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Retardatários xingam seguranças ao darem de cara com portão fechado. Bacharéis se desesperam, choram e se revoltam ao perder exame em SP.
18/08/2013

PERDI NOVA CHANCE, DIZ ATRASADA QUE TENTAVA PROVA DA OAB PELA 10ª VEZ




Faltando cinco minutos para os portões da sede da Uninove na Avenida Vergueiro, na Aclimação, serem fechados para os candidatos que fariam a 1ª prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) neste domingo (18), o clima de tensão começou. Seguranças começaram a gritar e a acenar: “Elevadores programados”, “Rápido, vamos fechar o portão”, “Faltam cinco minutos”.

Os últimos retardatários chegavam desesperados correndo. Até que um dos vigias da universidade baixou a grade e o choro e a gritaria começou em frente à unidade.

Um jovem chamado Guilherme balançava o portão, desesperado. Xingava a OAB e pedia de volta o dinheiro pago pela inscrição.

“Foram R$ 200 jogados fora. OAB, devolve meu dinheiro”, esbravejava ele, que pedia aos seguranças para abrirem o portão.

Por favor, abre seu moço! Eu preciso fazer esta prova, por favor!”, suplicou Camili Ismael, de 23 anos, que tentaria o concurso pela segunda vez. Ela foi a primeira a chegar em frente aos portões sendo fechados.

“Vim da Freguesia do Ó (Zona Norte da capital), tinha que ter um período de tolerância. Nos últimos anos, a prova sempre era às 14h. Neste ano, resolveram marcar às 13h. Nem todo mundo sabia disso. Eu só vi depois”, reclamava ela.

A bacharel em direito Juliana Regina Pereira, de 35 anos, chorava muito. Ela tentaria a prova pela 10ª vez, mas perdeu o horário. Veio de Metrô do Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo, mas diz ter se confundido e descido na estação errada.

“O pior da prova é o nervosismo. Eu sou muito preocupada, o emocional atrapalha. Tentaria esta prova pela décima vez. Me formei em 2001, e desde então eu trabalho com meu pai, que tem um escritório de advocacia”, diz ela.

Mudança de horário da prova
Os retardatários formaram um cordão em frente à universidade pedindo que os seguranças chamassem algum representante. Foi tudo em vão.

A reclamação geral entre eles era a mudança do horário sem alerta e também não haver tolerância por parte dos seguranças. A maioria dos que não conseguiu entrar apontou as dificuldades do transporte público no domingo, como poucos ônibus, e a distância do local das provas, como dificuldades.

Entre os atrasados estava a cadeirante Caroline Cambraia, que veio de táxi do Morumbi. “Eles deveriam dar um desconto, não porque sou cadeirante e preciso de ajuda, mas porque atrasos podem ocorrer. Ainda não acredito que perdi esta prova”, desabafa ela.

Luiz Paulo Vieira, de 46 anos, também deu de cara com o portão. “Vim de Guaianazes (Zona Leste) e no domingo é complicado o transporte. Eu até desci na estação São Joaquim há tempo, mas tinha muita gente atrapalhando para chegar aqui. Dói não conseguir realizar a prova. É tempo perdido”, contou.

Persistência após os 60 anos

Um dos mais animados para o exame era o supervisor elétrico aposentado Ciro Leonardo dos Santos que, aos 60 anos, cursa em 2013 o último ano de Direito na Unicsul.

“Esta é a segunda vez que presto o exame, espero que desta vez eu consiga. A gente precisa persistir na vida, nada é fácil. Estou fazendo Direito agora por hobby. Já sou aposentado, mas busco uma nova profissão”, contou Ciro.

“A segunda fase é a mais complicada. Na outra prova, foi nesta que eu não passei”, relembrou.



Fonte: g1.globo.com