BRASIL

Chapa de oposição à presidência de sindicato bloqueou 16 terminais. Categoria irá decidir se participa de paralisações previstas para esta quinta.
10/07/2013

SINDICALISTAS DECIDEM LIBERAR TERMINAIS E VOLTAR AO TRABALHO EM SP




Motoristas e cobradores de ônibus que mantiveram 16 terminais de ônibus bloqueados em São Paulo desde as 8h desta quarta-feira (10) decidiram por volta das 12h20 liberar os acessos e retornar ao trabalho. Às 12h50, todos os terminais já haviam sido liberados, segundo a São Paulo Transporte (SPTrans). A empresa informou que 750 mil passageiros foram prejudicados pelo protesto nesta manhã.

Os manifestantes fazem parte de uma chapa de oposição à atual presidência do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo. O bloqueio dos acessos aos terminais acontece na véspera do início da eleição do sindicato, em plena campanha eleitoral. Os manifestantes cobram transparência no processo eleitoral, marcado para começar nesta quinta-feira (11).

A decisão de desbloquear as entradas foi tomada no fim desta manhã após uma reunião da chapa que disputa a eleição. Às 18h desta quarta-feira, os sindicalistas voltarão a se reunir para decidir se irão aderir ao movimento nacional de paralisação e protestos convocados para esta quinta, segundo informou o secretário de Patrimônio do sindicato, Valdemir dos Santos Soares, que apoia a oposição à atual gestão do sindicato.

A SPTrans disse que, apesar dos transtornos, a manifestação não interrompeu o funcionamento das linhas nesta manhã, já que os ônibus realizaram o embarque e desembarque de passageiros do lado de fora dos terminais. De acordo com a SPTrans, das 1.340 linhas de ônibus que circulam em São Paulo, cerca de 400 foram afetadas. As empresas de ônibus afirmaram que, em duas horas de bloqueio, das 8h às 10h, o prejuízo acumulado foi de R$ 750 mil.



Ao longo desta manhã permaneceram bloqueados os seguintes terminais em São Paulo:




- Parque Dom Pedro, no Centro

- Santo Amaro, na Zona Sul

- Santana, na Zona Norte

- Capelinha, na Zona Sul

- Campo Limpo, na Zona Sul

- Grajaú, na Zona Sul

- Varginha, na Zona Sul

- João Dias, na Zona Sul

- Lapa, na Zona Oeste

- Pirituba, na Zona Norte

- Cachoeirinha, na Zona Norte

- Vila Prudente, na Zona Leste

- Casa Verde, na Zona Norte

- Mercado, no Centro

- Princesa Isabel, no Centro

- Jabaquara, na Zona Sul

O Terminal Sacomã também foi afetado, já que os ônibus do Expresso Tiradentes que ficaram parados no Terminal Mercado, bloqueado pelos manifestantes, não conseguiram completar o trajeto.



Eleições

Os manifestantes cobram transparência no processo eleitoral do Sindicato dos Motoristas de São Paulo.

Segundo Ronaldo Moraes, que faz parte da chapa de oposição que disputa a presidência do sindicato, a comissão eleitoral, imposta pela presidência atual, já entregou três listagens com o número de votantes - a primeira com 22 mil, a segunda com 26 mil e a terceira com 29 mil nomes. Moraes afirma que o sindicato conta com 35 mil contribuintes aptos a votar.

Além disso, segundo Moraes, a comissão eleitoral ainda não definiu os horários que as urnas serão levadas para as seções eleitorais nas garagens - as urnas têm que estar nos locais de votação até a meia-noite, segundo ele. "Não queremos prejudicar a população, queremos chamar a atenção para a falta de transparência do processo eleitoral", disse, cobrando transparência.

Segundo Edvaldo Santiago Silva, que é secretário-geral da atual gestão do sindicato e está apoiando a chapa de oposição, o grupo pede também respostas a uma pauta de reivindicações que não foi defendida pela atual gestão. Entre os pedidos estão o registro e benefícios aos funcionários. “As empresas pagam horas extras fora da folha de pagamento, o que traz um prejuízo enorme ao trabalhador e ao país, já que a empresa não paga tributos.”

O presidente do Sindicato dos Motoristas de São Paulo, Isao Hosogi, conhecido como Jorginho, afirmou que a chapa de oposição não participou das reuniões que definiram os nomes da comissão eleitoral e que agora tenta cancelar a eleição. Jorginho informou ainda que já estão definidos os horários de saída das urnas.

A única indefinição no processo eleitoral, segundo ele, é o local da apuração. O presidente acredita que não há segurança para que a contagem dos votos seja feita na sede do sindicato. Segundo ele, 300 seguranças particulares foram contratados para garantir a segurança das urnas.

Jorginho informou que apenas 29 mil motoristas e cobradores estão aptos a votar, já que o estatuto do sindicato prevê que os eleitores devem ter no mínimo seis meses de filiação. Segundo o presidente, a oposição é uma minoria que se formou após ele optar por compor sua chapa à reeleição apenas com nomes "ficha limpa". Em 2010, a Polícia Civil prendeu sindicalistas investigados por envolvimento na morte de membros do Sindicato dos Motoristas. Na casa de Edvaldo, secretário-geral do sindicato e que agora faz oposição a Jorginho, foram apreendidos cerca de R$ 55 mil.

"A diretoria de um sindicato tão importante como este tem que ter em sua composição membros com ficha limpa para que possa representar a categoria (...) Apesar que não sou nada contra o crime organizado, cada um faz o seu papel, mas não podemos aceitar que o tesoureiro do sindicato, que é candidato a presidente da outra chapa, fique ameaçando a nossa diretoria. Inclusive a maioria da diretoria que participa da chapa deste ano decidiu que seria uma chapa ficha limpa, e o Valdemar [candidato a presidente] não tem ficha limpa", atacou Jorginho.

O secretário dos Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, criticou o bloqueio dos terminais. "Um absurdo você parar um terminal, uma linha de ônibus em função de uma disputa sindical", disse à Rádio CBN.

No dia 2 deste mês, os apoiadores da chapa de oposição à presidência do Sindicato dos Motoristas de São Paulo bloquearam três terminais de ônibus e fizeram um protesto até a Câmara Municipal. Ele chegaram a paralisar a operação no Terminal Dom Pedro durante a manhã e bloquearam alguns acessos dos terminais Bandeira e Mercado.



Fonte: g1.globo.com