Protesto realizado em Ituverava contra a extinção da ApaeA possibilidade do governo proibir a Educação Especial nas Apaes – obrigando o portador de necessidades especiais se matricular ensino público gera polêmica entre os profissionais das áreas de Saúde e de Educação.
Tanto que, por todo o Brasil, manifestações contra a possibilidade iminente deste fechamento estão sendo realizadas, com o objetivo de sensibilizar autoridades políticas sobre o fato.
Em Ituverava, a equipe da Apae, alunos e alguns pais se reuniram na Praça 10 de Março para coletar assinaturas para um abaixo-assinado contra a medida. O documento -- que reuniu mais de 1 mil assinaturas -- será enviado ao Congresso Nacional, juntamente com outros abaixo- assinados elaborados em milhares de municípios, de todos os Estados da federação.
“Não é pela proposta de inclusão do governo, pois é algo que queremos muito, pois entendemos que o portador de necessidades seja tratado com igualdade pela sociedade. Entretanto, acreditamos que as pessoas especiais têm suas limitações e, muitas vezes, não podem ser alfabetizadas no mesmo ritmo das outras pessoas e, por isso, necessitam de locais especializados, que possam lhe passar adequadamente conhecimentos”, explicou a diretora da Apae de Ituverava, Lucymara Bertinatto de Carvalho Sanches.
engajamento Total
O ator de teatro e professor Silvionê Chaves, que no dia anterior apresentou-se no Centro Cultural de Ituverava, na 1ª Jornada da Educação de Ituverava, aprovou a manifestação.
“Não concordo com o fechamento das Escolas Especiais, pois são entidades que atendem de forma correta os portadores de necessidades especiais”, ressaltou o ator e professor ator de teatro.
“Na escola pública essa inclusão que o governo tanto deseja não ocorrerá, por falta de profissionais que atendam as necessidades desses alunos”, complementou Chaves.
“Sou contra o fechamento, porque o governo gasta milhões em coisas banais, e as Apaes são qualificadas para oferecer atendimento de qualidade aos portadores de deficiência e não podem deixar de existir”.
Aparecido Donizete dos Santos, 43 anos, motorista.
“Considera a medida um equívoco, pois o trabalho realizado na Apae é muito importante para os portadores e seus familiares. Eu tive um caso em casa e sei do que estou falando. Por isso, apóio e estou assinando o manifesto”.
Luiz Carlos Pereira Brandão, trabalhador rural, 52 anos
“Não concordo com a medida do governo, pois entendo que as crianças especiais precisam de atendimento especializado e a Apae oferece este tipo de trabalho com muita qualidade”.
José Antônio Araújo, 78 anos, aposentado
“Não concordo, pois na rede pública não há estrutura para receber alunos com necessidades especiais. A medida Isso vai acarretar problemas no aprendizado dos alunos especiais e também no restante da classe, pois os professores não foram qualificados para tal alfabetização”.
Fernando Rodrigues de Souza, 32 anos, gerente
APAE de Ituverava é exemplo para o Brasil
A APAE de Ituverava é um exemplo de mobilização social. Fundada em 1991, a entidade assiste atualmente a 120 pessoas portadoras de necessidades e deficiên-cias intelectual e múltiplas, dos quais 98 estão matriculados na Escola de Educação Especial “Izabel Alves Borges de Oliveira”, que é dirigida por Lucymara Bertinatto de Carvalho Sanches.
A entidade também oferece atendimento ambulatorial, como assistência fonoaudiologica, médica, psicológica, fisiotepeutica e de terapia ocupacional.
Com 34 funcionários, a entidade sobrevive de campanhas e doações da sociedade. Anualmente, a APAE promove Leilão de Gado e as tradicionais Feijoada Beneficente e a Galinhada, além da campanha Sócio-Contribuinte, dos sócios.
A Apae oferece um atendimento exemplar para o portador de necessidade, sendo considerada modelo no tratamento e acompanhamentos de deficiências.
Protestos contra fechamento reúnem milhares de pessoas
A inclusão social de portadores de deficiência – seja ela de natureza física, mental ou intelectual – é um delicado assunto que deve ser bastante discutido pela sociedade. Por um lado está o direito do portador, que muitas vezes enfrenta um injusto e repulsivo preconceito devido suas limitações.
Do outro lado, está a sociedade, que entende que deve acolher estas pessoas, mas, muitas vezes, não está preparada para isso.
Bem no meio deste campo de batalha estão as entidades que prestam assistência ao portador de deficiência. Nos próximos dias – ainda não se sabe a data exata – o Senado Federal deverá apreciar o texto “Meta 4”, do Plano Nacional de Educação (PNE).
A resolução mantém a opção das pessoas com deficiência intelectual serem matriculadas nas escolas de Edu-cação Especial, como as escolas das APAES do Brasil.
Manifestação
O resultado de tudo isso acabam sendo manifestações contra a possibilidade de fechamento. No dia 7 de agosto, centenas de profissionais e incentivadores do movimento apaeano se manifestaram contra o fechamento das escolas de Educação Especial, na Assembléia Legislativa de São Paulo (ALESP).
Comitivas e ônibus com pais, amigos e profissionais de várias regiões do Estado viajaram a capital paulista para o protesto, que transcorreu de forma pacífica.
Na última quarta-feira, dia 14 de agosto, realizou manifesto em Brasília-DF, em frente ao Museu da República, na Esplanada dos Ministérios. O evento também contou com a adesão de outras entidades que agregam a Educação Especial, como a AACD.