ENQUETES

Síria, após ataque; no destaque o presidente dos EUA, Barack Obama que anunciou que o país está pronto para atacar
10/09/2013

EDIÇÃO 3045 ENQUETES: GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS PODE COMANDAR INVASÃO MILITAR NA SÍRIA


Justificativa é que governo sírio tenha utilizado armas químicas contra a própria população, no dia 21 de agosto

Em guerra civil desde 2011, a Síria pode se tornar, a qualquer momento, alvo de uma invasão militar dos Estados Unidos. A justificativa do governo norte-americano é que o governo sírio, hoje sob presidência de Bashar al-Assad, teria atacado a própria população, utilizando armas químicas, o que resultou na morte de 1.429 pessoas, entre elas, 426 crianças. O ataque teria ocorrido no dia 21 de agosto.

Diante do possível fato, o presidente Barack Obama anunciou, dia 31 de agosto, que o país está pronto para atacar a Síria. O presidente pediu o aval do Congresso Americano, que apoiou a invasão, mas limitou o uso de forças militares.

No texto, de autoria da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, o prazo para a intervenção na Síria deve ser de 60 dias, com possibilidade de prorrogação por mais um mês. A resolução ainda proíbe o envio de forças terrestres norte-americanas. O texto, no entanto, ainda precisa ser votado pelo plenário do Senado, o que deve ocorrer na próxima segunda-feira, 9 de setembro.

Para solicitar o apoio de outras nações, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, desembarcou na Rússia, na última quinta-feira, 5 de setembro, para a cúpula do G20, quando defendeu a intervenção militar na Síria. Após o encontro, Obama pediu à comunidade internacional que não fique calada diante da "barbárie" na Síria.

Também defendeu a ação militar para que se mantenha credibilidade de todos os países que assinaram o tratado de armas químicas da ONU o qual, para Washington, foi violado pelo regime de Bashar al-Assad. Até o fechamento desta edição, o governo norte-americano ainda discutia o possível ataque.

A intervenção militar na Síria divide os líderes internacionais. A França e o Reino Unidos anunciaram apoio aos Estados Unidos. Mas o Brasil, por intermédio do ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, condenou a ação. Figueiredo ressaltou que qualquer medida militar deve ser definida pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Figueiredo disse ainda que as ações militares devem ser o último recurso a ser adotado em caso de confronto. Na semana passada, ele defendeu a busca por uma solução negociada na Síria. A Rússia e a China, assim como o Irã e a Venezuela, também condenam a ação militar.

Intervenção
Na última terça-feira, 3 de setembro, o presidente americano Barack Obama disse que planeja uma intervenção militar "limitada" na Síria, mas "com uma estratégia mais ampla" de fortalecer os rebeldes de oposição no país, indicando que os EUA irão além de apenas bombardear supostas instalações de armas químicas sírias.

"Queremos uma ação limitada e proporcional que enfraqueça as capacidades (militares) do (presidente sírio Bashar) al-Assad", declarou Obama.

"Ao mesmo tempo, temos uma estratégia mais ampla que nos permitirá aumentar as capacidades militares da oposição, criando pressão política, diplomática e econômica para uma transição que traga paz não só para a Síria como para a região", ressalta.

Enquete
Para saber qual é o posicionamento da população ituveravense em relação à possível invasão, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana. A maioria dos entrevistados não concorda com a ação do governo norte-americano. Confira:

Confira as respostas:

Experiência negativa
Vale lembrar que em 2003, o governo dos Estados Unidos comandou uma invasão no Iraque, o que resultou em uma guerra com mais de 16 mil iraquianos mortos, entre militares e civis. A ocupação ocorreu entre 2003 e 2011 e recebeu várias críticas, inclusive da população norte-americana.

A possível invasão à Síria também não tem agradado boa parte dos norte-americanos. Uma pesquisa feita pelo site Reuters/Ipsos aponta que 56% dos entrevistados acreditam que os Estados Unidos não deveriam intervir na Síria. Apenas 19% dos entrevistados são favoráveis à ação.

Foram entrevistados 1.195 adultos norte-americanos, entre 30 de agosto e 3 de setembro. O intervalo de credibilidade da pesquisa, semelhante à margem de erro, é de 3,2 pontos percentuais.