Novas notas da família RealDesde o dia 29 de julho, estão circulando no Brasil as novas cédulas de R$ 2 e de R$ 5, completando a chamada Segunda Família do Real. As notas – cujo projeto gráfico foi desenvolvido pelo Banco Central (BC), em conjunto com a Casa da Moeda do Brasil – são produzidas com novos equipamentos e insumos que permitem a impressão de qualidade superior, desenhos mais complexos, recursos gráficos e elementos antifalsificação mais modernos, o que agrega mais segurança.
Por enquanto, as novas notas devem “conviver” com as antigas da Primeira Família do Real. A substituição será gradual, conforme as primeiras forem tiradas de circulação em função do desgaste natural.
Outra mudança importante são os tamanhos diferenciados por denominação, o que garante a acessibilidade das pessoas com deficiência visual ao dinheiro brasileiro, oferecendo um recurso confiável para o reconhecimento e diferenciação das notas, além de inibir a tentativa de falsificação por lavagem química. As cédulas também sofreram tratamento para aumento da vida útil.
Cédulas novas divergem opiniões sobre aprovação
As novas cédulas vieram com a promessa de facilitar a vida do cidadão. Entretanto, elas não foram aprovadas por todos. O operador de caixa Bruno Ricardo de Castro Vieira, que trabalha há mais de 2 anos na loja de conveniência do posto Petro Max, diz que a clientela ainda não se acostumou com os tamanhos diferentes entre as cédulas da “Primeira” e “Segunda Família”.
“No caso das cédulas de R$ 50, R$ 20 e de R$ 10 – que surgiram antes das recém-lançadas de R$ 2 e de R$ 5 e que já apresentam tamanho diferenciado – as pessoas estranham um pouco. Até a gente mesmo, que lida com dinheiro o tempo todo, tem certa dificuldade no manuseio das notas. Alguns clientes chegam a pedir para trocarmos as notas novas pelas antigas, quando recebem de troco”, afirmou o operador de caixa.
Já a dentista Flávia Leandra Pinocci Silva, 29 anos, aprovou as notas novas. “É uma forma, por exemplo, de não se errar a identificação. Eu já diferencio pelo tamanho, na carteira: de R$ 2 de um lado e de R$ 5 do outro”, explicou a dentista, que se despediu brincando com a equipe de reportagem: “Das outras, não tenho tantos exemplares assim”.
Moeda Real foi criada em 1994 por Fernando Henrique Cardoso
O Real foi criado após sucessivos planos econômicos e trocas monetárias no país, que já operou com Réis, Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro Real e Real.
A atual moeda foi implantada na gestão do presidente Itamar Franco, sob o comando da equipe do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, que logo depois seria eleito presidente da República.
O lançamento do Plano Real, em 1º de julho de 1994, é um marco histórico na economia brasileira. A implantação do plano começou em 1º de março do mesmo ano, com a criação de um novo índice – a Unidade Real de Valor (URV). A URV uniformizou todos os reajustes de preços, câmbio e salários de maneira desvinculada da moeda vigente, o Cruzeiro Real (CR$). A cada dia, o Banco Central fixava uma taxa de conversão da URV em CR$, com base na média de três índices diários de inflação.
Cada Real valia um Dólar em 1994
Em 1º de julho de 1994, a conversão e os cálculos baseados na URV saíram de cena para a entrada do Real. Cada Real valia um dólar, ou o equivalente a CR$ 2.750,00. A moeda forte trouxe estabilidade de preços e controle inflacionário, num semestre em que a taxa de inflação acumulada já chegava a 758,59%. Para se ter uma idéia, a primeira inflação registrada da nova moeda bateu um recorde para a época e atingiu 6,08%.
Hoje o Real é considerado uma das moedas mais fortes e estáveis do mundo. Atingiu sua cotação máxima no dia 14 de outubro de 1994, quando chegou a valer 1,20 dólar. No final de 2002 atingiu a cotação mínima: 0,25 dólar.