Doenças respiratórias ajudam a engrossar filas de atendimento nos postos de saúde; no destaque, a médica Renata Tristão Rodrigues LimaNesta semana, a população voltou a conviver com um grande problema: o tempo seco. Na região de Ribeirão Preto, a umidade relativa do ar chegou a 18% na terça-feira, dia 6 de agosto, registrada pelos medidores do Instituto Nacional Climático de Campinas.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, todas as regiões do Estado já atingiram o índice de 20%, que é considerado alarmante pela Organização Mundial de Saúde e pode trazer efeitos desastrosos para a o organismo.
A conseqüência do chamado tempo seco vai desde ardência e irritação nos olhos e garganta, tosse seca ou “cheia” e boca seca, podendo evoluir para casos mais graves em pessoas que já tenham alguma doença crônica, como asma, causando crises de tosse e o agravamento da doença.
“A inversão térmica, fenômeno que ocorre nos centros urbanos, é comum entre os meses de julho e agosto”, explicou a pneumologista ituveravense Renata Tristão Rodrigues Lima, que também atende na rede pública de Saúde. “Com a mudança climática, o tempo fica seco e deixa as pessoas mais propensas a doenças que têm relação com a má qualidade do ar”, disse.
Segundo ela, órgãos como olhos, nariz e pulmão – em especial, os brônquios – são os mais afetados pelo clima. “Esta época aumenta a chance de se contrair conjuntivite, por exemplo. Doenças como bronquite, asma e rinite, se agravam e podem causar até problemas cardíacos”, acrescentou a médica.
Internações
De acordo com informações da Secretaria Estadual de Saúde, as internações por doenças respiratórias aumentam cerca de 30% nessa época. Os grupos que merecem maior atenção são as crianças abaixo de 2 anos, idosos e portadores de doenças crônicas.
“Para aliviar os sintomas é necessário beber bastante líquido, lavar o nariz e os olhos com soro fisiológico, evitar exercícios físicos ao ar livre, principalmente entre 10h e 17h nos dias com baixa umidade do ar e evitar lugares fechados e de grande aglomeração”, recomenda o pneumologista Fábio Muchão, do Ambulatório Médico de Especialidades (AME-Heliópolis).
O especialista destaca, ainda, que é válido umidificar ambientes com baldes de água ou umidificadores, lavar sempre as mãos, tossir e espirrar em lenços descartáveis e higienizar as mãos na seqüência. Crianças, idosos e pessoas que já possuem histórico de doenças respiratórias crônicas são os grupos mais vulneráveis neste período e precisam redobrar os cuidados.
O que fazer para minimizar o problema
Para evitar ou minimizar a ocorrência de problemas de saúde em decorrência do tempo seco, a Secretaria de Estado da Saúde indica alguns cuidados importantes.
Durante este período também é comum o aumento da circulação de vírus respiratórios que podem causar coriza, tosse e febre por tempo variável, tendo, em alguns casos, complicações como crises de chiado, pneumonias e, em situações extremas, insuficiência respiratória com necessidade de internação hospitalar.
Veja, abaixo, algumas dicas importantes:
• Beba bastante líquido (a não ser em caso de alguma restrição);
• Não faça exercícios físicos ao ar livre entre as 10h e 17h quando a umidade do ar estiver baixa;
• Deixe um recipiente com água ou um pano molhado no quarto antes de dormir;
• Não use o umidificador elétrico por muitas horas seguidas. O ambiente pode ficar muito úmido e causar mofo e bolor;
• Lave as narinas com soro fisiológico e/ou faça inalações com o mesmo produto;
• Mantenha os ambientes arejados e livres de tabaco e poeira;
• Evite freqüentar lugares fechados em que haja grande concentração de pessoas ou procure ventilar ao máximo os ambientes fechados.