contador criou a fraude e se uniu a dois empresários locais que já tinham empresas em nomes de filhos e de esposas, mas eles eram os administradores de fato. Os três juntos aliciaram vários trabalhadores rurais para cederem nome e dados pessoais, que foram utilizados na fraude", explicou o procurador Uendel Domingues Ugatti nesta quinta-feira (28), data em que a denúncia foi divulgada.
Ainda segundo o procurador, os trabalhadores também ficavam com parte da quantia sacada, sob condição de recolherem o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a contribuição previdenciária – cerca de 28% do salário fictício registrado. "Na verdade quem pagava era o contador, mas era descontado do valor que era recebido no final. A intenção era dar uma aparente legalidade ao esquema."
Ugatti afirmou que os trabalhadores rurais eram "contratados" pelas duas empresas do setor sucroalcooleiro para exercerem funções como motoristas e tratoristas apenas no período da entressafra da cana-de-açúcar - entre novembro e março - e com salários acima da média regional.
A situação chamou a atenção do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), já que uma das empresas possuía somente um trator, mas tinha sete empregados registrados, sendo três motoristas de caminhão e quatro tratoristas. O MTE então bloqueou o pagamento dos benefícios e entrou com uma representação no MPF.
"Isso tudo aconteceu entre 2007 e 2009. Felizmente, apenas um seguro-desemprego conseguiu ser sacado, mas existem mais inquéritos na Polícia Federal, inclusive em outras cidades. Em torno de 30 a 40 trabalhadores rurais estão sendo investigados por participação no esquema na região de Ribeirão Preto."
Fonte: g1.globo.com(EPTV)